Sábado, 4 de Agosto de 2007



A questão preciosa da Verdade ..... 24/12/2006 09:50

Vou postar de novo extraido do meu anterior flog, o que escrevi sobre a Verdade.

Resolvi atender ao pedido do meu primo Tadeu que me desafiou à escrever sobre o que a VERDADE para mim significa.Propus-me então concretizar imediatamente este seu bem difícil,reconheço,pedido.
Meditei harmonizei-me com o Cosmos e invoquei inspiração ao meu anjo pessoal e ao Pai.

Nunka me furtei à escrever sobre temas abstratos,por mais difíceis que eles fossem...

Ainda mais daquele tão lindo –discorrer sobre a Verdade....

fui dotado de uma vívida inteligência e mais uma vez iria me valer dela à serviço da Cultura Humana.

O resultado fikou tão intenso e profundo,em tudo universal,passível de ser plenamente apreciado tanto por um erudito e agnóstico filósofo grego da academia há 2.400 anos atrás quanto por bisnetos dos nossos netos daqui há vários séculos à frente...

Portanto faço à ele um presente indistinto à todos aqueles q o puderem ler,
conhece-lo e deixar calar fundo em si a substância de ensinamento e reflexão q ele tão ressoa...
fikou muito bonito e eloqüente....
Obrigado meu anjo e protetores espirituais de Luz...

Obrigado Rafael,obrigado meu primo Tadeu....Com krinho....Yan Ayrton....

Título:Uma contribuição à Verdade.
Autor:Yan Ayrton

Para Rafael Tupynambá D. e
Judas Tadeu.

Nesta etapa plena da vida
Chego à uma solar conclusão
Para a Verdade não hà medida
E sequer perfeita definição!

Bem pensei que nos múltiplos,
filosóficos e densos livros
nos quais tão me debrucei,
Após muito devotado peregrinar,
Garimpar,prescrutar e buscar

Neles não encontrei,
e sequer deparei,
agora bem o sei
com a captura analítica
perfeita e extensa dela...

Imensa ela parece
infensa à isso

Resolvi desistir da sofisticada razão
E afinal num iluminado vislumbre final
fui buscá-la e finalmente achá-la
Nas dimensões vastas infindas
Lindas,absolutas e mágicas
de um limpo coração!!!

E assim
- em curta proposição -
pude enfim encontrar
Para a Verdade uma sintética
Feliz,acurada definição,

( precisa,elegante e singular : )

É ela a realidade intrínseca
Subjacente em tudo que vive e existe
E subsiste em glória.

É ela o repouso do equilíbrio,
A mais fecunda harmonia,
A mais solar claridade!

Poderosa ela acaba por triunfar
Em todas as eras e milênios
Trazendo de novo lucidez e sensatez
Nos eons cósmicos do eterno Tempo

Desmontando e ridicularizando
Pertinazes embustes,
por mais sofisticados que o fossem
na sua arquitetura de construção
em ultra sagaz,doentia,pérfida
elaboração pelos entusiastas do Mal.

A Verdade os desnuda no seu âmago
de trágico equivoco de opção no Universo
O Mal como inconsciência do Bem.

Estão por aí bem trágicos
No escuro coletivo passado humano
Os escravismos e racismos,
As torpes inquisições,
os nazismos , stalinismos,
e maoísmos
os militarismos selvagens,

os ateismos hedonistas vazios,
os cultos delirantes à personalidades,

o vasto e nefasto sistema financeiro cosmopolita,
tão ambicioso,internacional e venal :
à comprar consciências e poderes,
em tantos compatíveis seres...

Fulgurante no mais Além
A Verdade evoca e convoca
Coerência,Claridade,Profundidade,
Densidade,Mansidão,Imensidão

E Oportunidade
De buscar o Absoluto Ser :O Alfa e o Omega
O genial Criador final e integral
De tudo o q existe e subsiste :

–Dos quarks,dos fótons às galáxias,
À energia humana do amor,
A Essência Primeira Altaneira
Seminal e primordial em nós!!!

Esse alento é o meu sustento
Sempre acalentei comigo a esperança
De com ela revestir e persistir
O meu ser em evolutiva viagem

À ela me ancorei no mais puro
Entregar-me em sentimento
Vida após vida –Verdade és minha bússola

Minha energia,minha força
,minha pujança!!!
Vós sois o castelo de integridade
Vós doais o libelo,a tonalidade
E a finalidade
do Processo Pleno em sucesso da Libertação!!!

Sua essência em nós
Nos purifica e credencia
À DECISIVA SABEDORIA
QUE INCORPORA
TUDO EM TUDO
E NÓS
NO INTRA EXISTIR DO PAI !

: Metafórica e magnificamente
Disse-nos o filho Jesus :
“Eu sou o Caminho, A VERDADE
E a Vida
–Vinde à mim e suavidade
alcançarás e achareis em sua cruz !"

As forças do mal
Aquele primeiro anjo decaído
Criador e Pai da Mentira
Todo o poder reúnem

( ... E tudo operosamente,
astuciosamente,
Solertemente ,persistentemente
e invisivelmente
fazem para em verdade
enganar-nos,
a mim à vc, à todos....)

Tendo sagaz e voraz
sempre em mira
Nosso mal na Eternidade!!!

O único antídoto à isso –Decaimento e humano,
Insuportável sofrimento

–É buscar em cada ser e cada coisa
SEMPRE A VERDADE :
Perceber, prenunciar
a travestida Insinuada maldade
Ornada de atributo oposto

Para nos confundir
E nos infundir pesado melhor desgosto!!!

Na dialética das forças eternas
Bem eu já aprendi,
do jeito perfeito
Em vidas de dor,ingenuidade e erro :
Nela Não há relativismo!!!

A Verdade eis o motivo
Deste poético ensaio ter eu criado
Como um magno presente em lealdade
À minha irmã humanidade
A Verdade eu o digo
Em meu tom o mais altivo

Eu proclamo resoluto:
“ Nada no PaiEterno é relativo
TUDO NELE É ABSOLUTO “

E sempre estarão e se postarão
Em luto de sua vida e evolução
Todos aqueles e aquelas
Que da luminosa verdade se dispensarão
Crendo que a infinita falsidade
Possa ser a sua luz.

Tal supremo desatino
Para todo o sempre os conduz
Ao divórcio da sua real Essência
E por mais que na aparência
Queiram ser anjos de luz
As trevas deles se valem
A elas tão iluminarem
Com a sua doentia,patética claridade

.Atores e autores deste drama prometéico
e literalmente dantesco
pq algum dia fatídico no Cosmo
preferiram eles e elas
ABOMINAR TODA A VERDADE!

Para ser e expressar a Verdade em si
Jamais goste de mentir
Aprenda por Atemporal Sabedoria
Não saber o que é fingir!!!

Se com tudo isso te ajudar
Eu ainda não pude
O meu persistente e ingente esforço
Ante tal desafio de tal magnitude
A dificuldade não me ilude-
O construir da Verdade eu não distorço
Qro ver brilhá-la em ttos e ttas !

Pois bem sei que o Pai
Me fez seu instrumento
Imbuiu-me de
Solidário,intenso sentimento
De procurar traduzir
A Sua Excelsa Verdade
Para a candente realidade
Dos que na senda tão estão
À MUITO SE LAPIDAREM

PARA ÍNTEGROS A EXPRESSAREM
TORNANDO O PROJETO HUMANO
MERECEDOR DE QUEM O CRIOU

ZELANDO E VELANDO POR ELE
E SE REVELANDO
NA VERDADE FINAL DE CADA UM DE NÓS. Adonai YANayrton.

PS:Leiam meditativamente,com vagar....
há uma energia espiritual poderosa subjacente
à impregnar integridade e serenidade
em quem nela deixar-se habitar e se modifikar....Yan Ayrton

A verdade, quando impedida de marchar, refugia-se no coração dos homens íntegros,dignos e vai ganhando em profundidade o que parece perder em superfície... Um dia, essa verdade obscura, sobe das profundidades onde se exilara e surge tão forte claridade, que rasga as trevas do Mundo.Yan Ayrton

(24/12 11:19) yan ayrton: ...para mim Natal é sentir-se uno com essa criança cósmica que altruisticamente habitou um corpo frágil de carne para ente nós exemplificar com ele a verdadeira vida superior e muito nos ensinar...
celebramos o Natal à kda e todo dia que procuramos agir na essência,consciencia e no amor Dele..è portanto um estado de ser e não um dia isolado no calendário...
festejar o Natal é tê-lo e mantê-lo em nós :essa criança avatar divina do Pai...
Sua genialidade é atemporal e linda como o Universo no qual ilumina e fulgura..
.Este é o Natal...Bjos na alma à todos e todas vcs....YAN Ay

Um belo poema: humancat.com/DeVerdade/amor_de_verdade.htm


O Tempo eleva a Verdade dentre a Disputa e a Inveja.

Nicolas Poussin, 1640-2 Musée du Louvre, Paris



Uma verdade inconveniente 21.10.2006


Lançado em fevereiro passado no Festival Sundance

e celebrado como uma obra cult no último Festival de Cinema de Cannes,

o filme “Uma Verdade Inconveniente”

já foi visto por milhões de pessoas, principalmente nos Estados Unidos.

Protagonizado por Al Gore, o filme é uma severa advertência para a Humanidade sobre a responsabilidade do Homem nas mudanças climáticas.

É um documentário ambientalista e, por isso mesmo, político.

As imagens, chocantes, mostram as atuais alterações que o nosso Planeta está experimentando e elas são, também, a evidência da irresponsabilidade dos políticos que se negam a reconhecer a urgência de tocar no assunto e o pouco tempo que resta para evitar a catástrofe total.

No início é um plácido rio. Assim começa o filme “Uma Verdade Inconveniente”.

São as imagens de um rio cujas mansas águas deslizam despreocupadamente na alegria de uma estação primaveril, com um estilo de narrativa digno do classicismo dos melhores westerns. A realidade mostrada é um bucólico mundo inspirado na visão pastoril do mundo de Virgílio,

que depois migra para uma legião de referências que são parte inalienável da cultura estadunidense, desde Whitman até Bradbury, na ficção, e culmina na bíblia ambientalista “Primavera Silenciosa”, o documento-denúncia de Rachel Carson, na não-ficção.

Isso tudo está intrinsecamente presente no documentário “Uma Verdade Inconveniente”. O filme, protagonizado por Al Gore e dirigido por Davis Guggenheim, ao contrário dos de Michael Moore, não retrata a verdade do passado recente, mas a verdade do futuro imediato.

Em 2008, Al Gore fará 60 anos, quarenta deles dedicados à ecologia. A Humanidade estará no linde dos 8 bilhões de pessoas e as mudanças climáticas terão avançado de tal forma que será irreversível a catástrofe há tempos anunciada pelos cientistas de todo o mundo.

Mesmo que existam influentes vozes contrárias, como a do ambientalista de “direita” Bjorn Lomborg, ou a do romancista Michael Crichton, autor de “O Estado do Medo”, livro que faz parte das leituras prediletas de George W. Bush, “Uma Verdade Inconveniente”, pelo caminho contrário ao da ficção e das especulações, é uma denúncia feroz da insensatez do “homem viciado em petróleo” – segundo as palavras de Bush – e do estilo de vida do homem consumista, fundamento do desenvolvimento dos países mais industrializados. Em “O Ambientalista Cético”, Lomborg sustenta a teoria de que as mudanças climáticas globais é uma invenção de um grupo de cientistas mal informados e de ecologistas catastrofistas. Em “O Estado do Medo”,

Crichton imagina uma trama na qual uma sociedade secreta de guerrilheiros ecologistas planeja um atentado ambiental que é abortado por outro ambientalista “racional e equilibrado” surgido do Silicon Valley, no qual se pode entrever o rosto de Gordon Moore, presidente da Intel e ambientalista-filantropo da Conservation International, proprietário de um bom pedaço do Pantanal Mato-grossense. Segundo o escritor Fred Barnes, no livro “Rebel in Chef”, Bush e Crichton, falaram o ano passado “durante uma hora na Casa Branca e no fim concluíram estarem completamente de acordo sobre a mínima responsabilidade humana no agravamento do efeito estufa”.

A data coincide com a negativa final do presidente em assinar o Protocolo de Kyoto justificando que “seria danoso para a economia dos EUA”.

Depois de ter perdido a eleição presidencial do ano 2000 - mesmo tendo vencido no voto popular-, e após ter sido defenestrado pelo seu próprio partido,

Al Gore retirou-se para sua fazenda no estado do Tennessee para repensar a vida.

Foi ali, olhando o rio que corre ao longo de sua fazenda, um rio similar àquele que desce mansamente no início de “Uma Verdade Inconveniente” que decidiu assumir definitivamente a sua condição de ambientalista; uma filosofia de vida que começou quando era um universitário contestador na Universidade de Vanderbilt, em Nashville, pátria da country music.Ao avaliar profundamente o rumo que daria à sua vida de “feijão verde” – como Bush costuma apelidá-lo – nesse segundo retiro espiritual à semelhança de um lama, decidiu se dedicar integralmente a esclarecer aos seus compatriotas, e ao resto do mundo, que o principal problema que a Humanidade enfrenta hoje é a mudança climática. A viradaDa mesma forma que Sidarta, Al Gore iniciou a longa viagem para o conhecimento, principalmente em auditórios universitários, como anos antes já o tinha feito no Congresso dos EUA, quando era Senador na década de 70, convencendo seus pares sobre o perigo do aumento do buraco da Camada Ozônio, que culminou, felizmente, na assinatura do Protocolo de Montreal. Naquela ocasião o inimigo principal era Bush-pai, que o apelidara de “Homem-Ozônio”. Por causa da veemência das suas palavras no Congresso, os republicanos costumavam dizer que Gore injetava lítio nas veias para ficar tão aceso.Naquela época, também foi ridicularizado por sua campanha em favor de universalizar a internet. Para os “geeks”, os fanáticos por informática do Silicon Valley, Gore é o verdadeiro “inventor” da internet e entre seus admiradores se encontram os articulistas da própria Wired. É bom lembrar que hoje Al Gore é consultor especial de Steve Jobs, fundador da Apple. Além disso, recentemente foi chamado por Larry Page e Eric Schmidt para fazer parte do conselho consultivo do Google e, por incrível que pareça, Jerry Yang, dono do Yahoo, decidiu fazer o mesmo. No campo das comunicações, Al Gore possui em São Francisco um canal de televisão interativo denominado “Current TV”, cuja programação está voltada para as questões ambientais, para a análise política e para as tecnologias de ponta, sejam elas na informática ou nas fontes de energia renováveis.Anos antes, trabalhando no seu primeiro livro, “Earth in the balance”, lançado em junho de 1992, viajou ao Mar de Aral quando já não era mais o quarto maior mar interior do mundo, e sim um deserto onde repousavam as carcaças de centenas de barcos que um dia saíram à pesca. Al Gore escreveu: “Enquanto um camelo caminhava pelo fundo morto de Mar de Aral, me pus a pensar na insólita situação daqueles barcos no deserto. Onde deveria haver ondas azuis esverdeadas batendo contra o casco, só havia areia quente estendendo-se até onde a vista alcançava”. Tal como Virgílio, Al Gore sentiu que tinha descendido ao Inferno. Teve então a convicção de que a sua missão seria a luta ambiental e, durante a sua participação na RIO 92, propôs a implementação de um “Plano Marshall Global” para prevenir os desastres que se avistavam no horizonte.Avalizado por sua experiência de ambientalista herdeiro de John Muir, o fundador do Sierra Club e ativo admirador das batalhas anti-nucleares do Greenpeace original, aquele fundado pelos idealistas Jim e Marie Bohlen, Irving e Dorothy Stowe, Paul Cote e Robert Hunter, Al Gore deixou de lado a sua frustração de ter sido “o ex-próximo presidente dos EUA” e partiu para a batalha contra as mudanças climáticas. Foi assim, com toda essa bagagem, que decidiu fazer palestras ao longo dos EUA conscientizando a população, principalmente universitária, sobre este grave problema planetário. Um fator decisivo foi a devastação de Nova Orleans pelo furacão Katrina, que além do impacto climático, revelou uma nação paralela vivendo com um estilo de vida até então desconhecido pelos estadunidenses. A miséria social revelou-se a maior tragédia provocada por uma política oficial que se nega a admitir a importância do Protocolo de Kyoto.Com apoio da melhor tecnologia da Apple, combinando humor, desenhos animados e tabelas com comprovados dados científicos, optou por uma apresentação multimídia mediante a qual ele explica à platéia as graves conseqüências que o aquecimento global está causando no nosso Planeta. Gore já fez sua apresentação mais de mil vezes em auditórios de escolas e salas de conferência de hotéis em cidades grandes e pequenas. Agora se apresentou em São Paulo com uma versão ligeiramente mais atualizada da que é apresentada no filme.Numa dessas palestras, o produtor Lawrence Bender (dos filmes “A Mexicana”, “Pulp Fiction”, “Anna e o Rei”, “Cães de Aluguel”, “Kill Bill”) teve a certeza de que as apresentações de Gore eram matéria-prima para um documentário e, por ser ao mesmo tempo uma palestra emocionante, ele pensou que deveria ser transmitida numa escala nacional. A recente experiência de sucessos extraordinários com documentários como os de Michel Moore animou ainda mais Bender. Davis Guggenheim foi convidado para assumir a direção do roteiro de Scott Z. Burns, com produção executiva de Jeff Skoll, especialista em filmes políticos como “Syriana” e “Boa Noite, Boa Sorte”. Lançado em fevereiro último no famoso Festival de Sundance criado por Robert Redford, o filme mereceu grandes elogios de parte da crítica estadunidense, mas a consagração foi em maio último no Festival de Cannes, onde ele virou uma verdadeira estrela hollywoodiana. Selecionado “Hors Compétition”. Nessa ocasião, Al Gore fez a seguinte declaração: “Na língua chinesa, a palavra ‘crise’ é representada par dois ideogramas: um deles significa ‘perigo’ e o outro ‘oportunidade’. Em inglês ou em francês [como também em português], a palavra ‘crise’ se entende somente sob o sentido do medo e não o da oportunidade que oferece uma crise. O que nos deve motivar é a oportunidade que nos oferece esta crise para desenvolver novas tecnologias”.Verdades são difíceis de ouvirO filme narra, em duas histórias paralelas, a vida de Al Gore e uma de suas palestras perante um público principalmente jovem. Al Gore fala de sua vida simultaneamente para Guggenheim e o público, revelando as surpreendentes e emocionantes etapas da sua vida pessoal. O diretor dá ênfase a três eventos-chave na vida do ex-vice-presidente que ajudaram a moldar seu envolvimento com o meio ambiente: o acidente de carro que quase tirou a vida de seu filho caçula; a morte de sua irmã com câncer de pulmão, levando em consideração que sua família tinha uma plantação de tabaco; e a derrota na campanha presidencial de 2000 contra George W. Bush. “A possibilidade de perder um filho foi uma experiência muito dolorosa que me ensinou muitas lições. Por exemplo, nunca havia compreendido até então que um dos segredos da condição humana é que o sofrimento une as pessoas. Aprendi que quando outras pessoas que experimentaram a dor que eu estava sentindo vinham até mim, acabávamos nos conectando, alma com alma, de uma forma transformadora e curadora. No final, percebi de uma maneira totalmente nova a possibilidade de perdermos a nossa preciosa Terra (ou, pelo menos, a sua condição de hábitat para os humanos) de um modo que nunca havia percebido antes, nem emocionalmente, nem espiritualmente”, disse Al Gore. Quanto ao título original do filme, “An Incovenient Truth”, ele explica: “Algumas verdades são difíceis de ouvir porque, se você realmente as ouvir, e entender que elas são realmente verdade, então você tem que mudar. E mudar pode ser muito inconveniente”.Concebido de forma inteligentíssima como uma metalinguagem, Al Gore subliminalmente associa as mudanças climáticas ao nazi-fascismo. Não de forma explícita, evidentemente, mas através das citações históricas com as quais ele tenta motivar as pessoas a tomarem uma atitude. Tanto nas suas palestras quanto nos seus discursos políticos, ele menciona reiteradamente Winston Churchill. O premier inglês advertia a seus concidadãos e ao mundo inteiro sobre os perigos do surgimento do nazismo que culminaria na Segunda Guerra Mundial. Ele sempre menciona essa história assim: “Quando a tempestade começava a se formar na Europa continental, Churchill emitiu diversos avisos sobre o que estava em jogo; ele afirmou que o governo que então estava no poder na Inglaterra não tinha a certeza de que a ameaça era real, que persistia num estranho paradoxo apenas decidido a ficar indeciso, resolvido a ser irresoluto, firme ao ser levado pela corrente, sólido na fluidez, todo-poderoso para ser impotente”. Finaliza a citação com estas palavras: “A era do adiamento, das meias-tintas, do expediente apaziguador e dilatório está prestes a terminar; em seu lugar, estamos entrando num período de conseqüências”. Nada mais claro para se referir ao governo Bush e à sua teimosia em negar as evidências científicas da gravidade da situação provocada pelas mudanças climáticas. Um dos líderes políticos que aderiu à sua filosofia é Arnold Schwarzenegger, governador do estado da Califórnia, e mais uma estrela de Hollywood que se soma a Jane Fonda, George Clooney, Julia Roberts, Robert Redford, Peter Brosman, Sigourney Weaver, Sean Connery, Angelina Jolie, Leonardo DiCaprio, etc. na luta ambientalista. Ao constatar essa radical mudança de rumo na influente indústria cinematográfica, Gore disse recentemente: “Acredito que estejamos nos aproximando de um ponto de virada no qual o país começará a enfrentar seriamente o problema climático e a maioria dos políticos de ambos os partidos competirá entre si para apresentar soluções significativas. Ainda não estamos perto disso, mas um ponto de virada é por definição um momento de mudanças rápidas; penso que o potencial para esta mudança está crescendo, vemos artistas, vemos intelectuais, vemos pastores evangélicos manifestarem a sua opinião; a General Electric e os republicanos administradores de empresas dizerem que temos que tratar destas questões, assim como as organizações de base. Tudo isso está acontecendo ao mesmo tempo porque, por caminhos diferentes, as pessoas estão vendo uma nova realidade. A relação entre a nossa civilização e a Terra transformou-se radicalmente”.“Uma Verdade Inconveniente” é o primeiro depoimento franco e aberto de um dos protagonistas da política mundial das duas últimas décadas a reconhecer a possibilidade da autodestruição do Planeta. Mesmo que o caminho tivesse sido aberto por Mikhail Gorbatchov, que também está dedicando a sua vida ao meio ambiente, principalmente às questões relativas à geopolítica dos recursos hídricos na Cruz Verde Internacional, foi o ativismo de Al Gore que abriu o caminho para que a luta ambiental se instalasse dentro do próprio Congresso dos EUA. Atualmente, nos mais altos estamentos políticos, já se questiona abertamente o modo de vida das sociedades industrializadas. Com um jeito ainda tímido, em seus discursos no G-8, Tony Blair reconhece que o principal problema da humanidade hoje já não é mais o terrorismo islâmico, nem Bin Laden e sua Al Qaeda, mas o efeito estufa. De forma clara e bastante didática no filme, Al Gore transmite aos indecisos a certeza de que caminhamos para um final apocalíptico. Sem dramatizar com palavras, o que ele mostra são as imagens. O Monte Kilimanjaro 20 anos antes com todo o esplendor do seu cone nevado e hoje, sem neve, sem vida. As geleiras da Antártica que se desmoronam em pedaços gigantescos para se desmancharem nas águas oceânicas levando ao inevitável aumento do nível do mar. É mais do que certo que nas próximas duas décadas milhões de pessoas virarão refugiados ambientais; que as águas farão desaparecer não somente Nova Iorque como grande parte dos Países Baixos e que as defesas construídas contra essa ameaça pelo governo holandês de nada servirão apesar de serem hoje as barreiras mais avançadas tecnologicamente; que Bangladesh, grande parte da Ásia, e todos os estados insulares do Pacífico Sul desaparecerão sob a água, definitivamente.No filme e nas suas palestras, Al Gore destrói com dados concretos os três grandes mitos existentes sobre o aquecimento global: • Sobre as dúvidas quanto à realidade do efeito estufa, ele confirma que milhares de estudos científicos provam que o aquecimento é real e que constitui uma séria ameaça para a vida no Planeta. • Sobre se as políticas ambientais afetam a economia dos países, ele demonstra com modelos econômicos de autorizadas personalidades do mundo que as políticas públicas baseadas num planejamento ambiental estimulam as economias dos países.• Que o aquecimento global não é somente um ciclo natural da Terra, mas o resultado das atividades humanas no campo industrial. As informações que fornece são exaustivas e definitivas. Um dado concreto é que quase todas as atividades industriais dependem do desflorestamento e da desidratação da Terra. Além do corte das árvores para produzir madeira industrializada e carvão vegetal, a construção de hidroelétricas para gerar energia elétrica com as suas indispensáveis barragens é responsável pela inundação de enormes áreas emissoras de gases de efeito estufa, reduzindo a camada atmosférica e aumentando o nível térmico mundial. Algumas das conseqüências do desflorestamento são a desertificação, as secas, as inundações e o incremento do número de furacões, tufões e outros tipos de tempestades de grande dimensão. O aquecimento atmosférico que derrete as calotas polares leva à dessalinização das águas oceânicas e a mudanças radicais nos ecossistemas e na capacidade imunológica de todos os seres vivos.Face a esse catastrófico cenário, Al Gore insiste em que “a solução para a crise climática global exige uma ação rápida, sábia e grande de nossa parte”. Na mensagem aos empresários, ele lembra que “se destruirmos o Planeta não haverá economia que sobreviva”. R. Capriles*[editor@oeco.com.br]E ataca frontalmente a causa principal: a cultura dos países industrializados concentrada no consumo, na ganância e na expansão dos negócios em níveis insustentáveis.

Todos esses conceitos os ambientalistas do mundo inteiro conhecem de longa data.

O inédito é que um político do mais alto nível executivo e legislativo da maior potência do mundo afirme, com todas as letras,

que é necessário mudar de vida para que o Planeta possa sobreviver. E assim, como se estivéssemos vendo quadros de Frederick Remington ou de John James Audubon, ele volta ao clima pastoril existente no início do filme, à beira do seu rio, depois de ter percorrido o Planeta e revelado ao mundo quão perto estamos do desastre e do fim da aventura humana.

Neste artigo, fazemos um apanhado geral de alguns desenvolvimentos técnicos que têm sido feitos nos últimos anos sobre a verdade pragmática, que também chamamos de quase-verdade. Tais desenvolvimentos se devem, especialmente, a N. C. A. da Costa, R. Chuaqui, I. Mikenberg e S. French.

Verdade pragmática. Jair Minoro Abe

Há, pelo menos, quatro teorias da verdade que se evidenciam de relevância para o filósofo que se ocupa da Teoria da Ciência:

1ª) a Teoria da Correspondência, particularmente na forma que lhe conferiu A. Tarski; ]

2ª) a Teoria da Coerência;

3ª) a Teoria Pragmática;

4ª) a Teoria da Eliminação da Verdade (ou definibilidade da verdade).

Sobre tais teorias o leitor pode consultar S. Haack (1980a e b), A. Tarski (1956 e 1944) e A. Grayling (1986).
Segundo a Teoria da Verdade como Correspondência, este conceito relaciona proposições, juízos ou sentenças a situações reais; e uma proposição, um juízo ou uma sentença é verdadeiro se, e somente se, reflete a realidade. Em outras palavras, uma proposição é verdadeira se ela corresponde à realidade, se o que ela afirma de fato é.
Aristóteles, no Livro I'da Metafísica, define a verdade da seguinte maneira: "Dizer daquilo que é, que é, e daquilo que não é, que não é, é verdadeiro; dizer daquilo que não é, que é, e daquilo que é, que não é, é falso". Na Idade Média, os Escolásticos afirmavam que a verdade é a adequação entre pensamento e realidade.
As definições anteriores são válidas e não podem servir de base para um tratamento lógico-matemático do conceito de verdade como correspondência. O grande mérito de Tarski foi o de ter desenvolvido uma formulação matematicamente tratável da Teoria da Correspondência. Com isso, ele revolucionou a Lógica e lançou as bases da Teoria Clássica de Modelos, uma das partes mais importantes da Lógica atual, não apenas relevante em si mesma, pelos seu notáveis resultados teóricos, como, também, pelas suas aplicações na Matemática, nas Ciências Empíricas e na Tecnologia.
A idéia central de Tarski foi a de considerar o conceito de verdade como consistindo numa relação entre sentenças de uma linguagem e a estrutura na qual esta linguagem está interpretada. Não há sentido falar de verdade ou de falsidade de uma sentença a não ser que se saiba exatamente a que linguagem essa sentença pertence e de que modo a linguagem está interpretada.
A definição de Tarski pressupõe que a linguagem de base possui uma estrutura bem definida, pois ela deve ser tratada do ponto de vista matemático. Por conseguinte, a definição de Tarski se aplica principalmente às linguagens artificiais, simbólicas, da Lógica e da Matemática.
Não podemos apresentar, aqui, mesmo de modo informal, a Teoria de Tarski, dado que é demasiadamente técnica. No entanto, como ela é a base da Lógica tradicional, pode ser encontrada em bons livros de Lógica, como os de Shoenfield (1967) e de Mendelson (1979). Conforme a linguagem estudada, a definição correspondente de verdade possui características peculiares.
No entanto, lembramos que o conceito de verdade, tal como Tarski o entende, deve satisfazer o que se chama esquema T, que, em um caso particular, é o seguinte:
T: "A neve é branca" é verdadeira se, e somente se, a neve é branca.
Em outras palavras, o esquema T, que a definição de verdade de Tarski satisfaz, garante que a relação é uma conexão entre linguagem e realidade (na Teoria Abstrata de Modelos é uma relação entre linguagens artificiais e certas estruturas matemáticas que se chamam modelos).
A Teoria da Coerência não considera a verdade como uma relação entre linguagem ou pensamento e realidade. Ao contrário, concebe a verdade como sendo uma propriedade eminentemente lingüística, de caráter sintático; vários autores, de uma maneira ou outra, defendem a Teoria da Coerência, tais como G. Hegel, B. Bosanquet, F. Bradley e H. Joachim bem como alguns dos membros do Círculo de Viena, tais como O. Neurath e H. Hahn.
Segundo os adeptos da Teoria da Coerência, não se pode comparar uma sentença à realidade, para sabermos se a sentença é verdadeira ou falsa. Com efeito, a realidade nos afeta e através de nossa experiência podemos testar uma sentença; porém, como nossa experiência, também, se reduz a sentenças de determinado tipo, segue-se que, afinal, só se pode comparar sentenças com certas sentenças. O cientista, enquanto tal, recebe um conjunto de sentenças que são aceitas como verdadeiras, que devem ser coerentes (não encerram contradições) e aspirar à maximalidade: isto é, o pesquisador sempre procura conjuntos coerentes maximais de sentenças. Sempre que uma parte de nosso sistema de. crenças não funciona bem, devemos procurar modificá-lo, comparando-se sentenças entre si, de modo a se obter um novo sistema que seja coerente e, se possível, maximal.
Assim, Neurath diz que somos como um marinheiro que, no meio do oceano, tem que reconstruir o próprio barco.
A Teoria da Coerência é extremamente interessante e hoje a Lógica e a Matemática possuem meios para tratá-la de uma forma conveniente. Porém, como nosso objetivo é o estudo da verdade pragmática, não ampliamos mais nossa exposição da verdade como coerência.
A Teoria da Eliminação da Verdade é a teoria cunhada por F. P. Ramsey, segundo a qual o conceito de verdade não apresenta aspectos teóricos de grande relevância, pois pode ser eliminado. Por exemplo, afirmar que "A neve é branca" é verdadeira, equivale, simplesmente a afirmar: A neve é branca.
A teoria de Ramsey foi muito desenvolvida nos últimos tempos, existindo filósofos e lingüistas que a têm aplicado nas mais variadas circunstâncias.
Finalmente, a Teoria Pragmática da Verdade é a que tratamos com algum pormenor neste trabalho, por se ter convertido numa das mais importantes concepções de verdade, com significativas aplicações à Lógica, à Matemática e à Filosofia da Ciência.

As concepções de Peirce, James e Dewey
A concepção pragmática da verdade se deve basicamente a C. S. Peirce, um dos grandes lógicos e filósofos do século passado e do começo deste, o criador do pragmatismo.
Peirce escreveu: "considere que efeitos práticos concebemos que o objeto de nossa concepção tem. Então, nossa concepção desses efeitos constitui o conteúdo total de nossa concepção desse objeto" (C. S. Peirce 1965, p. 31).
A afirmação de Peirce pode ser claramente interpretada como significando que a verdade pragmática de uma proposição depende de seus efeitos práticos, supondo-se, naturalmente, que esses efeitos sejam aceitos como verdadeiros, ou falsos, no sentido comum da palavra verdade.
Como se observa em Mikenberg, da Costa e Chuaqui (1986), esses efeitos podem ser formulados como certas proposições básicas e, portanto, uma asserção (hipótese ou teoria) pode ser tida como pragmaticamente verdadeira se suas conseqüências básicas são verdadeiras, no sentido da Teoria da Correspondência. Para eles, esta interpretação do dictum de Peirce constitui a essência da Teoria da Verdade de Peirce.
Assim, a verdade pragmática é fundada em suas conseqüências básicas ou efeitos práticos, e não se mostra completamente independente no sentido de correspondência com a realidade. Como afirmam da Costa e Chuaqui: "Ao contrário, um enunciado — em geral, um enunciado teórico — é pragmaticamente verdadeiro somente quando os enunciados básicos que ele implica são verdadeiros no sentido da Teoria da Correspondência da Verdade. Mas, ainda, uma asserção básica é verdadeira, do ponto de vista pragmático, se, e somente se, ela é verdadeira de acordo com a Teoria da Correspondência. Assim, a verdade pragmática não é inteiramente arbitrária" (Da Costa e Chuaqui, no prelo).
Acrescentam da Costa e Chuaqui: "Em geral, pode-se manter que em Ciência sempre obtemos verdade pragmática, embora a verdade pragmática assim obtida se aproxime da verdade" (no sentido da Teoria da Correspondência). Tal idéia pode ser tornada rigorosa por meio da nossa definição de verdade pragmática... E esta parece ser, também, a posição de Peirce. Por exemplo, ele afirma: "Diferentes pessoas podem começar com os mais antagônicos pontos de vista, mas o progresso da investigação acaba por levá-los, forçosamente, para fora de si mesmos, à única e mesma conclusão. Essa atividade do pensamento por meio da qual somos levados, não aonde desejamos, mas a uma finalidade pré-fixada, é semelhante à questão do destino. Nenhuma modificação do ponto de vista inicial, nenhuma mudança natural de postura, pode fazer com que um homem escape da crença predestinada. Esta grande esperança é englobada na concepção da verdade e da realidade" (Peirce 1965).
Os autores em questão desenvolvem as idéias anteriores da mesma forma que Tarski formalizou a Teoria Clássica da Correspondência. Antes, porém, de mostrarmos como se efetua isto, diremos alguma coisa sobre as concepções de James e de Dewey (consultar S. Haack 1974 e 1980).
James reformula a definição de Peirce, levando em conta, especialmente, questões não-científicas. Em particular, procura estabelecer uma Teoria da Verdade Pragmática que justifique as crenças religiosas. Falando-se sem rigor, a crença em Deus, por exemplo, seria pragmaticamente verdadeira se suas conseqüências, na vida de todos os dias, fossem interessantes, agradáveis e convenientes para a pessoa que crê.
Muitas vezes se sustenta que a teoria de James é muito menos rigorosa que a de Peirce e que carece de valor científico. Nossa opinião é diferente: embora a teoria de W. James divirja da de Peirce, e muitas de suas teses não tenham sido aceitas por Peirce, seria deveras interessante formalizarmos os aspectos mais salientes da posição de James no tocante à verdade.
Dewey sustentou uma Teoria da Verdade baseada na noção de assertabilidade garantida (warranted assertibility). Do ponto de vista atual, utilizando-se não apenas recursos lógicos e matemáticos usuais, como, também, métodos da Teoria dos Sistemas e do Cálculo de Probabilidade, talvez a teoria de Dewey pudesse ser matematizada.

Formalização da Teoria Pragmática da Verdade

Mikenberg, da Costa e Chuaqui nos apresentam, como já dissemos acima, uma matematização de uma concepção pragmática de verdade que eles denominaram de quase-verdade (cf. Mikenberg, da Costa e Chuaqui 1986). Embora não encarem sua definição como uma exegese da posição peirciana, o fato é que a definição dada por eles capta, sem dúvida alguma, aspectos relevantes e significativos da doutrina da verdade do pensador norte-americano.
Nossa finalidade agora é a de descrever, de modo sucinto e sem o simbolismo e as técnicas necessárias para sua formulação precisa, a definição de da Costa e Chuaqui. Porém, antes disso, seria interessante fazer um resumo geral do trabalho desses autores, que foi muito bem sumariado por J. Corcoran.
"Filosofias Pragmáticas enfatizam a prioridade da experiência e da ação sobre o ser e o pensamento. Oponentes do pragmatismo são algumas vezes chamados de 'intelectualistas'. Característica das Filosofias Pragmáticas é o fato delas manterem pontos de vista claros sobre três questões: (1) significado, (2) verdade e (3) conhecimento. Devido a extensas variações entre tais filosofias, é simplista considerar qualquer combinação destes pontos de vista como típica (veja A. O. Lovejoy, J. Philos. 5 (1908), nº 1, 5-12; ibid. 5 (1908), nº 2, 29-39). Todavia, a seguinte combinação pode ser tida como um exemplo. (1) O significado de uma proposição é identificado com seu significado experimental e prático, i.e., com a totalidade das experiências possíveis que ela prediz. (2) A verdade de uma proposição consiste na realização no decurso do tempo (passado, presente e futuro) de seu sentido. (3) A crença na verdade de uma proposição é garantida pelo grau com que ela tem sido testada na prática e se mostrado satisfatória (pela pessoa ou comunidade que possui a crença)."


A Teoria Pragmática da Natureza da Verdade (ponto de vista (2)) está intimamente relacionada com a Teoria Pragmática do Critério de Verdade (ponto de vista (3)), ainda que sempre é importante distinguir entre a Teoria da (a natureza da) Verdade e uma Teoria do Critério de Verdade. Esta distinção é familiar a matemáticos através dos trabalhos de Tarski, que enfatizou a correspondência como a natureza da verdade matemática e da provabilidade como o critério da verdade matemática. A demonstração de Tarski do teorema de Gödel explora esta distinção, notando que indefinibilidade aritmética da verdade aritmética (teorema da provabilidade aritmética), para implicar que verdade aritmética não é coextensiva com a provabilidade aritmética (A. Tarski, Logic, semantics, metamathematics, tradução inglesa, veja pp. 197-8, 246-54, Clarendon Press, Oxford, 1956; MR 17, 1171; segunda edição, Hackett, Indianapolis, Ind., 1983; MR 85e: 01065; Sci. Amer. 220, 1969, 63-77, especialmente pp. 69-77).


O artigo (Mikenberg, I., N. C. A. da Costa & R. Chuaqui, Pragmatic truth and approximation to truth, "The Journal of Symbolic Logic" 51,1986, pp. 201-221) propõe modificar a noção tarskiana, model-theoretic, de "uma sentença s é verdadeira em uma interpretação i"de modo que a noção resultante, matematicamente precisa, é fiel a uma das noções pragmáticas da verdade. De acordo com o artigo, o contexto completo para o uso apropriado das frases "pragmáticamente verdadeiro" e "pragmáticamente falso" vai além do contexto acima do uso apropriado, clássico, de "verdadeiro" e "falso" sob dois aspectos: (a) a interpretação i é parcial (não necessariamente total) e (b) existe relativização a um conjunto P de sentenças "estabelecidas". Em conseqüência, a noção a ser definida é expressa por "uma sentença s é pragmaticamente verdadeira em uma interpretação parcial i relativa a um conjunto P de sentenças". A condição necessária e suficiente proposta como definitiva é " s e as sentenças em P são simultaneamente satisfeitas por uma extensão total de i" . Grosso modo, de acordo com o artigo (p. 204), se uma sentença é pragmáticamente verdadeira, "ela salva as aparências".
Os autores constroem um sistema formal de dedução à la Gentzen para acompanhar as semânticas acima. Eles obtêm um teorema de completude e alguns outros resultados matemáticos, incluindo uma demonstração de um teorema sobre extensões de grupos semi-ordenados, que originalmente foi enunciado, sem demonstração, por Tarski em 1948. Há, também, aplicações ao problema em Filosofia da Ciência de explicar a idéia de uma teoria anterior ser uma "aproximação" de uma posterior, mais adequada.
O artigo não reivindica qualquer tentativa de erudição suficiente para mostrar que sua definição é fiel a uma idéia endossada por um filósofo pragmático. Seu objetivo definido é mostrar que idéias matematicamente rigorosas, refletindo o pensamento pragmático, possuem conseqüências matematicamente interessantes e construir uma extensão pragmática da Teoria Clássica de Modelos (J. Corcoran, MR 88c: 03006)".
Mikenberg, da Costa e Chuaqui, seguindo Tarski, sublinham que a definição de verdade pragmática ou de quase-verdade, como eles a conceberam, só pode ser feita com relação a uma determinada linguagem, interpretada em uma estrutura conveniente. Uma das grandes novidades dessa concepção reside no fato de que as estruturas nas quais a linguagem é interpretada não são estruturas totais, como no caso da teoria de Tarski, mas sim estruturas parciais.
Na Teoria Clássica de Verdade de Tarski, as linguagens são interpretadas em estruturas que, grosso modo, se compõem de um conjunto A, denominado universo da estrutura e de certo conjunto R de relações, envolvendo objetos de A. Essas relações são sempre definidas para todos os objetos de A: por exemplo, se tivermos uma relação binaria, em R, então, dados dois objetos x e y quaisquer de A, eles estão ou não ligados por essa relação. Na teoria de da Costa e Chuaqui isso não ocorre, pelas razões que passamos a expor: os objetos x e y de A podem estar ligados por uma relação de R, podem não estar ligados pela relação ou, finalmente, podem não estar definidos se eles não possuem a relação entre si.
A partir de estruturas parciais, como acabamos de descrever, e de conjuntos de sentenças básicas que expressam proposições de nossa experiência, verdadeiras ou falsas, de acordo com a Teoria da Correspondência, e de sentenças mais complexas, expressando proposições aceitas previamente, define-se o conceito de verdade pragmática de uma sentença por um processo parecido com o tarskiano e que se apoia no mesmo. O resultado, então, é o seguinte: uma sentença s é quase-verdadeira ou pragmaticamente verdadeira numa determinada região do conhecimento (ou numa estrutura) se tudo se passa nessa região (ou estrutura), como se s fosse verdadeira de acordo com a Teoria da Correspondência. Equivalentemente, uma sentença é quase-verdadeira num domínio se, e somente se, salvar as aparências desse domínio, ou seja, funciona.
A definição de quase-verdade generaliza a definição de Tarski e seus autores constroem uma teoria generalizada de modelos que encontrou várias aplicações em Lógica e em Matemática (cf. da Costa e Chuaqui (no prelo) e Mikenberg, da Costa e Chuaqui 1986).
O leitor facilmente percebe que a definição de quase-verdade satisfaz os principais requisitos a que uma definição de verdade pragmática parece condicionada. Especialmente notável é o fato de que a verdade pragmática é um processo de se salvar as aparências, quando não se conhece a verdade segundo a Teoria da Correspondência. Todavia, outras interpretações da Teoria da Quase-Verdade são possíveis, embora não tenhamos tempo para abordá-las aqui.

Algumas aplicações da quase-verdade
A quase-verdade, sobretudo em decorrência dos trabalhos de Mikenberg, da Costa e Chuaqui e French, encontrou variadas aplicações na Teoria da Ciência.
Chuaqui, da Costa e Mikenberg mostraram como a quase-verdade pode ser usada para se definir o conceito de aproximação à verdade de teorias científicas, verdade sendo usada aqui no sentido da Teoria da Correspondência. As noções formuladas têm um significado matemático intrínseco e podem ser aplicados, por exemplo, em Álgebra (Mikenberg, da Costa e Chuaqui 1986), etc.
Outras aplicações, devidas a S. French e N. C. A. da Costa, são as seguintes: a edificação de uma nova Lógica Indutiva (consultar da Costa em Erkenntnis e da Costa e French (no prelo)) à estruturação de uma nova Teoria Subjetiva de Probabilidade do realismo e do empiricismo (cf. French (no prelo)), etc.
Constata-se, portanto, que o conceito de quase-verdade não se mostra apenas importante por formalizar e precisar uma Teoria da Verdade como a pragmática, mas encontra numerosas aplicações nos mais variados domínios. Isto é sinal, segundo pensamos, de que a Teoria da Quase-Verdade se converterá numa das mais importantes teorias da Lógica atual (o surpreendente é que a quase-verdade acha-se correlacionada com a Lógica Paraconsistente (ver, por exemplo, da Costa 1989 e da Costa e Chuaqui (no prelo)).

Bibliografia
Esta bibliografia contém não apenas os artigos citados no texto, como também todos os artigos publicados ou em vias de publicação sobre o tema que conseguimos arrolar.

DA COSTA, N. C. A. 1989. Logic and pragmatic truth. In: __________. Logic, Methodology and Philosophy of Science VIII. Edited by J. E. Fenstand et al., Elsevier Science Publishers B. V. [ Links ]
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TARSKI, A. 1956. Der Wahrheitsbegriff in den formalisierten Sprachen, Studia Philosophica, 1, 1935, pp. 261-405. Traduzido para o inglês em Logic, Semantics, Metamaihematics. Oxford University Press. [ Links ]
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Jair Minoro Abe é bacharel e mestre em Matemática Pura pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP e doutorando em Lógica pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Foi professor-visitante da Universidade de Shizuoka, no Japão, e atualmente é professor do IGCE-Unesp.

É, também, membro e coordenador do Grupo de Lógica e Teoria da Ciência do IEA/USP.
© 2007 Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo Av. Professor Luciano Gualberto, Trav. J - 37405508-900 São Paulo SP Brasil

Verdade e Consequência
A verdade é que o que fazes é consequência do que pensas. E o que pensas é consequência do que acreditas, do que te ensinam, do que aprendeste e do que ensinaste a ti próprio.A lição ainda não acabou. E aquilo que te ensinas hoje é consequência do que sonhas, do que queres, do que desejas.A verdade é que aprendes, que te ensinas a ti, cresces e melhoras todos os dias. E isso faz-te ficar mais próximo dos teus sonhos.A verdade é que a consequência dos teus sonhos é seres feliz, com cada um deles.Essa é a verdade, aceita a consequência. ( by Mário Rui Santos )

Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

A minha família poética. III

Edgar Allan Poe

Sozinho [Alone] .

Desde a hora primeira não fui
Como os outros foram - não vi
Como os outros viram. - minhas paixões

Não pude beber a fonte comum.
Da mesma fonte não retirei
A minha dor; não pude despertar
O meu coração para a alegria de um mesmo tom,
E tudo o que amei, amei sozinho.
Então - na minha infância - no amanhecer
De uma vida tempestuosa - busquei
Das profundezas do bem e do mal
O mistério que ainda me domina:
Da torrente, ou da fontainha,
Do acre penhasco da montanha,
Do sol que ao meu redor gira
Num tom de ouro outonal,
Do relâmpago que no céu
Voando vejo passar,
Do trovão e da tempestade,
tE da nuvem que tomou a forma
(Quando azuis eram os Céus)
De um demónio aos olhos meus.

Edgar Allan Poe
Tradução se Sofia Sampaio

"E era outra a origem da tristeza. E era outro o canto que acordava, o coração para a alegria. Tudo o que amei, amei sozinho."Edgar Allan Poe

Edgar Allan Allan(1809-1849)

Escritor americano. Conhecido em todo o mundo

sobretudo por seus contos de mistério e terror.

O gênio visionário de Poe, poeta de amplos recursos e contista conhecido sobretudo por suas histórias de mistério e horror, constituiu uma fonte de inspiração direta para a renovação literária européia no final do século XIX.

Edgar Allan Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809 em Boston, Massachusetts. Filho de um casal de atores, ficou órfão aos dois anos e foi adotado por John Allan, rico comerciante de Richmond, Virgínia. Entre 1815 e 1820, recebeu esmerada educação clássica na Escócia e Inglaterra. No período em que freqüentou a Universidade da Virgínia, aderiu ao jogo e álcool. Rompeu relações com seu tutor e no mesmo ano publicou, em Boston, seu primeiro livro de poesia, Tamerlane, and Other Poems (1827; Tamerlão e outros poemas), ao qual se seguiu Al Aaraaf, Tamerlane, and Minor Poems (1829; Al Aaraaf, Tamerlão e poemas menores).
Expulso da Academia Militar de West Point, decidiu dedicar-se por completo à literatura e começou a publicar contos em revistas. No livro Poems (1831), mostra da maturidade de seu gênio e publicado numa época de situação financeira precária, a evocação de um mundo ideal e visionário era realçada pelo ritmo hipnótico dos versos e pela força perturbadora das imagens. Fixou-se então em Baltimore com uma tia e, em 1833, recebeu um prêmio em dinheiro por seu Manuscript Found in a Bottle (Manuscrito encontrado em uma garrafa). Tornou-se editor literário do Southern Literary Messenger, de Richmond, em 1835, e no mesmo ano casou-se com a prima Virginia Clemm, de 13 anos de idade.
Despedido do emprego, ao que parece por seus problemas com a bebida, que o perturbariam pela vida afora, mudou-se para Nova York e passou os anos seguintes envolvido com a febril criação de suas obras, ao mesmo tempo em que trabalhava, em geral brevemente, em vários periódicos de Filadélfia e Nova York.

Em 1838 publicou uma novela de tema marinho, The Narrative of Arthur Gordon Pym.

Posteriormente, apareceram coletâneas de seus textos de ficção:

Tales of the Grotesque and Arabesque (1839; Contos do grotesco e arabesco),

The Prose Romances of Edgar A. Poe (1843; Romances em prosa de Edgar A. Poe)

e Tales (1845; Contos).

Em geral esses contos, como "The Fall of the House of Usher ("A queda da casa de Usher"), "The Cask of Amontillado" ("O barril de amontillado") ou "The Facts in the Case of M. Valdemar" ("A verdade no caso do sr. Valdemar"),

abordavam temas como a morte, o horror sobrenatural e os desvarios da mente humana, expressos numa linguagem a um só tempo precisa e alucinada, que refletia os tormentos do autor.

Poe, por outro lado, possuía grande capacidade analítica, e assim contos como "The Murders in the Rue Morgue" ("Os assassinatos da rua Morgue") assentaram as bases do gênero policial e de mistério que se difundiu no século XX.
Poe também deixou textos nos campos da estética, da crítica e teoria literária, como "Philosophy of Composition" (1845; "Filosofia da composição") e o "The Poetic Principle" (1850; "Princípio poético"), nos quais expôs sua concepção da elaboração racional do poema e o sentido estético da poesia. Entretanto, apesar da popularidade alcançada por Poe com The Raven and Other Poems (1845; O corvo e outros poemas), a aura de escândalo que o envolvia impediu que seu prestígio se consolidasse. Esquecido e incompreendido por seus compatriotas, foram os simbolistas franceses e, em particular, por Charles Baudelaire, que lhe reconheceram o gênio. O golpe representado pela morte da esposa, em 1847, aumentou ainda mais sua dependência do álcool. Após vários dias de excessos alcoólicos, Poe morreu em Baltimore, Maryland, em 7 de outubro de 1849.

Edgar Allan Poe nasceu em Boston, em 19 de janeiro de 1809.
Sua família paterna era de origem irlandesa, enraizada em Baltimore, onde conquistara postos entra as melhores famílias da região.
Seu avô, David Poe, tinha feito a Guerra da Independência.
Fora "Quartel-master-general" de Lafaiete, que lhe atribuiu mandatos importantes, dispensando-lhe estima e admiração.
O filho mais velho também se chamou David e se fez herdeiro dos espírito de aventura, que conduzia seu pai às trincheiras, sob o comando do general francês.

Apaixonando-se pela atriz inglesa Elizabeth Arnold, mulher de estonteante formosura,
David rompera todos os laços de família, casando-se e fazendo-se ator também para percorrer todas as cidades norte-americanas com sua "troupe".

A vida errante não lhe concedeu nunca os indispensáveis recursos de vida.

Breve o casal tinha dois filhos: Willian e Edgar.

Pouco mais tarde o nascimento de Rosalie comprometerá a saúde materna, já comprometida pelos sacrifícios da existência incerta um pouco vagabunda,
feita de imprevistos cruéis e de misérias implacáveis.

Com vinte e quatro anos apenas Elizabeth morre, então, deixando David enfermo. Tuberculoso e sem recursos imediatos, ele deveria acompanhá-la breve, deixando os três filhos em extrema penúria.

Mas os órfãos encontraram obrigo nas famílias de Richmond. Edgar fora adotado pelo rico casal John Allan e Frances Keeling Allan.

Edgar estudou na juventude na Inglaterra, no colégio Stoke-Newington, de Londres. Era um velho edifício sombrio e gótico. Mais tarde, de volta à Richmond, Poe continuaria seus estudos na Universidade de Charlotteville. Desde cedo, Poe se mostrara um rapaz extremamente inteligente e genioso, motivo esse que o levaria a ser expulso da Universidade. Edgar era filho da paixão sem disciplina e do espírito largo da aventura, explica Baudelaire, seu mais fiel entusiasta.

Edgar Allan Poe era um jovem aventureiro, romântico, orgulhoso e idealista. Aperfeiçoou seus estudos na Universidade de Virgínia, mas com não seguia os rígidos padrões da época, foi expulso da Universidade. Poe era um boêmio que se entregava à bebida, ao jogo e às mulheres. Homem de ação forte, também era um homem de devaneio.

Vivia no luxo e cultivava o amor vadio. Seguindo os passos romanescos de Byron, mais tarde Poe foi para a Grécia e alistou-se no exército lutando contra os turcos. Como todos os jovens da época, Poe sonhava com as glórias militares. Mas aventura acabou saindo muito caro. Perdido nos Bálcãs, sofrendo ônus terríveis no percurso, acaba chegando na Rússia sem documentos e sem dinheiro. Acaba sendo repatriado pelo cônsul americano, mas em seu retorno, descobre que sua mãe adotiva a quem devera tudo, havia morrido.

Na volta aos Estados Unidos, alista-se num Batalhão de Artilharia e mais tarde matricula-se na Academia Militar de West Point. Era conhecido pelos colegas como aquele que "Embarcou para Grécia num baleeiro". É lógico que o ritmo de uma escola para Cadetes do Exército não seria compatível ao gênio de Edgar. Ele se concentrava muito mais em seus poemas do que nos estudos.

Com o lançamento de uma Compilação de Poemas (1831), o orgulhoso Edgar Allan Poe abandona West Point e rompe relações com o pai adotivo (que se casara recentemente e deixara Poe muito contrariado).

Com 22 anos, poeta de ofício, sujeito a devaneios, pobre e sem vontade inflexível, consola-se publicando: "Poemas". De regresso a Baltimore, em busca de seu irmão Willian, assiste à morte deste e entra nas relações de uma tia, viúva com duas filhas, também pobre e sem arrimo seguro. Vivendo em miséria profunda, durante 2 anos Edgar consegue um pouco de triunfo ao vencer dois concursos de poesias. Com uma certa fama, o editor Thomaz White entrega para Poe a direção do "Southern Literary Messenger" em 1833. Pouco depois, escreveria seu primeiro conto: "Uma Aventura sem paralelo de um certo Hans Pfaal". Fica na direção da revista por 2 anos, depois de ter escrito outros vários contos, poemas e resenhas. Edgar Allan Poe já tinha uma certa reputação e um bom número de leitores.

Suas críticas tiveram grande repercussão e os jornais, abrindo-lhes as portas e as colunas de honra, decretando-lhe dias melhores. Com 27 anos, em 1836, ele casa-se com a prima de apenas 13 anos. Virgínia Clemn, eis a mulher ideal que o destino lhe destinara para lhe ser a única. A tia aceita o casamento desigual. Era sua esposa e musa. Virgínia gostava de música, canto e poesia; o que deixava Edgar muito entusiasmando. Em 1838 trabalha com Editor da Button's Gentleman Magazine. Na companhia da Sra. Clemn o casal vivera na Filadélfia, Nova York, Fordham, até que, de novo, a penúria lhe bate à porta. A vida de intimidade conjugal será prolongada pela dedicação da tia. Mas, as amarguras de Edgar Allan Poe não tinham limites. Virgínia, indo cantar na casa de amigos, sofrera um acidente causando-lhe uma forte hemorragia interna que a faz cair doente sem nunca mais voltar. Em 1847, morre deixado o marido nas entranhas do luto e da miséria espiritual.

Em 1849. Poe reage e publica o célebre poema "O Corvo" que o coloca novamente no alto da literatura americana. Edgar não abandona a tia. Esta constitui a lembrança viva de Virgínia. A Sra Helen Whitman, de Boston, dar-lhe-á estímulos e apoio. Enfermo, ele encontrara amigos e admiradores amigos e admiradores. Mas foi preciso lutar. O álcool reduzira-o de modo estranho. A caça ao dinheiro completara as impaciências, que o acabrunhavam. Seu "Romance Cosmogônico" "Eureka" acaba por lhe atribuir um renome literário enorme. Sua conduta provoca censuras, acres da imprensa e da sociedade; mas o poeta cumpria as sentenças do destino...

A exemplos de outros, resolve fazer "leituras" de seus poemas e contos para um público de jornalistas e intelectuais antes de publicá-los. Seus trabalhos lhe renderam mais honras e prestígio. O trabalho fica cada vez mais cansativo e Poe se entrega mais e mais à bebida. Poe volta a Richmore por uma temporada, mas acaba deixando-a por Nova York na expectativa de deixar seu passado lúgubre para trás. Chegando a Baltimore, suas conseqüências o abateram. Antes de de seguir para a Filadélfia resolve entrar em Taverna à caça de estimulantes. Aí encontram velhos amigos demorando-se mais do que pretende, vencido, mal percebendo o andar do tempo. Na manhã seguinte, os transeuntes encontram um homem agonizante, em abandono, na sarjeta. Pouco depois descobrem que aquele homem sem documentos e dinheiro era Edgar Allan Poe. Conduzido ao hospital, pouco resistiu, morrendo aos 39 anos apenas, deixando uma obra opulenta, escrita através de sacrifícios espantosos, de desordens implacáveis, de desconcertos incríveis.

EDGAR ALLAN POE

Criador de histórias extraordinárias

Eliane Robert Moraes

Vamos começar pelo final.

E, já que nosso tema é Edgar Allan Poe, vamos começar pelo mistério. A 27 de setembro de 1849, após jantar com alguns amigos em Richmond, Poe dirigiu-se ao cais da cidade. Por volta das quatro horas da madrugada, embarcou num navio para Baltimore e, ao que tudo indica, chegou a seu destino no dia seguinte. A viagem havia sido programada para ser bem rápida, pois ele estava de casamento marcado com a senhora Shelton, um antigo amor de juventude. Porém, de sua suposta chegada a Baltimore até o fatídico 7 de outubro, nada mais se pode afirmar com segurança.
Dizem alguns que ele teria seguido para a Filadélfia e de lá para Nova York, onde planejava buscar uma velha tia para assistir à cerimônia do casamento. Outros afirmam que ele permaneceu a semana inteira em Baltimore e, embriagado, caiu nas mãos de uma quadrilha de falsários, que lhe teriam oferecido algum licor com drogas que colaborasse numa fraude eleitoral. São meras hipóteses. A única coisa certa é que a 3 de outubro o dr.James E. Snodgrass, velho amigo de Poe em Baltimore, recebeu uma carta assinada por um tal Walker, que dizia: "Há um cavalheiro, um tanto descomposto nas vestimentas, na rua Ward Polls, dizendo atender pelo nome Edgar A.Poe, que parece estar muito atormentada e diz ter conhecimento com o senhor, e eu asseguro que ele precisa de assistência urgente".
Poe foi encontrado pelo amigo em estado de profundo desespero, largado numa taberna sórdida, de onde transportaram imediatamente para um hospital. Estava inconsciente e moribundo. Ali permaneceu, delirando e chamando repetidamente por um misterioso "Reynolds", até morrer, na manhã do domingo seguinte. Era 7 de outubro de 1849, e os Estados Unidos perdiam um de seus maiores escritores.
O que terá acontecido a Poe naqueles últimos dias de vida ? Por onde terá perambulado ? Teria sido vítima da doença que mais temia e que lhe causava tanta aflição nos outros, a loucura? Um ataque súbito? Ou motivado pela ingestão de álcool e drogas? Sabe-se que, meses antes de sua morte, ele havia voltado a beber e andava a vagar pelos becos da Filadélfia. Foi salvo da prisão e tirado das ruas por amigos fiéis, que o ajudaram a voltar para Richmond. Essa errância, contudo, não foi característica apenas desse período, mas marcou toda a sua vida. Pode-se mesmo dizer que Edgar Allan Poe foi um errante desde o seu nascimento em Boston, a 19 de janeiro de 1809.
Mais ainda: essa vida instável ele herdou de seus pais. David e Elizabeth Poe se conheceram no meio teatral, onde disputavam uma chance como atores. Casaram-se em 1806 e passaram a representar juntos, mas a carreira incerta e de pouco êxito dificultava o sustento dos filhos pequenos, William e Edgar. A situação agravou-se quando David abandonou a mulher doente e grávida da filha Rosalie, que nasceria em 1810. Elizabeth não resistiu à vida miserável que levavam e, abatida por uma doença fatal, morreu no ano seguinte.
Edgar, então com dois anos, foi obrigado por um próspero negociante escocês que, embora casado, não tinha filhos. Nos primeiros anos de convivência com o sr. e a sra. John Allan - sobrenome que viria a adotar - , o menino teve um ambiente feliz e agradável. Viagens, boas escolas e carinho familiar marcaram essa convivência até aproximadamente seus quinze anos. Mas, por volta de 1824, começaram os primeiros conflitos, motivados pela constante irritabilidade do tutor. Os problemas financeiros de Allan e a saúde precária da mulher foram os pretextos para os ataques contra Edgar, sempre ressaltando a situação de caridade do menino, que nunca fora oficialmente adotado. Clima tenso e difícil para um jovem poeta que sonhava com a carreira literária.

Entre o jornalismo e a literatura

Aos dezessete anos, Edgar matriculou-se na Universidade de Virgínia, onde, em pouco tempo, ficou conhecido por suas qualidades intelectuais e seu desempenho nos esportes. Mas não só por isso: nessa época, ele também descobriu a bebida e os jogos de azar, o que rapidamente resultou numa reputação duvidosa e em dívidas bem maiores do que poderia assumir. As relações com Allan se tornaram então mais tensas, obrigando Poe a deixar a universidade e a ausentar-se de casa constantemente, numa vida instável que se complicaria ainda mais com a morte da mãe de criação, em 1829. Allan morreu seis anos depois, excluindo Edgar de seu testamento.
Nada disso, contudo, parecia impedi-lo de escrever: mal completou vinte anos, publicou seu segundo livro de poemas; três anos mais tarde, ganhou o concurso de contos promovido pelo The Saturday Visitor, um jornal de Baltimore. "Manuscrito encontrado numa garrafa" foi seu primeiro êxito no mundo das letras, rendendo-lhe um cheque de cinqüenta dólares e um emprego no Southern Literary Messenger, periódico literário de Richmond. Ali trabalhou escrevendo todo tipo de texto, de poemas e resenhas de livros, de contos a notícias do mundo literário.
Em 1837, quando decidiu abandonar o emprego, a circulação do jornal aumentara de setecentos para três mil e quinhentos exemplares, fazendo do Messenger o periódico mais influente do Sul.
Esse desempenho notável iria repetir-se nos outros jornais onde trabalharia: tendo assumido a editoria do Graham`s Magazine da Filadélfia em 1840, em pouco mais de um ano as assinaturas saltaram de cinco mil para quarenta mil! Apesar disso, Poe fracassou nas tentativas de montar e editar um jornal próprio. Um sonho que acalentou durante toda a vida, sendo, em parte, responsável por suas inúmeras mudanças de emprego e endereço.
É verdade que a saúde frágil de sua mulher também contribuiu para essa inconstância. Edgar casou-se com a prima Virgínia Clemm em 1835. A menina, então com apenas treze anos, passou a acompanhá-lo pelas andanças à procura de melhores oportunidades, até que os primeiros sinais de tuberculose se manifestaram. Daí para a frente, a saúde de Virgínia piorou na mesma proporção que as dificuldades financeiras do casal, e a freqüência das hemorragias veio a exigir constantes mudanças da cidade para o campo. Faltavam recursos de todo o tipo para que ela pudesse tratar-se. O rigor do inverno, aliado à miséria da família, levou a sra. Poe à morte em 1847, deixando o marido desconsolado.

Suspense, terror e aventura

Certos fatos da vida de Poe, assim como o seu misterioso fim, parecem estabelecer um estranho nexo com sua obra. A morte, o medo e a dor sempre foram seus temas prediletos. Seus principais personagens são solitários, sensíveis, tristonhos e até beiram a loucura. Os cenários são os mais sombrios: cemitérios, subterrâneos, torres inacessíveis e navios fantasmas. Seus contos parecem concentrar uma força irracional e maligna à qual todo ser humano está condenado, como se o terror estivesse não só nos ambientes sinistros, mas dentro de cada um de nós.
Aficionado por esses temas, aos trinta anos já tinha publicado três livros de poemas, uma coletânea de vinte e cinco contos (entre eles obras-primas do terror como "A queda da Casa de Usher" e "Ligéia") e o romance de aventuras A narrativa de Arthur Gordon Pym. Foi nesse período que ele começou a se dedicar às histórias de raciocínio e dedução, escrevendo o famoso conto "Os crimes da rua Morgue"e outras narrativas policiais.

Estava fundando a moderna "novela de detetive".

Algumas dessas histórias têm como personagem principal o francês Auguste Dupin, um nobre falido e excêntrico cuja única diversão na vida é passar noites e noites elucubrando sobre assassinatos misteriosos. Graças a complicadíssimos raciocínios, ele consegue desvendar "crimes perfeitos", considerados insolúveis pelo comissário de polícia.
Tudo o que era misterioso atraía Edgar Allan Poe. Solucionar mistérios era, para ele, uma obsessão. Quando trabalhava no Graham`s Magazine, costumava desafiar os leitores a lhe enviarem criptogramas ( mensagens cifradas), que, por mais difíceis que fossem, jamais ficavam sem resolução. Nessa época, ele publicou "O escaravelho de ouro", história de mistério que gira em torno de um desses enigmas. O conto rendeu-lhe um prêmio de cem dólares e uma circulação de trezentos mil exemplares.
A partir daí, consolidou-se a fama de Poe como escritos de contos policiais e histórias arrepiantes. Alguns anos mais tarde, ele viria a ser reconhecido também como grande poeta: em 1845, a publicação do poema "O corvo" provocou furor no meio literário americano. Esse sucesso ecoou na Europa, encantando os franceses e merecendo especial atenção de Baudelaire. O poeta francês não poupou elogios ao americano: "Nenhum homem soube narrar com mais magia as exceções da vida humana e da própria natureza".
Contudo, a fama em nada facilitou a vida de Poe. Do ponto de vista financeiro, a literatura era péssimo negócio. Direitos autorais baixíssimos e ainda calculados sobre o preço desprezível dos livros. O escritor viveu sempre em condições muito precárias; com a morte de Virginia, parece que tudo se tornou ainda mais difícil. Sofreu um colapso físico e mental, passando a recorrer mais à bebida e, com certa freqüência, ao ópio. Meses após a publicação de seu décimo e último livro, Eureka, Poe chegou mesmo a tentar suicídio, ingerindo grande quantidade de láudano.
Se o envenenamento não o matou, teve conseqüências tristes, como um ataque de paralisia facial.
Segue-se a esses episódios uma fase extremamente atormentada, complicada por fracassos amorosos e profissionais. Quando enfim parecia ter encontrado um pouco de paz, ao voltar para Richmond e reatar com Sarah Shelton, acontecimentos nebulosos vieram desviá-lo do caminho. O resto da história já sabemos. Aos quarenta anos, morre Edgar Allan Poe, deixando-nos dezenas de histórias fantásticas e um único mistério sem solução


me leiam aki

quarta-feira, 18 de Julho de 2007.

Yan

Quarta-feira, 1 de Agosto de 2007

A minha família poética. II

W. H. Auden

Canção

Dizem que esta cidade tem dez milhões de almasUmas vivem em palácios, outras em mansardas;contudo não há lugar para nós, minha querida, não há lugar para nós.Uma vez tivemos uma pátria e julgávamos que era bela.Olha para o mapa e lá a encontrarás;mas não poderemos regressar tão cedo, minha querida, não podere-mos regressar tão cedo.O cônsul deu um murro na mesa e disse:se não têm passaportes estão oficialmente mortos;mas nós ainda estamos vivos, minha querida, ainda estamos vivos.Lá em baixo no adro um velho teixotodas as primaveras floresce de novo:e os velhos passaportes não florescem, minha querida, os velhospassaportes não florescem.Fui a um comissariado e ofereceram-me uma cadeira.disseram polidamente para voltar no ano seguinte:mas onde iremos agora, minha querida, onde iremos agora?Fui a um comício público; o orador levantou-se e disse:se os deixarmos cá dentro, roubar-nos-ão o pão de cada dia;estava a falar de mim e de ti, minha querida, a falar de mim e de ti.Ouves um ruído como um trovão roncando no céu?É Hitler sobre a Europa dizendo: «Eles têm de morrer!»Nós estávamos no Seu pensamento, minha querida, estávamos noSeu pensamento.Vi um cão de luxo de jaqueta apertada com um alfinetevi uma porta aberta e um gato entrando;mas não eram judeus alemães, minha querida, não ale-mães.Desci ao porto e parei no caisvi os peixes a nadar. Como são livres!a dez pés de distância, minha querida, só a dez pés distânciaPasseei pelo bosque; há pássaros nas árvores,não têm políticos e cantam livremente.Não são da raça humana, minha querida, não são da raça humanaSonhei que vira um edifício com mil andaresmil janelas e mil portas;nenhuma delas era nossa, minha querida, nenhumaCorri à estação para apanhar o expresso,pedi dois bilhetes para a Felicidade;mas todas as carruagens estavam cheias, minha querida, todas ascarruagens estavam cheias.Fui parar a uma grande planície, no meio da neve a cairdez mil soldados marchavam de um lado para o outroolhando para mim e para ti, minha querida, olhando para mim epara ti.

W. H. Auden(1907-1973) Reino Unido

Nietzsche

Ecce Homo

Sim, bem sei donde provenho:
Voraz como chama em lenho,
brilho e todo me consumo

.O que toco luz se faz,
Carvão quanto deixo atrás:
sim, que sou fogo presumo! Nietzsche
[Tradução de Jorge Vilhena Mesquita]

MIGUEL DE UNAMUNO

Virá de Noite...

Virá de noite quando tudo dorme,
virá de noite quando a alma informe
se embuça em vida,
virá de noite com seu passo quedo,
virá de noite e pousará seu dedo
sobre a ferida.
Virá de noite e seu fugace lume
volverá luz todo o fatal queixume;
virá na treva,
com seu rosário, soltará as contas
do negro sol, que dão cegueiras prontas,
e tudo as leva!
Virá de noite que é mãe, caridade,
quando no longe ladre a saudade
perdido agouro;
virá de noite; apagará seu prazo
mortal latido e deixará o ocaso
vazio de ouro...
Virá uma noite recolhida e vasta?
Virá uma noite maternal e casta
de lua plena?
E virá vindo num devir eterno;
virá uma noite, derradeiro inverno...
noite serena...
Virá como se foi, como se há ido
- ressoa ao longe o fatal latido -,
não faltará;
será de noite mais que quando aurora,
virá na hora, quando é o ar quem chora,
e chorará...
Virá de noite, numa noite clara,
noite de lua que ao sofrer ampara,
noite desnuda,
virá, virá... vir é porvir... passado
que passa e queda e que se queda ao lado
e nunca muda...
Virá de noite, quando o tempo aguarda,
quando uma tarde pelas trevas tarda
e espera o dia,
virá de noite, numa noite pura,
quando do sol o sangue se depura,
do meio-dia.
Noite há-de ser enquanto venha e chegue,
e o coração rendido se lhe entregue,
noite serena,
de noite há-de vir... quem há-de vê-lo?
De noite há-de selar seu negro selo,
noite sem pena.
Virá de noite, aquela que dá a vida,
e em que na noite ao fim a a alma olvida,
trará a cura;
virá na noite que nos cobre a todos
e espelha o céu nos reluzentes lodos
em que o depura.
Virá de noite, sim, virá no escuro,
seu negro selo servirá de muro
que encerra a alma;
virá de noite sem fazer ruído,
apagar-se-á nos longes o latido,
virá a calma...virá a noite...

MIGUEL DE UNAMUNO

RAINER MARIA RILKE

Hora grave

Quem chora agora em algum lugar do mundo,
sem razão chora no mundo,
chora por mim.
Quem ri agora em algum lugar da noite,
sem razão se ri na noite,
ri-se de mim.
Quem anda agora em algum lugar do mundo,
sem razão anda no mundo,
vem para mim.
Quem morre agora em algum lugar do mundo,
sem razão morre no mundo,
olha para mim.

RAINER MARIA RILKE
(Tradução de José Paulo Paes)

Antero de Quental

A um poeta

Tu, que dormes, espírito sereno,Posto à sombra dos cedros seculares,Como um levita à sombra dos altares,Longe da luta e do fragor terreno,
Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,Afuguentou as larvas tumulares...Para surgir do seio desses mares,Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões!São teus irmãos, que se erguem! são canções...Mas de guerra... e são vozes de rebate!
Ergue-te pois, soldado do Futuro,E dos raios de luz do sonho puro,Sonhador, faze espada de combate!


Antero de Quental

Goethe

Quietude no oceano (Das Gedichte - Erst Band)

Um silêncio desceu, profundo, sobre as águas, E sem arfar sequer repousa o velho mar; Entanto o pescador, a ruminar as mágoas, Volve lasso, em redor, os olhos devagar. Não há nenhum rumor por mais subtil e brando, Não há no mar ou no ar vagas nem viração... — Só existe o silêncio imenso amotalhando A impassível aquosa e límpida amplião.

Goethe ( Tradução de Yan Ay )

Guerra Junqueiro

Oração ao pão

Com quantos grãos de trigo um pão se fez?Dez mil talvez?
Dez mil almas, dez mil calvários e agonias,Todos os dias,Para insuflar alentos n'alma impuraDuma só criatura!
Homem, levanta a Deus o coração,Ao ver o pão.
Ei-lo em cima da mesa do teu lar;Olha a mesa: um altar!
Ei-lo, o vigor dos braços teus,O pão de Deus!
Ei-lo, o sangue e a alegria,Que teu peito robora e teu crânio alumia!
Ei-lo a fraternidade,Ei-lo, a piedade,Ei-lo, a humildade,
Ei-lo a concórdia, a bem-aventurança,A paz em Deus, tranquila e mansa!
Comer é comungar. Ajoelha, orando,Em frente desse pão, ou duro ou brando.
Antes que o mordas, tigre carniceiro,Ergue-o na luz, beija-o primeiro!
Depois devora! O pão é corpo e almaEm corpo e almaO comerás,Tigre voraz.
São dez milalmas brancas, cor de Lua,Transmigrando divinas para a tua!

Guerra Junqueiro, "Vibrações Líricas",
Lello & Irmão editores, Porto, 1950

Ingeborg Bachman

TODOS OS DIAS

A guerra já não se declara,prossegue-se.O inauditotornou-se quotidiano. Os heróisficam longe dos combates. Os fracossão transferidos para as zonas de fogo.A farda do dia é a paciência,a medalha a pobre estrelada esperança sobre o coração.
Conferidaquando nada mais acontece,quando o tiroteio emudece,quando o inimigo se torna invisívele a eterna sombra das armasrecobre o céu.
Conferidapor deserção da bandeirapor coragem face ao amigo,por denúncia dos segredos infamese por desobediênciaa todas as ordens.
Ingeborg Bachman
traduzida por José Lima

Castro Alves

AS DUAS FLORES

São duas flores unidasSão duas rosas nascidasTalvez do mesmo arrebol,Vivendo,no mesmo galho,Da mesma gota de orvalho,Do mesmo raio de sol.
Unidas, bem como as penasdas duas asas pequenasDe um passarinho do céu...Como um casal de rolinhas,Como a tribo de andorinhasDa tarde no frouxo véu.
Unidas, bem como os prantos,Que em parelha descem tantosDas profundezas do olhar...Como o suspiro e o desgosto,Como as covinhas do rosto,Como as estrelas do mar.
Unidas... Ai quem puderaNuma eterna primaveraViver, qual vive esta flor.Juntar as rosas da vidaNa rama verde e florida,Na verde rama do amor!


Castro Alves

Mário Sá Carneiro

Fim


Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro

Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.
Mário Sá Carneiro

Titulo: Interrogações Autor: Yan Ayrton.

Do devir da infância

saltamos para a sofreguidão da Juventude

e dela adentramos

meio inadequados

a floresta de árvores interrogativas de ser adulto

e daí idoso.

\\

E nestas dimensões de ser

Há necessidades

das perguntas sem respostas,

,do azul desvairado

e não compreendido,

da palavra comunicada e não dita,

do se passar pela vida

sem ter compreendido ou podido ser,

da lágrima pendente

e nao chorada...

\\

Eu não fui que não

um conflitado inquieto

posto na solidão da umidade escura,

uma emoção sem espaço perdida no tempo,

a tristeza da branca lisa brisa

que distancia,enevoa e esconde o mar.

\\

(.................)

E anos se passaram não pasteurizados

Dificultados complexados e cinzas.

\\

E qdo compreendi que era necessário viver

meu olhar se tornou extenso

como o mundo

e eu senti a angústia inaudita dele

a consciencia do ser

a busca dos homens

,o mistério das coisas,

a opção dos caminhos....

\\

Bebi nas tavernas ardentes,

sorri até sorrisos sem dentes...

\\

Amei :Busquei nos sonhos

seres de ardentes faces, loiras fadas,

sereias míticas,seres semiangélicos

e venus morenas...

Ahh cantilenas em ânsias ciclicas

em nada serenas...

\\

Um dia encontrei a vida

inventada no azul

e trazida ate aqui

no fervilhar do Anima Deum na Terra

\\

singrando eras e eras

em evolver de evoluções

- tempo dilatado -q

ue tudo encerra :

em akásicos arquivos

no fluir e caminhar de mim..

\\

Nu nasci por entre sangue

o Tempo e a eternidade desse fluido

a grandeza e a miséria da materialidade

,a hediondez de ttas vidas sujas de sangue

em injustiças homéricas de plural clicotímica escravidão...

\\


Mas eu sonhei de que a vida era azul

E que um dia dormiríamos libertos e desprendidos

e que acordaríamos enfim

retornados à anjos

(....Ohh mistério misterium inauditum....!!!! )


Oxalá Quiçá Porventura

Que seja assim,

Em ventura e aventura

O acercar-se do Mistério Final. YAN Ayrton. BH <>

PS: Todos vcs amigos e amigas q me visitam e me convivem eu os estimo a todos e os tenho bem dentro de mim!!! Vcs todos signifikam muito...CADA UM DE VCS EH ESPECIAL E SINGULAR....Yan Ayrton ...

Yan Ayrton

ANTERO DE QUENTAL Poeta: 1842 - 1891
SÓ MALES SÃO REAIS, SÓ DOR EXISTE. PRAZERES, SÓ OS GERA A FANTASIA..

QUANDO TUDO ACONTECEU...

1842: Em Ponta Delgada, a 18 de Abril, nasce Antero Tarquínio de Quental.

A 2 de Maio é baptizado na Igreja Matriz de S. Sebastião de Ponta Delgada.

- 1847: Começa a aprender francês com António Feliciano de Castilho que vive nessa altura na capital açoriana. - 1852: Em Agosto vem com sua mãe para Lisboa, matriculando-se no Colégio do Pórtico, do qual Castilho é director. - 1853: Antero regressa a Ponta Delgada onde em 7 de Julho de 1855 concluirá a Instrução Primária. Em 20 de Outubro desse mesmo ano volta a Lisboa onde frequenta o colégio Escola Académica. - 1856: Inscreve-se como aluno interno no Colégio de S. Bento, em Coimbra. Escreve os primeiros versos que lhe são conhecidos numa carta enviada a seu irmão André. - 1858: Após algum tempo de estudo em Lisboa, com a ajuda de seu tio paterno Filipe de Quental, lente de Medicina, conclui os estudos preparatórios para o ingresso na Universidade de Coimbra, onde se matricula no 1º ano de Direito em 28 de Setembro, sendo admitido a 2 de Outubro. - 1859: Em Abril é condenado pelo Conselho de Decanos a oito dias de prisão por, com outros estudantes, ter tomado parte num acto praxístico - armado de um cacete e com o rosto coberto, «dando grau a caloiros e cortando-lhes o cabelo». Em 24 de Maio é aprovado no acto do 1º ano de Direito. Em Setembro matricula-se no 2º ano de Direito. - 1860: Mora no Largo da Sé Velha, ficando também por vezes em casa de seu tio Filipe de Quental, na Travessa da Couraça. Em Janeiro publica nos Prelúdios Literários «Na Sentida Morte do Meu Condiscípulo Martinho José Raposo». Em Janeiro, Fevereiro, Novembro e Dezembro, também nos Prelúdios, publica «Leituras Populares». Em Março, com Alberto Sampaio, Alberto Teles e outros, dirige o jornal O Académico - Publicação Mensal, Científica e Literária. - 1861: Em Abril participa na fundação da Sociedade do Raio, uma sociedade secreta que se caracteriza por lançar desafios blasfemos a Deus durante a ocorrência de trovoadas. Em O Fósforo, publica um artigo sobre João de Deus: «A Propósito de um Poeta». Em Outubro matricula-se no 4º ano. - 1862: Em 21 de Outubro saúda, em nome da Academia, o príncipe Humberto de Sabóia. - 1863: Em 22 de Julho faz exame e passa para o 5º ano. - 1864: Em 2 de Julho conclui o curso de Direito. 1866: Em Janeiro tenta alistar-se no exército de Garibaldi. - 1867: Em 19 de Agosto embarca para Ponta Delgada. - 1868: Em 31 de Outubro regressa a Lisboa. 1869: Em Julho embarca para os Estados Unidos. - 1871: Em 22 de Maio as Conferências são inauguradas. - 1874: Adoece gravemente em Ponta Delgada. - 1876: Em Maio desloca-se a Ponta Delgada, regressando em Julho a Lisboa. - 1877: No início de Julho faz uma viagem a Paris, onde consulta o Dr. Charcot. - 1878: Entre Fevereiro e Junho hospeda-se em casa de Oliveira Martins, no Porto. - 1880: Em fins de Maio, numa carta a Alberto Sampaio inclui o soneto «Estoicismo». - 1882: Em Maio escreve os sonetos «Na Mão de Deus» e «Evolução». - 1883: Em Maio escreve o soneto «Voz Interior». - 1884: No Palácio de Cristal, no Porto, encontra-se com Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão. Tiram a fotografia do «grupo dos cinco». - 1885: Encontra-se Com Carolina Michaëlis. - 1886: Perto do fim do ano recebe a primeira carta de Wilhelm Storck com sonetos seus traduzidos para o alemão. - 1887: Em 8 de Maio desloca-se a Ponta Delgada. - 1888: Pensa candidatar-se a uma cadeira da projectada Escola Normal Superior. - 1889: Columbano pinta-lhe o retrato que se conserva no Museu do Chiado. - 1890: Em 11 de Janeiro - Ultimato inglês. - 1891: Jantar de despedida, oferecido pelos Vencidos da Vida no Tavares.

Em 5 de Junho parte para Ponta Delgada.

No dia 11 de Setembro compra um revólver e, às 20 horas, no lado norte do Campo de S. Francisco, suicida-se com dois tiros.

DE TUDO, O PIOR MAL É TER NASCIDO ( ANTERO DE QUENTAL )

É um dia húmido de Novembro. São Miguel está, como quase sempre, sob uma espessa camada de nuvens. Azorian torpor é como os ingleses chamam a esta atmosfera opressiva, obsidiante, que não só atormenta o corpo como parece infiltrar-se e assediar a mente. Na baixa de Ponta Delgada, ao lado da Tabacaria Açoriana, fica a loja de quinquilharias de Benjamim Ferin. Antero entra na loja e cumprimenta o empregado. Está calmo, tranquilo. Pergunta se tem revólveres à venda. O empregado olha-o surpreendido. Antero, sorri:
- Sabe, vou morar para um local longe de vizinhança. Com os ratoneiros que andam por aí, é bom estar prevenido.
- Sem dúvida, senhor doutor. É mais prudente estar prevenido.
E vai buscar as armas que tem para venda. Antero analisa-as uma a uma. Acaba por optar por um revólver Lefaucheux. O empregado ensina-o a carregá-lo.
- Nunca peguei numa arma de fogo...
O homem dá-lhe mais algumas explicações. Quando vai a retirar as balas do tambor, Antero diz-lhe:
- Não, não. Deixe-o assim, já pronto.
O homem obedece, mas avisa de que convém nunca esquecer que a arma está carregada, pronta a disparar. Às vezes há acidentes...
- Esteja descansado. Vou ter todo o cuidado.
Enquanto embrulha o revólver com sucessivas camadas de papel, o empregado pergunta:
- Ouvi contar que o senhor doutor ia para Lisboa?
- Pensei nisso, mas desisti, pois ultimamente tenho passado melhor.
- Ainda bem, senhor doutor. Ainda bem.
Antero tira da algibeira algumas libras que põe sobre o balcão:
- Faça o favor de se pagar. Eu nunca me habituei a fazer dedução de moeda fraca.
Antero sai. Os homens que estão à porta, saúdam-no respeitosamente.
Vai a casa de seu primo, Augusto de Arruda Quental. Quando entra coloca o embrulho sobre uma mesa e, por cima, põe o chapéu. Conversa tranquilamente com o primo. Falam de banalidades. O tempo, a política, coisas da família. Quando Antero se ergue para sair, o primo dá-lhe o chapéu e faz depois menção de lhe entregar também o embrulho. Antero quase grita:
- Não lhe pegues!
Despedem-se.
Metendo pela Rua de S. Brás, encaminha-se a passos lentos para o Campo de São Francisco, uma ampla praça pública de Ponta Delgada. Aí, senta-se num banco, junto do muro do convento da Esperança.. Nesse muro, por cima do banco, um dístico em pedra lavrada mostra a palavra esperança sobreposta a uma âncora. Antero sorri. Esperança e uma âncora que o segurem à vida, eis precisamente o que lhe falta. Olha o largo, com as suas árvores, com as suas simétricas placas redondas de relva, circundando o pequeno coreto implantado no centro. Há pouca gente. Uma senhora passa perto levando pelas mãos duas crianças. À memória ocorre-lhe a imagem de um menino passeando ali, pela mão de seu pai, muitos anos atrás. De tudo, o pior mal é ter nascido, pensa.

A REVELAÇÃO DE UM MUNDO NOVO E SUPERIOR

Nasci nesta ilha de São Miguel descendente de uma das mais antigas famílias dos seus colonizadores, dirá Antero numa carta autobiográfica. Seu pai, Fernando de Quental foi um dos 7500 liberais que, em 1832, desembarcaram no Mindelo, a norte do Porto e contribuíram para implantar o regime constitucional. O avô paterno, André da Ponte Quental da Câmara e Sousa, destacara-se também pelas suas convicções liberais. Fora amigo de Bocage e com ele partilhara o cárcere. Militara depois na guerrilha contra os invasores franceses. Será, em 1822, signatário da Constituição, como deputado por São Miguel. A mãe de Antero, Ana Guilhermina da Maia, deu-lhe uma educação muito religiosa que irá contribuir para as suas reflexões místicas, mesmo depois de abandonar a religião. Aliás, uma das suas primeiras emoções intelectuais ocorre quando, em 1852, ouve ler a «Ode a Deus», de Alexandre Herculano:
Teria os meus dez anos, quando pela primeira vez, a ouvi recitar a um bom padre, que me ensinava rudimentos de gramática latina. Não ouso dizer que tivesse entendido. E, no entanto, profunda foi a impressão que recebi, como a revelação dum mundo novo e superior, a revelação do ideal religioso. Escapava-me o sentido de muitos conceitos, a significação de muitas palavras: mas, pelo tom geral de sublimidade, pela tensão constante de um sentimento grande e simples, aqueles versos revolviam-me, traziam-se lágrimas aos olhos, como se me introduzissem, embalado numa onda de poderosa harmonia, na região das coisas transcendentes...[i]
Em 1847 aprende francês com António Feliciano de Castilho, o poeta cego, figura de proa do romantismo, que, entre esse ano e 1850, reside em Ponta Delgada, provocando uma autêntica revolução cultural entre a sociedade da cidade. L'Ami des Enfants, de Bergier, é o livro de leitura de Antero. Em 1849, compra A Felicidade pela Agricultura, de Castilho, um dos primeiros livros da sua biblioteca. Frequenta o Liceu Açoriano, uma escola particular. Em 1850, recebe lições de inglês com Mr. Rendall. Em Agosto de 1852 vem para Lisboa com sua mãe onde frequenta o Colégio do Pórtico, de que é director o seu já conhecido Castilho. Mais tarde, escreverá ao seu velho mestre: V.Ex.a. aturou-me em tempos no seu Colégio do Pórtico, tinha eu ainda dez anos, e confesso que devo à sua muita paciência o pouco francês que ainda hoje sei. [ii] No ano seguinte, regressa a Ponta Delgada com seu pai e ali, em 1855, concluirá os estudos primários no Liceu da cidade. Em Outubro, de novo em Lisboa, estuda na Escola Académica. Em 1856, é aluno interno no Colégio de S. Bento, em Coimbra, junto aos arcos do Jardim Botânico. Até 1858, concluirá os estudos preparatórios para o ingresso na Universidade de Coimbra. Escreve os primeiros versos. Em Setembro matricula-se no primeiro ano do curso de Direito.

COIMBRA: A REVOLUÇÃO INTELECTUAL E MORAL

O facto mais importante da minha vida durante aqueles anos, e provavelmente o mais decisivo dela, foi a espécie de revolução intelectual e moral que em mim se deu, ao sair, pobre criança arrancada ao viver quase patriarcal de uma província remota e imersa no seu plácido sono histórico, para o meio da irrespeitosa agitação intelectual de um centro, onde mais ou menos vinham repercutir-se as encontradas correntes do espírito moderno. Varrida num instante toda a minha educação católica e tradicional, caí num estado de dúvida e incerteza, tanto mais pungentes quanto, espírito naturalmente religioso, tinha nascido para crer placidamente e obedecer sem esforço a uma regra reconhecida. Achei-me sem direcção, estado terrível de espírito, partilhado mais ou menos por quase todos os da minha geração, a primeira em Portugal que saiu decididamente e conscientemente da velha estrada da tradição. Se a isto se juntar a imaginação ardente, com que em excesso me dotara a natureza, o acordar das paixões amorosas próprias da primeira mocidade, a turbulência e a petulância, os fogachos e os abatimentos de um temperamento meridional, muito boa fé e boa vontade, mas muita falta de paciência e método, ficará feito o quadro das qualidades com que, aos dezoito anos penetrei no grande mundo do pensamento e da poesia.
Antero não é um estudante brilhante, mas vai avançando no seu curso, que terminará no ano lectivo de 1863-64. Entretanto, irá conhecendo os irmãos José e Alberto Sampaio, António de Azevedo, Germano Meireles, cuja amizade o acompanhará toda a vida. É deste período que datam os poemas que irá reunir em Primaveras Românticas, «Versos dos vinte anos», como lhes chamará em subtítulo:
Somente amor... Somente?! é pouco esta palavra?Duas sílabas só - em pouco um mundo está – Loucos! mas, quando o amor se expande, e cresce, e lavra, Bem como incêndio a arder, tão pouco inda será?
Em Maio de 1862, recita no Teatro Académico, perante Castilho, as estrofes «À História» com que iniciará a 1ª edição das Odes Modernas. Castilho diz a Filipe de Quental, lente de Medicina e tio de Antero: «Seu sobrinho é um poeta de génio».
Finalmente, em 2 de Julho de 1864, conclui a formatura: A Fatalidade que me persegue com tenacidade verdadeiramente paternal, não me quis poupar - não quis deixar sem coroa este templo de sandice e ridículo chamado formatura; não lhe tremeu a mão adunca e férrea escrevendo no livro-caixa do Fado esta sibilina palavra BACHAREL!!! E sou Bacharel!!! E Bacharel nemine-discrepante!! E não houve um R justiceiro, um R honesto e conscencioso que protestasse, levantando no ar com terrível assovio, o seu rabo de serpente, não houve R - um só - que protestasse contra essa sentença fatal, que assim condena um inocente cábula a arrastar perpetuamente, qual rocha de sísifo, essa grilheta de uma carta de Bacharel em Direito!! Nemine-Discrepante!!!
Sabeis vós o que é um nemine discrepante? É trocar a sua coroa de poeta, pelo círculo de sebo da borla doutoral dum Neiva! É ler no horizonte da vida, em vez do poema de oiro das aspirações embalsamadas, a letra gorda e enchundeada duma sempiterna Sebenal!! É escambar (!) a púrpura brilhante das aspirações sublimes, pela albarda, vermelha da vermelhidão das digestões felizes, o capelo de Doutor! É ter por alma um sofisma, por vida um à-contrário-sensu, por templo santo a audiência, por culto a Deus e tudo a Ordenação do Reino!! Este trecho duma meditação que actualmente componho em estilo Oriente, e em que trabalho debaixo da salutar influência da sombra do Neiva, vos dará ideia do estado moral do vosso Antero (o BacharelEm 1865, depois de uma viagem a São Miguel, Antero regressa a Coimbra. Em Setembro desse ano, Castilho escreve ao editor António Maria Pereira uma carta, que será publicada como posfácio do Poema da Mocidade, de Pinheiro Chagas. Nela, o velho poeta discute poemas de Antero de Quental, Teófilo Braga e Vieira de Castro, ironizando particularmente sobre as Odes Modernas e sobre dois poemas de Epopeia da Humanidade, de Teófilo Braga. Antero resolve descer à liça e contestar ao seu velho mestre o direito de se arvorar em árbitro das letras nacionais - faz publicar uma carta-aberta a Castilho, Bom-senso e Bom-gosto, onde, exaltadamente, se insurge contra o desdém de Castilho relativamente à nova geração de poetas. E desencadeia-se a que é talvez a mais famosa polémica literária portuguesa, conhecida por Questão Coimbrã ou Questão do Bom Senso e Bom Gosto: A famosa Questão Literária ou Questão de Coimbra, que durante mais de seis meses agitou o nosso pequeno mundo literário e foi o ponto de partida da actual evolução da literatura portuguesa. Os novos datam todos de então. O Hegelianismo dos coimbrões fez explosão. O velho Castilho, o Arcade póstumo, como então lhe chamara, viu a geração nova insurgir-se contra a sua chefatura anacrónica. Houve em tudo isto muita irreverência e muito excesso, mas é certo que Castilho, artista primoroso mas totalmente destituído de ideia, não podia presidir, como pretendia, a uma geração ardente que surgia, e antes de tudo aspirava a uma nova direcção, a orientar-se como depois se disse, nas correntes do espírito da época. Havia na mocidade uma grande fermentação intelectual, confusa, desordenada, mas fecunda. Castilho, que a não compreendia, julgou poder suprimi-la com processos de velho pedagogo. [iv]
Em Dezembro, Antero publica ainda um folheto sobre o mesmo tema, A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, texto doutrinariamente mais denso do que a carta, e no qual responsabiliza a literatura pelo destino do povo português.
É neste conturbado período que pensa alistar-se no exército de Garibaldi. Desafia o seu amigo António de Azevedo Castelo-Branco: Tens naturalmente lido os jornais. Sabes do que vai por Itália e dos alistamentos de voluntários Garibaldinos. Creio ser para nós uma boa ocasião de sairmos do absurdo sopa-vaca e arroz da vida ordinária. Queres ir? Un bel morir tutta la vita onora... [v]
No início de 1866, Ramalho Ortigão sai em defesa de Castilho com o folheto A Literatura de Hoje. Acusa Antero de cobardia, pois este invocara como argumentos a velhice e a cegueira do poeta: O caso era cómico e não trágico. Ramalho Ortigão escreveu insolências bastante indignas a meu respeito num folheto a propósito da sempiterna questão Castilho. Eu vim ao Porto para lhe dar porrada. Encontrei, porém, o Camilo o qual me disse que adivinhava o motivo da viagem e que antes das vias de facto, ele iria falar com o homem para ele dar satisfação. Aceitei. A explicação, porém, do dito homem pareceu-me insuficiente e dispunha-me a correr as eventualidades da bofetada quando me veio dizer o Camilo que o homem se louvava em C.J.Vieira e Antero Albano com plenos poderes de decidir a coisa e que fizesse eu o mesmo em dois amigos meus; na certeza de que uns e outros seriam considerados padrinhos de um duelo (!) no caso de se não entenderem a bem... Que can-can! [vi] No duelo, em 4 de Fevereiro, logo no primeiro assalto, Antero fere Ramalho num braço. A luta termina, as honras estão lavadas. Os dois escritores reconciliam-se. Diz Camilo: Em 1866 na belicosa cidade do Porto, defrontaram-se de espada nua dois escritores portugueses de muitas excelências literárias e grande pundonor. Correu algum sangue. Deu-se por entretida a curiosidade pública e satisfeita a honra convencional dos combatentes. Alguns dias volvidos ia eu de passeio na estrada de Braga e levava comigo a honrosa companhia de um cavalheiro que lustra entre os mais grados das províncias do Norte. No sítio da Mãe-de-Água apontei a direcção de um plano encoberto pelos pinhais e disse ao meu companheiro: Foi ali que há dias a «Crítica Portuguesa» esgrimiu com o «Ideal Alemão»! [vii]

DESASSOSSEGO
No mês seguinte, em 15 de Março, embarca no vapor Leal para São Miguel. Está inquieto: Estou efectivamente desassossegado e muito; mas como não estar? Cada vez mais o falso da minha posição nesta terra lusitana. Não me entendo com os homens e com as coisas; apenas com o céu e com os montes, mas isto não é suficiente. [viii] Para onde irei? Ignoro; talvez daqui até lá, indague dum emprego para a Índia, para Goa ou Macau, países onde a vida moderna não deve ostentar-se em muito excessivo luxo de seu vermelho sangue burguês e gordura de banalidade, como acontece nesta Europa soesmente comodista, esta Cartago sem Moloch - mas com muitos mercenários. [ix] Tenho pena de não ter achado aqui o silêncio e a despreocupação que esperava e ansiava... Se eu tivesse achado um ermitério de S. Columbano, uma ilha - no mar - ah! mas bem no mar! Assim o julguei e desejo ainda. [x]
Em 1 de Junho regressa a Lisboa. Vai residir na Travessa de Santo António, à Alegria. Nesse Verão, resolve ir trabalhar como tipógrafo para a Imprensa Nacional: Há oito dias que entrei para a Imprensa Nacional e como me sinto cada vez mais resolvido a continuar neste caminho (que, quando não tivesse mais razões por si, tinha esta triunfante de ser único).[xi]
Mas, afinal, havia outros caminhos. Antero resolve ir fazer uma «experiência proletária» em Paris. A experiência esgota-se em Janeiro e Fevereiro de 1867. Matricula-se no Colégio de França. Mas em breve se satura de Paris: Se pudesse saía amanhã mesmo de Paris. Que me importa a Exposição? Assistir às grandes loucuras do século, faz bem a alguém, enche a vida? Não! Antes de ontem saí no meio de um curso no Colégio de França. [xii]
O seu estado de saúde obriga-o a vir a Portugal descansar durante três meses. No final da Primavera volta a Paris. Visita Michelet a quem oferece um exemplar das Odes Modernas.
Regressa a Portugal e, em 14 de Agosto, embarca no lugre Gil para Ponta Delgada. Na Primavera acalenta mais um projecto guerreiro: A vida activa também me seduz a mim, e muito. É mesmo nesse sentido que pude formar o único plano resistente e que dura há meses já. Por ser extravagante nem por isso deixa de ser óptimo. É ir assentar praça de voluntário nos Zuavos Pontifícios, em Roma. (...) Que humorismo profundo em todos os contrastes de uma tal vida! Ateus a manterem guarda ao Vaticano! Socialistas a defenderem o poder temporal do Papa! [xiii]
Permanece em São Miguel até Outubro. Quando regressa a Lisboa, triunfa em Espanha a revolução. É contactado por revolucionários espanhóis que o aliciam para a causa do iberismo. Projecta ir trabalhar num jornal em Madrid. Em Novembro publica: Portugal Perante a Revolução de Espanha - Considerações sobre o Futuro da Política Portuguesa no Ponto de Vista da Democracia Ibérica. Em Julho de 1869 faz uma viagem aos Estados Unidos no barco de um amigo. A confederação federalista entusiasma-o, como possível modelo para a confederação iberista. Visita Halifax e Nova Iorque, onde estuda as questões sociais relacionadas com o proletariado norte-americano. Regressa em Novembro. Essa viagem é descrita por António Arroio no folheto A Viagem de Antero do Quental à América do Norte.

SE EM PORTUGAL HOUVESSE OITO OU DEZ OLIVEIRA MARTINS...

Em Novembro de 1869, na Travessa do Guarda-Mor, em Lisboa, constitui-se o Cenáculo, grupo de intelectuais de que fazem parte, além de Antero, Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Anselmo de Andrade, Carlos Mayer, João de Deus, Manuel de Arriaga, Salomão Saragga, Santos Valente, Alberto Teles, Lobo de Moura, Augusto Fuschini, Mariano e Francisco Machado de Faria e Maia, António e Augusto Machado, José Tedeschi, etc. Está agora a residir em S. Pedro de Alcântara. Uma paixão amorosa frustrada, leva-o a procurar fora da capital alguma tranquilidade. É numa das suas deambulações que visita, em Outubro, Oliveira Martins, que está como engenheiro de minas em Santa Eufemia, em Espanha. O encontro com o autor de História da Civilização Ibérica, provoca-lhe uma profunda impressão: Se Portugal de hoje, assim como produziu um homem daqueles, tivesse produzido oito ou dez, ainda se salvava. Verdade é que, se Portugal, nesta geração, tivesse tido forças para produzir oito ou dez homens como Oliveira Martins, não precisava de quem o salvasse, porque esse facto só por si era o indício da força e fecundidade de espírito nacional, da sua vitalidade e saúde perfeita.[xiv]
Estuda alemão até conseguir ler na língua original Goethe, Heine e outros autores germânicos: Traduzo o Fausto de Goethe, do alemão para versos portugueses, coisa que muito me distrai.[xv] Mas o tédio e o desassossego, a doença, não o abandonam. No começo de 1871 escreve a um amigo de São Miguel: De plano em plano, e de desejo em desejo, vou descendo lentamente a espiral dos desenganos.

AS CONFERÊNCIAS DO CASINO

Em 1871, a 22 de Maio, são abertas as Conferências do Casino, que o grupo do Cenáculo, orientado por Antero, promovem. Anima-as um substracto republicano, iberista, realista, proudhoniano. Realizam-se no Casino Lisbonense e Antero pronuncia a conferência e uma outra, no dia 27: Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos. Eça de Queirós desenvolve o tema O Realismo como Nova Expressão de Arte. Salomão Sáragga, especialista em hebraísmo, quando se preparava para proferir a sua lição sobre Os Historiadores Críticos de Jesus, o governo manda, em 26 de Junho, encerrar as Conferências, alegando que constituem uma ofensa à religião e às instituições do Estado. Os protestos irrompem de diversos sectores. Antero escreve e publica, em 30 de Junho, ao presidente do Conselho de Ministros: A Portaria com que V.Ex.a. mandou fechar a sala das Conferências Democráticas, é um acto não só contrário à lei e ao espírito da época, mas sobretudo atentório da liberdade do pensamento, da liberdade da palavra, e da palavra de reunião, isto é, daqueles sagrados direitos sem os quais não há sociedade humana, verdadeira sociedade humana, no sentido ideal, justo, eterno da palavra. Pode haver sem eles aglomeração de corpos inertes: não há associação de consciências livres. Ex.mo. Sr.: nem eu nem V.Ex.a. passaremos à história: e muito menos as ineptas portarias que V.Ex.a. faz assinar a um rei sonâmbulo. Mas supondo por um momento que alguma destas coisas possa passar ao século XX, folgo de deixar aos vindouros com este escrito a certeza duma coisa: que em 1871 houve em Portugal um ministro que fez uma acção má e tola, e um homem que teve a franqueza caridosa de lho dizer. [xvi]
Inclusivamente, Alexandre Herculano, liberal católico, com a sua inquestionável autoridade, vem associar-se aos protestos. O governo cai.
Em Fevereiro de 1872, publica Primaveras Românticas: As Primaveras Românticas contêm os meus Juvenilia, as poesias de amor e fantasia, compostas na sua quase totalidade, entre 1860 e 65, que andavam dispersas por várias publicações periódicas e que só em 72 reuni em volume juntamente com mais alguma coisa do mesmo carácter e estilo. Mora agora na Rua dos Douradores. Em 7 de Março de 1873 morre seu pai e Antero torna-se proprietário rural. Mantém, com Oliveira Martins, uma polémica sobre o papel progressivo que o Cristianismo e a Idade Média terão tido como transição transcendalista necessária entre o «naturalismo» helénico e o seu ideal imanentista. Projecta a constituição de um novo partido, a União Democrática: Assentámos pois em nos constituirmos como partido fechado, com programa definido e gente escolhida, reservando-nos a liberdade de, em dados casos, nos aliarmos com este ou com aquele dos partidos republicanos e radical que estão em vias de formação. (...) O que é necessário é criar um elemento revolucionário sério, fora do exclusivo movimento operário, estreito, sem capacidade de converter ninguém, além de ser assustador para a massa burguesa. [xvii]

A bela luz da vida, ampla infinita, só vê com tédio, em tudo quanto fita, a ilusão e o vazio universais

Faz diversas viagens aos Açores. Em Julho vai a Angra do Heroísmo para consultar um médico homeopata. Em Setembro regressa a Lisboa e consulta dois médicos: Sousa Martins e Curry Cabral. Diz numa carta a um amigo: Em 1874 adoeci gravissimamente, com uma doença nervosa de que nunca mais pude restabelecer-me completamente. A forçada inacção, a perspectiva da morte vizinha, a ruína de muitos projectos ambiciosos e uma certa acuidade de sentimentos, própria da nevrose, puseram-me novamente e mais imperiosamente do que nunca, em face do grande problema da existência. A minha antiga vida pareceu-me vã e a existência em geral incompreensível.
No entanto, vai trabalhando nos seus sonetos. Em Maio de 1875, publica a 2ª edição de Odes Modernas, com algumas composições inéditas. Em 1876, toma contacto com a filosofia pessimista do inconsciente panteísta de Karl-Robert-Eduard von Hartmann, que muito o irá influenciar. Depois de aspirar ao Nirvana budista, procura uma consolação através da filosofia estóica: Abençoada doença se fizer de mim o homem impassível dos Estóicos, o santo de Marco Aurélio. Não digo isto brincando, e para mim, o livro das Máximas de Epicteto é um dos livros mais sérios que têm sido escritos. (...) A Fé não é só património do cristão; há também a Fé da Filosofia idealista, que pelos menos é tão boa. [xviii]
Em 28 de Novembro, sua mãe morre: Acabo de receber um dos maiores golpes que podia receber. Morreu minha Mãe. V. sabe o que é ser filósofo, mas sabe também o que é ser filho. Diga-me duas palavras das suas, fortes e boas. Eu sei o que há a dizer a mim mesmo, mas far-me-á bem que mo diga V. Eu estou muito sereno e conformado e aplicando à minha situação os dogmas da nossa comum religião. Mas isto não impede que esteja triste. [xix]
Em 1877, vai a Paris consultar Charcot e tenta uma cura hidroterápica em Bellevue. Aqui, apaixona-se por uma aristocrata francesa. O fracasso amoroso quase o leva ao suicídio. No ano seguinte tenta uma nova cura em Bellevue, mas sem sucesso. Em Fevereiro de 1878, envia a Batalha Reis o seu soneto «Nirvana», que dedicará a Guerra Junqueiro:
Para além do Universo luminoso Cheio de formas, de rumor, de lida, De forças, de desejos e de vida, Abre-se como um vácuo tenebroso. A onda desse mar tumultuoso Vem ali expirar, esmaecida... Numa imobilidade indefinida Termina aí o ser, inerte, ocioso... E quando o pensamento, assim absorto, Emerge a custo desse mundo morto E torna a olhar as coisas naturais, A bela luz da vida, ampla, infinita, Só vê com tédio, em tudo quanto fita, A ilusão e o vazio universais.
Em 1878 é convidado a candidatar-se como deputado republicano socialista pelo círculo de Alcântara. Recusa: Saberás que vim encontrar aqui a minha candidatura pelo círculo de Alcântara, lançada por uns centros republicanos que não sei bem o que são. Hoje vieram uns oficiosos falar-me nisso: declarei recusar tal candidatura e ameacei-os com uma recusa pública nos jornais se insistirem. Eis o que é a popularidade! Estou mais do que farto de representar este ridículo papel de mito e il faut que ça finisse. [xx]
A doença não o abandona. Volta a consultar Sousa Martins: Eu vou indo, não já tão bem como quando cheguei, mas não inteiramente mal. O Sousa Martins ouviu-me, apalpou-me e concluiu que nada podia concluir e que isto lhe parecia mais complicado do que julgara a princípio. [xxi]

O CENTENÁRIO DE CAMÕES

"O nosso Antero ressurgiu para a vida activa através da filosofia" - diz Eça de Queirós. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a
Tábua Cronológica.

Em 1880 instala-se em Lisboa e adopta as duas filhas do seu amigo íntimo, Germano Meireles, que falecera em Dezembro de 1877. Albertina e Beatriz e a mãe passam a viver com Antero. Instala-se na Calçada de Santa Ana: Fui tão feliz que ontem mesmo achei casa que me convém e a aluguei. É aqui mesmo ao lado da minha irmã, um 3º andar claro e bem arejado. Agora vou tratar de o montar, como aqui se diz, o que ainda levará algum tempo, porque eu faço tudo lentamente e tenho de comprar, a bem dizer, tudo.[xxii]
Preparam-se as comemorações do 3º Centenário da morte de Camões. Antero escreve um violento artigo contra o aproveitamento político da efeméride («Centenários e Centenaristas»). Depois destrói-o. Mas, em cartas, comenta: Esquecia-me dizer-lhe que a grande comissão dos literatos, depois de grave meditar, resolveu celebrar o centenário com uma procissão! Isto é curioso, até no ponto de vista biológico, porque mostra o poder do atavismo. Aos netos dos frades que lhes há-de lembrar senão procissões? A ideia, dizem, partiu do Ramalho, que a apresentou naturalmente como toda moderna e positiva. Notável caso de «regressão morfológica!» O Ramalho, cuidando ir adiante do século, reproduz simplesmente o avô, que era da Ordem dos Terceiros! [xxiii]
A burguesia portuguesa pode por ostentação, levantar uma estátua a Luís de Camões, mas o povo português, esse não sabe soletrar o título do poema que o poeta consagrou às suas glórias .[xxiv]
No primeiro trimestre de 1881, publica-se no Porto uma colectânea com 28 sonetos de Antero, coligidos por Joaquim de Araújo: A edição dos Sonetos pareceu-nos muito bem e o melhor possível. Elegante e fina sem pretensão. Digo nós, porque esta foi também a opinião do João a quem mandei um exemplar. [xxv]
Em Setembro desse ano vai, com as suas pupilas, viver para Vila do Conde: Fixei actualmente a minha residência em Vila do Conde, terrazinha antiga, plácida e campestre, muito ao sabor dos meus humores de solitário. Vivo aqui como um verdadeiro ermita. [xxvi]
Eu aqui consigo fazer uma coisa rara, prodigiosa: dormir. Faço-o como se fosse a coisa mais natural deste mundo! Veja se não hei-de considerar esta terra, além de maravilhosa, salvadora. [xxvii]
«Chegando ao Porto», diz Eça de Queirós, «e correndo com Oliveira Martins a Vila do Conde, avistei na estação um Antero gordo, róseo, reflorido, com as lapelas do casaco de alpaca atiradas para trás galhardamente, e meneando na mão a grossa bengala da Índia que em Lisboa eu lhe dera para amparar a tristeza e a fadiga.» [xxviii]
Aliás, os quase dez anos que Antero irá viver em Vila do Conde, com pequenos intervalos nos Açores e em Lisboa, serão talvez os mais plácidos ou, se se preferir, os menos atormentados da sua vida: Aqui as praias são amplas e belas, e por elas me passeio ou me estendo ao sol com a voluptuosidade que só conhecem os poetas e os lagartos adoradores da luz. [xxix]
Em Agosto de 1882, escreve a sua irmã: Vai vagar a Comarca da Póvoa do Varzim, e o Lobo de Moura pretende ser para ali transferido. Imagina como vai ser bom para mim ficarmos assim vizinhos. Com o Lobo de Moura na Póvoa, o Oliveira Martins no Porto e o Alberto Sampaio em Famalicão, fico literalmente rodeado de amigos. [xxx]
Em 1884, confidencia a Joaquim de Araújo: A minha vida ocorre sem incidentes, quer internos, quer externos. Tenho envelhecido voluntariamente, o que é uma grande coisa. V. fala-me de desilusões. Doa-se, como é natural, mas não as maldiga. As desilusões são a sabedoria que vem ter connosco disfarçada em carrasco. Mais tarde é que se conhece isso. [xxxi]
Em 1885, apoia a adesão de Oliveira Martins ao Partido Progressista (monárquico). Em Março escreve os seus dois últimos sonetos, «Com a Morte» e «O Que Diz a Morte».
Em meados do ano, a mãe das suas protegidas morre, e Antero interna-as no Colégio das Doroteias, no Porto.
Em 1886 são publicados os Sonetos Completos, coligidos e prefaciados por Oliveira Martins. Antero evolui agora de mais uma fase pessimista para um misticismo que explica no folheto «A Filosofia da Natureza» dos Naturalistas: Entro agora numa fase nova, e tenho jurado consagrar-me daqui em diante, todo e exclusivamente, ao trabalho de coordenação definitiva das minhas ideias filosóficas e, se tanto puder, à exposição metódica e rigorosa das mesmas. [xxxii]
Em Março de 1887, vai novamente aos Açores: Tive um certo prazer em tornar a ver a minha terra, ainda que não sei porquê, e talvez só por instinto, pois deve haver uma relação profunda entre o homem e a terra em que nasceu e se criou. [xxxiii] (...) Tem-me agradado esta terra e foi até com certo prazer que ontem me achei a passear no campo de S. Francisco. [xxxiv] É durante esta breve estada que tira, no fotógrafo Raposo, da Rua da Esperança, em Ponta Delgada a sua fotografia preferida: Aí te envio um exemplar da única boa fotografia que tenho... Preferiria não andar gravado nos papéis. Mas, uma vez que já não o posso evitar, aí vai ao menos uma efígie autêntica. [xxxv] Em Outubro regressa a Vila do Conde. É publicada a tradução alemã dos Sonetos.
Em 1889, Columbano Bordalo Pinheiro pinta-lhe o retrato que faz parte da colecção do Museu do Chiado. Diz Columbano: «...Estou a vê-lo com os seus olhos muito azuis e as barbas loiras. Vestia bem, sem afectação e sobriamente... Era calmo, delicado, afável, nenhuma tragédia transparecia na sua maneira quase alegre». Diz Antero: Está muito bem como pintura, mas idealizado, como todas as composições desse pintor neo-vellazquiano, no sentido do fantástico e do tenebroso. [xxxvi]
Começa a escrever o texto filosófico destinado à Revista de Portugal, dirigida por Eça de Queirós: Para mostrar o meu afecto ao nosso Queirós, comecei a escrever com destino à Revista, um artigo sobre as tendências gerais da filosofia na actualidade, coisa sumária; mas o assunto apossou-se de mim, passou a ser quase outra coisa o trabalho, e no fim de três meses acho-me tendo produzido um estudo, que na Revista dará três ou quatro artigos, e que depois, ampliado, será um livro. [xxxvii] Sobre o assunto, diz Eça de Queirós: «Como sabes, o nosso Antero ressurgiu para a vida activa, através da filosofia. Temos dele um primeiro artigo neste número da Revista - que sairá, não sei quando, mas ainda neste século. É extraordinário. Está todo o original na imprensa desde o fim do mês passado!» [xxxviii]
Em 1890, em face da violenta reacção nacional ao humilhante Ultimato inglês de 11 de Janeiro, Antero aceita a presidência da Liga Patriótica do Norte, com existência efémera: Declamar contra a Inglaterra é fácil, emendarmos os gravíssimos defeitos da nossa vida nacional será mais difícil, mas só essa desforra será honrosa, só ela salvadora. Portugal ou se reformará política, intelectual e moralmente ou deixará de existir. Mas a reforma, para ser fecunda, deve partir de dentro e do mais fundo do nosso ser colectivo: deve ser antes de tudo, uma reforma dos sentimentos e dos costumes. [xxxix]
Em princípios de Maio de 1891, deixa Vila do Conde e vem instalar-se na casa de sua irmã Ana de Quental, em Lisboa. Os Vencidos da Vida oferecem-lhe um jantar de despedida no restaurante Tavares. A 5 de Junho, no vapor Açor, parte para Ponta Delgada, hospedando-se no Hotel Brown, alugando depois uma casa no lugar de S. Gonçalo, nos arredores de Ponta Delgada: Encontrei mais cedo do que supunha casa que me convém, estou-a arranjando e espero dentro de um mês ter tudo pronto para receber a minha gentinha. Minha irmã, a quem receitam ares pátrios, acompanha as pequenas e passará aqui dois ou três meses. É pois, como vê, oiro sobre azul. [xl]
Mas no fim de Agosto já diz: Começo a acreditar que não andei bem avisado em vir estabelecer-me em São Miguel. [xli]
É que a sua antiga doença tem vindo a agravar-se. Para piorar as coisas, tem uma desinteligência com sua irmã por causa das pupilas. No auge da discussão com Ana de Quental, Antero exclama: Isto ainda acaba com uma corda na garganta ou uma bala na cabeça! No dia 10 de Novembro vai entregar as duas jovens a uma família a quem confia a sua educação. As despedidas deixam-no vivamente emocionado, transtornado mesmo. No dia seguinte, é um dia húmido de Novembro. São Miguel está, como quase sempre, sob uma espessa camada de nuvens...

DESCANSA-SE!... SE NO TÉDIO DOLOROSO DE NÓS MESMOS ENCONTRAMOS A FORÇA PARA NOS SUMIRMOS

Ao som de dois tiros, acorrem militares do quartel de Caçadores 11. Caído de lado sobre o banco, com o rosto ensanguentado Antero agoniza. O Dr. Jacinto Júlio de Sousa, cirurgião-mor do regimento e o Dr. Mont'Alverne de Sequeira, reputado médico da cidade, chegam logo após. No hospital, situado ali mesmo na praça, tentam tudo para o salvar, mas após uma hora de horrorosa agonia que finaliza pelo derramamento cerebral, Antero morre. Descansa-se!... se no tédio doloroso de nós mesmos encontramos a força para nos sumirmos, diz Antero a Oliveira Martins e a Vasconcelos Abreu, poucos dias antes de partir de Lisboa para Ponta Delgada. No seu doloroso tédio, Antero de Quental encontra a força e o alento para fugir, para se sumir, para descansar enfim.

O QUE DIZ A MORTE

«Deixai-os vir a mim, os que lidaram;Deixai-os vir a mim, os que padecem;E os que cheios de mágoa e tédio encaramAs próprias obras vãs, de que escarnecem...
Em mim, os Sofrimentos que não saram,Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.As torrentes da Dor, que nunca param,Como num mar, em mim desaparecem.» -
Assim a Morte diz. Verbo velado,Silencioso intérprete sagradoDas coisas invisíveis, muda e fria,É, na sua mudez, mais retumbanteQue o clamoroso mar; mais rutilante, Na sua noite, do que a luz do dia.
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[i] Prefácio ao Tesouro Poético da Infância.
[ii] Bom-senso e Bom-gosto, 1865, Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho.
[iii] Carta a José e Alberto Sampaio, 1863.
[iv] Carta autobiográfica de Antero.
[v] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Dezembro de 1865.
[vi] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Janeiro de 1866.
[vii] Camilo Castelo Branco, in A Doida do Candal.
[viii] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Fevereiro de 1866.
[ix] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, 13 de Março de 1866.
[x] Carta a Germano Meireles, maio de 1866.
[xi] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Junho de 1866.
[xii] Carta a Alberto Sampaio, finais de Dezembro de 1866.
[xiii] Carta a Alberto Sampaio, Ponta Delgada, Verão de 1868.
[xiv] Carta a Carlos Cirino Machado, 15 de Dezembro de 1881.
[xv] Carta a Francisco Machado de Faria e Maia, princípios de 1871.
[xvi] Carta ao Marquês de Ávila e Bolama.
[xvii] Carta Oliveira Martins, inícios de 1873.
[xviii] Carta a Germano Meireles, finais de 1875.
[xix] Carta a Oliveira Martins, 28 de Novembro de 1876.
[xx] Carta a Alberto Sampaio, 10 de Outubro de 1878.
[xxi] Carta a Oliveira Martins, 17 de Outubro de 1878.
[xxii] Carta a Alberto Sampaio, Dezembro de 1879.
[xxiii] Carta a Oliveira Martins, Primavera de 1880.
[xxiv] in Portugal Perante a Revolução de Espanha, 1868.
[xxv] Carta a Joaquim de Araújo, 1881.
[xxvi] Carta a João Machado de Faria e Maia, Janeiro de 1882.
[xxvii] Carta a Jaime Batalha reis, finais de 1881.
[xxviii] Eça de Queirós, in Um Génio que era um Santo.
[xxix] Carta a João de Deus, 13 de Janeiro de 1882.
[xxx] Carta a Ana de Quental, 3 de Agosto de 1882.
[xxxi] Carta a Joaquim de Araújo, 11 de Outubro de 1884.
[xxxii] Carta a Carolina Michaëlis, 7 de Junho de 1886.
[xxxiii] Carta a Oliveira Martins, 15 de Março de 1887.
[xxxiv] Carta a Ana de Quental, 12 de Março de 1887.
[xxxv] Carta a Alberto Teles, Maio de 1890.
[xxxvi] Carta a Alberto Bessa, 8 de Maio de 1890.
[xxxvii] Carta a Oliveira Martins, finais de 1889.
[xxxviii] Carta de Eça de Queirós a Oliveira Martins, 28 de Janeiro de 1890.
[xxxix] in «Expiação», A Província, 26 de Janeiro de 1890.
[xl] Carta a Gustavo Barbosa, 30 de Junho de 1891.[xli] Carta a Joaquim de Araújo, 30 de Agosto de 1891.

Olavo Bilac

In Extremis

Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia Assim! De um sol assim! Tu, desgrenhada e fria, Fria! Postos nos meus os teus olhos molhados, E apertando nos teus os meus dedos gelados... E um dia assim! De um sol assim! E assim a esfera Toda azul, no esplendor do fim da primavera! Asas, tontas de luz, cortando o firmamento! Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo... E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! E este medo! Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte, A arredar-me de ti, cada vez mais a morte... Eu com o frio a crescer no coração, — tão cheio De ti, até no horror do verdadeiro anseio! Tu, vendo retorcer-se amarguradamente, A boca que beijava a tua boca ardente, A boca que foi tua! E eu morrendo! E eu morrendo, Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo Tão bela palpitar nos teus olhos, querida, A delícia da vida! A delícia da vida!

Olavo Bilac

Casimiro de Abreu

MEUS OITO ANOS

Oh! que saudades que tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueirasÀ sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!Como são belos os diasDo despontar da existência!- Respira a alma inocênciaComo perfumes a flor;O mar é - lago sereno,O céu - um manto azulado,O mundo - um sonho dourado,A vida - um hino d'amor!Que auroras, que sol, que vida,Que noites de melodiaNaquela doce alegria,Naquele ingênuo folgar!O céu bordado d'estrelas,A terra de aromas cheia,As ondas beijando a areiaE a lua beijando o mar!Oh! dias da minha infância!Oh! meu céu de primavera!Que doce a vida não eraNessa risonha manhã!Em vez das mágoas de agora,Eu tinha nessas delíciasDe minha mãe as caríciasE beijos de minha irmã!Livre filho das montanhas,Eu ia bem satisfeito,Da camisa aberto o peito,- Pés descalços, braços nus -Correndo pelas campinasÀ roda das cachoeiras,Atrás das asas ligeirasDas borboletas azuis!Naqueles tempos ditososIa colher as pitangas,Trepava a tirar as mangas,Brincava à beira do mar;Rezava às Ave-Marias,Achava o céu sempre lindo,Adormecia sorrindoE despertava a cantar!Oh! que saudades que tenhoDa aurora da minha vidaDa minha infância queridaQue os anos não trazem mais!- Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueirasÀ sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!
Casimiro de Abreu (Rio de Janeiro, 1839 -1860)

Terça-feira, 31 de Julho de 2007

A minha família poética.




Breve o dia Ricardo Reis

Breve o dia, breve o ano, breve tudo.

Não tarda nada sermos.

Isto, pensado, me de a mente absorve
Todos mais pensamentos.
O mesmo breve ser da mágoa pesa-me,

Que, inda que mágoa, é vida. Ricardo Reis
Ricardo Reis, pormenor do mural de Almada Negreiros
na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1958).

Leia ensaio sobre:"O Ano da Morte de Ricardo Reis" de José Saramago

Poemas dele que selecionei : ( clike em cima do nome do poema para le-lo )

A Abelha que voando
A Cada Qual
Acima da Verdade
A Flor que És
Aguardo
Aqui, dizeis, na cova a que me abeiro
Aqui, Neera, longe
Aqui, neste misérrimo desterro
Ao Longe
Aos Deuses
Antes de Nós
Anjos ou Deuses
A Palidez do Dia
Atrás Não Torna
A Nada Imploram
As Rosas
Azuis os Montes
Bocas Roxas
Breve o Dia
Cada Coisa
Cada dia sem gozo não foi teu
Cada Um
Como
Coroai-me
Cuidas, Índio
Da Lâmpada
Da Nossa Semelhança
De Apolo
De Novo Traz
Deixemos, Lídia
Dia Após Dia
Do que Quero
Domina ou Cala
Estás só. Ninguém o sabe.
Este Seu Escasso Campo
É tão Suave
Feliz Aquele
Felizes
Flores
Frutos
Gozo Sonhado
Inglória
Já Sobre a Fronte
Lenta, Descansa
Lídia
Melhor Destino
Mestre
Meu Gesto
Nada Fica
Não a Ti, Cristo, odeio ou te não quero
Não a Ti, Cristo, odeio ou menosprezo
Não Canto
Não Consentem
Não Queiras
Não quero as oferendas
Não quero, Cloe, teu amor, que oprime
Não quero recordar nem conhecer-me
Não Só Vinho
Não só quem nos odeia ou nos inveja
Não sei de quem recordo meu passado
Não sei se é amor que tens, ou amor que finges
Não Tenhas
Nem da Erva
Negue-me tudo a sorte, menos vê-la
Ninguém a outro ama, senão que ama
Ninguém, na vasta selva virgem
No Breve Número
No Ciclo Eterno
No Magno Dia

A Canção do Delirante Aengus(1899) W. B. Yeats

Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;

E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas,
flutuando erráticas,

Eu lancei framboesas,
como gotas, em um riacho

E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão

E fui soprar para reativar as chamas,

Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar,
como um brilho mais forte.

Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,

Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;

Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo,
colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

W. B. Yeats

eu estou te pedindo e.e.cummings

querida é praque mais poderia umnão mas não é o queclaro mas você não pareceentender que eu não posso sermais claro a guerra não é o que imaginamos mas por favor pelo amor de Ohque diabo sim é verdade que fuieu mas esse eu não sou euvocê não vê que agora não nemsequer cristo mas vocêprecisa compreendercomo porqueeu estoumorto e.e.cummings(tradução: Augusto de Campos )

MORRO DO QUE HÁ NO MUNDO Cecília Meireles

Morro do que há no mundo:
do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.

Morro comigo,
apenas:com lembranças amadas,
porém desesperadas.

Morro cheia de assombro
por não sentir em
princípio nem fim.

Morro: e a circunferência
fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada. Cecília Meireles

SAUDAÇÃO Ezra Pound Oh geração dos afetados consumados
e consumadamente deslocados,

Tenho visto pescadores
em piqueniques ao sol,

Tenho-os visto,
com suas famílias mal-amanhadas,

Tenho visto seus sorrisos transbordantes de dentes
e escutado seus risos desengraçados.

E eu sou mais feliz que vós,
E eles eram mais felizes do que eu;

E os peixes nadam no lago
e não possuem nem o que vestir. Ezra Pound (tradução de Mário Faustino)

E Então Que Quereis?...Maiakovski

Fiz ranger as folhas de jornal
abrindo-lhes as pálpebras piscantes.
E logo
de cada fronteira distante
subiu um cheiro de pólvora
perseguindo-me até em casa.
Nestes últimos vinte anos
nada de novo há
no rugir das tempestades
Não estamos alegres,
é certo,
mas também por que razão
haveríamos de ficar tristes?
O mar da história
é agitado.
As ameaças
e as guerras
havemos de atravessá-las,
rompê-las ao meio,
cortando-as
como uma quilha corta
as ondas.

Maiakovski(1927)
Tradução de E. Carrera Guerra
Do Livro "Maiakóvski-Antologia Poética"/Editora Max Limonad, 1987.

...as delícias do céu estão em mim...Walt Whitman

Eu sou o poeta do corpo

Eu sou o poeta do corpo

e sou o poeta da Alma,

as delícias do céu
estão em mim
e os horrores do inferno
estão em mim

- o primeiro eu enxerto
e amplio ao meu redor

o segundo eu traduzo
em nova língua

Walt Whitman

Anima Bella da Quel Nodo Sciolta Petrarca

Alma tão bela desse nó já solta
Que mais belo não sabe urdir natura,
Tua mente volve à minha vida obscura
Do céu à minha dor em choro envolta.
Da falsa suspeição liberta e absolta
Que outrora te fazia acerba e dura
A vista em mim pousada, ora segura
Podes fitar-me, e ouvir-me a ânsia revolta.
Olha do Sorge a montanhosa fonte
E verás lá aquele que entre o prado e o rio
De recordar-te e de desgosto é insonte.
Onde está teu albergue, onde existiu
O amor que abandonaste. E o horizonte
De um mundo que desprezas, torpe e frio.
Petrarca

Bocage

Já Bocage não sou!... À cova escura
Já Bocage não sou!... À cova escuraMeu estro vai parar desfeito em vento...Eu aos céus ultrajei! O meu tormentoLeve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figuraEm prosa e verso fez meu louco intento.Musa!... Tivera algum merecimento,Se um raio da razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase friaBrade em alto pregão à mocidade,Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui...

A santidadeManchei!...

Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos,
crê na eternidade! Bocage

Soneto XVII W.Shakespeare

Who will believe my verse in time to come
If it were filled with your most high deserts?
Though yet heaven knows it is but as a tomb
Which hides your life and shows not half your parts.
If I could write the beauty of your eyes
And in fresh numbers number all your graces,
The age to come would say, `This poet lies:
Such heavenly touches ne’er touched earthly faces.’
So should my papers, yellowed with their age,
Be scorned like old men of less truth than tongue,
And your true rights be termed a poet’s rage
And stretched metre of na antigue song:
But were some child of yours alive that time,
You should live twice, in it and in my rhyme.


Quem crerá nos meus versos algum dia,
Se tanto louvam tuas qualidades?
Mas sabe o céu que são a tumba fria
A te esconder a vida e só a metade
Dizem de ti. Se teus olhos, somente,
Ou tuas graças todas eu cantasse,
O futuro diria: “O poeta mente,
Que o céu não toca assim humana face.”
E então os meus papéis já desbotados
Seriam - como velhos falastrões -
Encarnecidos e os teus dons deixados
No esquecimento de banais refrões:
Mas terás, se um teu filho viver tanto,
Dupla vida: no filho e no meu canto.
W.Shakespeare Tradução: Yan Ayrton

OS INICIADOS ARTHUR RIMBAUD

Estranhos à nevasca e ao brumado,
Em torno do respiradouro aluminado,

Agrupados,
Ajoelhados, cinco petizes - miséria! -


Espreitam o Padeiro que fabrica a féria:

O Pão fulvo e pesado.
Observam o vigor do forte braço branco
Que introduz a massa branca
No forno brilhante.

E pressentem o bom pão que chia.

O Padeiro, sorrindo de alegria,
Bufa resfolegante.

Agora, acocorados, imotos semoventes,
Sentem o hálito do respiradouro, ardente

Como um colo fogoso.
Quando, na vigília da meijoada,

Tira-se a fornada modelada

Em brioche untuoso,
Quando, sob esfumaçados tetos,
Cantam grilos

E crostas perfumosas,
Quando, enfim, o forno quente despeja a vida,

Suas almas estão já tão seduzidas,

Sob vestes andrajosas,
E tanto se comovem vivendo,


Estes pobres Cristos na geada perecendo,

Que lá estão,
Colando suas carinhas afogueadas

À treliça - coisas cochichadas

Por entre vãos –
Todo animais,
fazendo preces,

Recurvados tão intensamente para as luzes
Daquele paraíso artificial,

Que rasgam as calças

E suas camisas esvoaçam

Ao vento invernal. >>> ARTHUR RIMBAUD Paris,1871 , aos 18 anos. ( tradução de Yan Ayrton )

A KIDs DREAM yanEu tive um sonho
\\

Sonhei que estava falando com um Anjo

Um lindo anjo de olhos azuis

No Paraíso.

\\

Eu não queira acordar

Só queria sonhar...

Com seu sorriso lindo

Minha alma iluminava

Com sua voz cálida

A cada palavra

Meu coração tocava...

\\

Era dificil de explicar

\\

Mas sei que me entendia

Não precisei nada dizer

Apenas em seus olhos, olhar...

Rindo como crianças


Amor, lembranças,ternura,krinho

Brincamos felizes

Abrindo totalmente

O nosso coração...

\\

A alegria de viver

A ternura de amar

A certeza de compreender

E uma linda amizade

Compartilhar...

\\

Mas, chegou a hora de acordar

Deste lindo sonho me apartar

\\

Mas com muita alegria sei

Outra vez nesta noite

Com meu lindo anjo

Irei sonhar... yannREVOLUÇÃO. yan ay

Hoje eu vou mudar

Vasculhar minhas gavetas

Jogar fora sentimentos

e ressentimentos tolos

Fazer limpeza no armário

retirar traças e teias

E angústias da minha mente.

Parar de sofrer por coisas tão pequeninas

Deixar de ser menino pra ser homem

Hoje eu vou mudar

Por na balança a coragem

Me entregar no que acredito.

Pra ser o que sou sem medo

Dançar e cantar por hábito

E não ter cantos escuros

Pra guardar os meus segredos

Parar de dizer

Não tenho tempo pra vida

que grita dentro de mim

Me libertar!...

Hoje eu vou mudar

Sair de dentro de mim

E não usar somente o coração

Parar de cobrar os fracassos,s

soltar os laços

E prender as amarras da razão...

Voar livre com todos os meus preceitos

Pra que eu possa libertar os meus direitos

E não cobrar dessa vida

Nem rumos e nem decisões pétreas

Hoje eu preciso e vou mudar

Dividir no tempo e somar no vento

Todas as coisas que um dia um dia sonhei conquistar

Porque sou humano ser como qualquer um

Com dúvidas e soluções,

Com erros e acertos,Amor e sonhos.

Suave como a gaivota e forte como o leão

Tranqüilo e pacificador

Mas ao mesmo tempo contundente e revolucionário

Eu qro mudar,...Eu me vou mudar.. Yan AyrtonPROPÒSITO yan

Se sua vida for de amor ame.

Se sua vida for de tristeza esqueça.

Se sua vida for de ilusão acorde.

Se sua vida for de guerra lute.

Se sua vida for de felicidade faça alguém feliz.

Mas se sua felicidade depender de amor

considere-se feliz.Porque eu te amo.



ESTE MEU RIO DE SONHO yan

Vou à lua

vou apanhar meu barco

no cais do sonho

e velejar ligeiro

na estrada do arco-íris




não deixarei a calmaria

retardar meu fardo

nem o maremoto

confundir meu hino



vou navegar profundo

nestas águas em cio


volto amanhã

no terno Eterno

e trago nas mãos a liberdade

num barco chamado poesia. Yan

História do Pão

Pão é um alimento elaborado com farinha, geralmente de trigo, água e sal, com ou sem levedura - fermento, formando uma massa com consistência elástica que permite várias formas.
Foi produzido pela primeira vez, período mesolítico, por povos que habitavam a região onde agora é a Suíça, aldeias palafitas, por volta do ano 10.000 a.C. e, em 9.000 a.C., período neolítico, já se tem achados arqueológicos de pedras moldadas para triturar grãos.
Mencionados por Hecateu de Mileto, os egípcios foram "o povo comedor de pão". Lá o pão pagava até salários: camponeses ganhavam três pães e dois cântaros de cerveja por dia de trabalho.
Os gregos chamavam os egípcios de "arthophagoi", que significa "comedores de pão".
Em 3.500 a.C., em Tebas, no Egíto, em tumbas de reis, se encontraram cestas com pães.
O sistema de fabricação dos egípcios era muito simples e foram mostrados em pinturas encontradas sobre tumbas de reis que viveram por volta de 2.500 a.C.
Atribui-se, também aos egípcios, Suméria, parte sul da Mesopotâmia, o Iráque da atualidade, a modelagem de pedras cilíndricas para moer cereais, 3.000 / 2.900 a.C., a criação do primeiro forno de assar pães, e é feito, também, o descobrimento da fermentação - levedação.
As vantagens da fermentação - levedação e o consumo do pão mais semelhante ao que comemos hoje, era utilizada pelos egípcios há 3.000 anos a.C.
A fermentação - levedação, do ponto de vista atual e bioquímico, é um processo anaeróbio de transformação de uma substância em outra, produzida a partir de microorganismos biológicos naturais, tais como bactérias e fungos, chamados nesses casos de fermentos ou leveduras.
A levedura - fermento, Saccharomyces cerevisiae, é natural, biológica e não é transgênica.
É utilizada como modelo no estudo da Bioquímica, Genética e Biologia Celular de Eucariotos. Isto porque é de fácil manutenção em laboratório e o conhecimento biológico sobre ela é bem desenvolvido, seu genoma já está seqüenciado.
É um organismo Eucarioto, pois pertence ao grupo dos fungos. Fungo composto de minúsculas células tipo vegetais similares às bactérias. Suas enzimas invertase e zimase transformam açúcar em álcool e gás carbônico.
Elas fazem crescer o pão, transformam suco de uva em vinho e em vinagre, fermentam a cevada para produzir cerveja, transformam açucares em álcool, azedam o leite produzindo ácido láctico, daí o iogurte e a coalhada.
Células do corpo humano produzem enzimas digestivas, como pepsina e renina que transformam comida em uma forma solúvel de alimento.
É fonte de alto teor protéico, porém, ao contrário das fontes de proteína animal, tem a vantagem de não possuir gorduras e ainda contém vitaminas do complexo B, ergosterol, excelente fonte de vitamina D e, minerais como potássio, cromo e ferro.
No caso da massa do pão, os fermentos - leveduras consomem amido, digerindo o açúcar da massa, liberando CO2 - Gás Carbônico, que aumenta o volume da massa, alveolando internamente o pão, fazendo-o fofo.
Existem, fermentos - leveduras, processo artesanal, o mesmo descoberto pelos egípcios em 3.000 a.C., que se chamam hoje, fabricação do "Chefe", desenvolvidos a partir das próprias massas de pão envelhecidas, frutas e leguminosas misturadas à farinha. Persistem às condições atuais e tem processo delicado, sensível e, pedem tempo de levedação maior e quantidades maiores de levedura, em comparação com o saccharomyces cerevisiae, seja fresco ou seco. Esta técnica praticamente foi a única usada até o século XIX mas existe quem as adota, pois tem o produto final, o Pão, depois de assado, sabor incomparável e pode ter uma durabilidade que varia de 3 a 7 dias, dependendo da temperatura e umidade do ambiente em que se encontra.
Bem, o pão também teve sua história na Grécia e em Roma.
Na Grécia, 250 a.C., ocorreu praticamente na mesma época que no Egito, mas foi lá que o pão passa a fazer parte da história da alimentação e da gastronomia, ao se acrescentar ervas e grãos, inteiros ou moídos, aromatizantes, à sua massa; de lá veio o primeiro padeiro de que se tem notícia e também, o início do acréscimo do levedo à base de lúpulo, cereal utilizado na fabricação da cerveja. Pode-se dizer que os gregos participaram, ainda que involuntariamente, da famosa política romana do "Panem et Circenses", Pão e Circo, criada para acalmar o ânimo da população e a consciência dos governantes.
As padarias, hoje panificadoras, surgiram por volta de 4.000 a.C., também em Jerusalém, após o contato com os egípcios, com quem aprenderam a fabricação e obtiveram as receitas. Pouco tempo depois, já existia na cidade uma famosa rua de padeiros.
Em Roma, 500 a.C., foi criada a primeira escola para padeiros e confeiteiros. Por volta de 100 / 140 a.C, os romanos melhoraram o processo de moagem e, como resultado disto, foram os primeiros a produzir pão branco. Conheciam já 70 variedades de receitas de pão. Antes disto, somente fazia-se pães escuros, de grãos integrais. Roma possuíam mais de 200 padarias comerciais.
Nos século IX e X, criaram-se os primeiros moinhos movidos a vento, "mulinos", e também, os primeiros à roda d'água.
Até o século XIX o pão foi a base da alimentação do homem. No entanto, foi em 1305 que os governantes perceberam que para vender o produto seria necessário um comerciante. O rei da França, Don Luiz, resolveu então organizar ali, "o negócio", autorizando o "tamisier", peneireiro ou aquele que usava o tamis ou peneira para coar farinhas, a assar e vender o pão. Nasciam, as "boulangeries" parisienses, padarias, e o ancestral do moderno "boulanger", padeiro. Nesta época a França já contava com 20 variedades de pães.
Em 1372, Carlos V determinou que os padeiros franceses só poderiam produzir três tipos de pães e três tipos de peneiração de farinha. Tabelou o preço e exigiu que o peso fosse vigiado pelos inspetores da Prefeitura de Paris. Uma vez por mês, obrigava o "boulanger" a entregar uma amostra de pão para analisar sua composição e peso.
Às vésperas da Revolução Francesa, Maria Antonieta, rainha da França, foi informada de que o povo passava fome: “Eles não têm pão, Alteza”. Ao que ela respondeu: “Se não tem pão, que comam brioches”. Não se sabe se o diálogo realmente aconteceu, mas a frase, de fato, ficou famosa. Já a rainha teve a cabeça cortada na guilhotina!
Depois de utilizada pelos Gregos, a levedura - fermento, de cerveja, voltou a aparecer em 1665 em Paris. O pão se tornou mais leve e a massa mais fofa. A rainha Maria de Médicis aprovou o resultado e se tornou fã fervorosa do novo pão. Alguns meses mais tarde, porém, médicos franceses proibiram o uso da levedura de cerveja na fabricação do pão, alegando ser prejudicial à saúde.
Nos Estados Unidos da América - EUA, século XVIII, é construído o maior moinho então já feito, 7 (sete) andares, para o refino de farinha de trigo.
Somente no século XIX a levedura de cerveja foi reabilitada. Aparece, neste século, o primeiro fogão cilíndrico de ferro, facilitando a produção doméstica de pão e em 1850 o primeiro forno contínuo para padarias, na Grã-Bretanha.
Ainda, Louis Pasteur prova que a fermentação natural era causada por organismos vivos, processo que ajudou na elaboração industrial do fermento - levedura. Em 1865 é fabricado o primeiro fermento prensado; antes só existia sobe a forma de creme, um dos tipos utilizado hoje, fresco.
No século XX aparece o fermento - levedura biológica e natural à base de melaço da cana-de-açúcar.
O aparecimento da máquina ocorre, também, no século XIX, com amassadeiras e batedeiras, hidráulicas ou manuais, com um custo muito alto e também com grande rejeição. Os consumidores mostraram-se hostis com o pão sendo feito mecanicamente. Pouco tempo depois surge o motor elétrico e a reclamação passa a ser dos padeiros. Cada máquina substituía dois padeiros.
Foi nesta época que o pão chega ao Brasil e em 1835 começa a funcionar no Rio de Janeiro o primeiro estabelecimento vendendo pão de trigo.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que as pessoas comam 60 quilos de pão por ano, ou seja, 165 gramas de pão por dia. O País que mais come pão é o Marrocos, sendo que em média se come 100 quilos ao ano por pessoa. O País que mais se aproxima do ideal é o Uruguai, comendo em média 55 quilos por ano por pessoa.
Na Europa, passou a ser costume, as mães darem para as filhas que se casavam, um pouco de sua própria massa de pão, por achar que assim, elas fariam um pão tão gostoso quanto o delas!
Ao longo da história, a posição social de uma pessoa podia ser discernida pela cor do pão que ela consumia. Pão escuro representava baixa posição social, enquanto pão branco, alta posição social. É porque o processo de refino da farinha branca era muito mais caro. Atualmente, ocorre o contrário: os pães escuros são mais caros e, por vezes, mais apreciados por causa de seu alto valor nutritivo.
Com a chegada do Cristianismo, o pão, alimento essencial ao corpo, transforma-se em símbolo da vida. O menino nascido em Belém, casa do pão em hebreu, anuncia milagres e realiza o mais celebre deles: a multiplicação dos pães. Com sua morte e a fundação da Igreja, institui-se o ritual da Eucaristia, em que o pão representa o corpo de Cristo. Na oração do “Pai-nosso” é pedido a Deus “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”.
Os judeus, só oferecem a Deus o pão ázimo, matzot (ídiche), mátza (hebráico), basicamente, farinha e água, sem fermento - levedura (chametz) ou outros ingredientes. Até hoje, esse é o pão que eles comem na páscoa judáica (Pessach) ou festa dos pães ázimos (Hag ha-matzot), época em que é proibido consumir qualquer alimento fermentado - levedado.

Segunda-feira, 30 de Julho de 2007

Yan Ayrton.: Bem hoje eu vou digitar uma letra que eu fiz sobre os meninos de rua ...
Era para ser inicialmente uma letra de música porém resolvi ir bem à fundo no tema, discorrendo e uma forma contundente ,lírica e profundamente indignada pois criança é para ser feliz e não para ser desprezada, tripudiada,explorada,abandonada.

Estou com pouko tempo mas vou pelo menos iniciá-la.
Titulo: Infancia Ignorada
Autor:Yan Ayrton.


E ai menino de rua
cigano do asfalto
dos becos
do chão duro

das vielas,
dos atalhos,
num viver escuro

Mas no entanto
seu mundo
acontece
debaixo do Céu

LAR,aconchego
vc nunka os provou direito

Vc fikou ao léu
Pois familia não rola

- só te trouxeram -

E aos poukos ou rápido
foram te largando por ai
e a barriga roncando

e te avisando
que vc precisa viver
e tentar sobreviver a tudo isso

E a chuva ensopando
E o frio no escuro
queimando e gelando

Haja papelão
haja disposicão
e alguma marquise
para tanta humilhação...

E TODOS FAZENDO DE CONTA
QUE VC NEM EXISTE

Ou q só existe como
um triste traste
uma peste,um perigo,
um tropego contraste
à outras crianças

um estorvo,

te consideram um enfeiador de paisagens
e alguém aqui e eli
como um apetite de corvo
deseja seu definitivo sumiço a vida
como um lixo

Ps: depois eu continuo.. YAN Ayrton

(12/10 15:46) Ewerton: Pobres garotos de rua,devem sofrer muito.Essa letra relata essa realidade.Abraço!
(12/10 17:54) Lúcia: otima letra querido Yan, e adorei a foto por fim esta revelando o rosto...q nao tem o pq de estar escondendo o atras do cabelo, por ser belo ,vc e bm bonito.Yan Ayrton,: Vou tentar digitar agora mais uma parte da letra.....

Infancia Ignorada (cont)

Vcs meninos e meninas abandonadas do Brasil
Vcs não são refugos
para serem escarnecidos
chutados trancafiados
e anulados nas FEBEMs da vida !!
Vcs são ainda crianças
e ficam as vezes
nos sinais das nossas cidades
vendendopateticamente seus corpos
para velhos animais
UM MONTE DE PORCOS!!!
\\
Vcs merecem, podem e devem
eh ter uma casa social,
pais sociais,
educação,nutrição,
consideração,
lazer,
E sobretudo amor !
\\
Tudo isso é
um direito de vcs
e não uma esmola incerta
fugidia arredia das instituições da vida!!!
\\
Vcs precisam aprender e sentir o Amor.
Primeiro amar a si mesmos...
Ele eh a chave e a razão da Vida!
Nao o ódio
Nao a dor
Nao o pavor da solidão excluida !:
Tornem-se solidários uns aos outros
Assim nasce a sua força
Criem pontes de irmandade entre vcs
numa reconstrução heróica,
emocionante das suas identidades!
\\
Familias reinventadas por vcs
em direção a liberdade dos vossos corações !!!
Vcs precisam entender
que quem os crioula do infinito
OS AMA MUITO
E sofre em vê-los
e tê-los no abandono explicito dos homens....
\\
Que preferem inflamar as suas vaidades
num viver adulto egoista
perseguindo celeres suas conquistas,
Entesourando Poder e Materia
Trofeus ostensivos das suas cobiças!
\\
E assim desprezam
E se enraivecemcom quem nao lhes servemc
om quem eh fragil
e destoa
do seu sistema de maquinação e concentração de Poder

Milimetricamente defendido
e ampliado ate as raias do absurdo
em cidadelas de esterilização do coração
e de básica humanidade !!!
\\
Quão enganados estão !!!
Pq ninguem eh tão alguém
que nunka precise de ninguem !!!!
\\
Esse retrato duro de nossa nação -
fome,miséria desemprego
e abandono de vcsTEM QUE MUDAR !!!
\\
Enquanto os Poderes do governovao agindo
E os poderes da sociedade seguem fingindo
qoe vcs nao existem
e sendo assim não merecem nada e futuro algum !!!
\\
Menos incremento para as prisões
Mais sentimento para vcs!!!
Legiões de brasileiros crianças
\\
Inflamados de esperança teimosa
de q tudo pode ser diferente
bastando haver sentimento de gente
no coletivo de todos nós !!! (Yan)
\\
******PS: Que cada um faça a SUA PARTE como o passarinho que transporta no bico
um tto de agua para apagar o incêndio da floresta... YAN AYRTON .
(13/10 14:44) Melissa: Mas q lindo Yan!!! Muito forte e verdadeiro!!! Eles naum tem culpa de terem nascido e seus pais e a sociedade nao tar nem ai pra eles...ELES SÃO GENTE TAMBÉM !!!!!
VC COMO SEMPRE COM O SEU CORAÇÃO SE IMPORTA COM ELES E DENUNCIA TUDO ISSO >>>
Você eh um gatinho diferente de todos q ja conheci meu Yan Ayrton...Um gato que sabe pensar...Uau isto eh tudo de genial !!!!.BJOS EM TODO VC >>> Mel
O paradoxo da miséria

O Brasil é o mais rico entre os países

com maior número de pessoas miseráveis.
Isso torna inexplicável a pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros.


A SITUAÇÂO DA INFÂNCIA NO BRASIL 2006. Relatório oUNICEF

No Brasil, o desafio de garantir a proteção e o desenvolvimento das crianças em seus primeiros seis anos de vida é basicamente uma tarefa de informar e apoiar as famílias para que estejam aptas a cuidar de suas crianças e de garantir qualidade nos serviços públicos destinados às crianças e às famílias.
Existe no País uma rede bastante razoável de serviços de saúde, educação e assistência social, existem estruturas adequadas, existem marcos legais importantes, como o Estatuto da Criança e do Adolescente, as Leis Orgânicas da Saúde e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Além disso, esforços relevantes têm sido realizados, como o Censo da Educação Infantil, o Programa de Saúde da Família e debates públicos sobre o tema do Desenvolvimento Infantil. Mas, de maneira geral, a qualidade do atendimento das crianças em seus primeiros seis anos de vida ainda pode ser melhorada. Governos e sociedade precisam estar prontos para ajudar as famílias, para que elas possam garantir um bom começo de vida para as crianças.
A equação a ser resolvida é de que maneira os serviços públicos – sejam eles oferecidos pelo Estado, pelas comunidades ou por organizações não-governamentais – podem apoiar as famílias para que pais, mães e outros familiares possam estar ao lado das crianças e assegurar seu desenvolvimento físico, social, psicológico, cognitivo e emocional desde a gestação.
A situação das crianças e mulheres do mundo melhorou de maneira significativa ao longo dos últimos 15 anos, com redução das taxas de mortalidade infantil e aumento dos índices de imunização e de acesso à escola. No Brasil, houve também uma melhora dos índices relativos à criança.
Há 18 anos, o País aprovou uma nova Constituição Federal, onde está prevista a prioridade absoluta a crianças e adolescentes como dever da família, da sociedade e do Estado. Há 10 anos, foi aprovado o Estatuto da Criança e do Adolescente, onde meninas e meninos são definidos como pessoas, sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento.
Por si mesmos, esses marcos legais representam um avanço, e não há dúvidas de que alavancam importantes mudanças no dia-a-dia da criança. Na prática, isso implica garantir o direito igual de todas as crianças a um nome e a nacionalidade, alimentação, bons cuidados de saúde, educação básica, justiça e igualdade em sua condição de seres humanos.

Os avanços

Quando se fala em desenvolvimento infantil, é preciso, em primeiro lugar, lembrar que este é um momento especialmente oportuno. Devido às quedas nas taxas de fertilidade das mulheres brasileiras, demograficamente o Brasil vive um período no qual, provavelmente pela primeira vez na história, o número de crianças de 0 a 6 anos decresceu: entre 1991 e 1999, a redução foi de 3,4%, passando de 23,9 milhões para 23,1 milhões.

Portanto, este é um excelente momento para investir pesadamente em políticas de desenvolvimento infantil.
CONTINUA EM : http://www.unicef.org/brazil/sib2001/cap2.htm

A
INFÂNCIA
É A POESIA
DA VIDA.
A
POESIA
É A INFÂNCIA
DO MUNDO. ( B. Novak )

Uma criança é um ser humano no início de seu desenvolvimento.

São chamadas recém-nascidas do nascimento até um mês de idade; bebê, entre o segundo e o décimo-oitavo mês, e criança quando têm entre dezoito meses até quatorze anos de idade. O ramo da medicina que cuida do desenvolvimento e das doenças e traumas nas crianças é a pediatria.

A infância é o período que vai desde o nascimento até aproximadamente o décimo-quarto ano de vida de uma pessoa.

É um período de grande desenvolvimento físico, marcado pelo gradual crescimento da altura e do peso da criança - especialmente nos primeiros três anos de vida e durante a puberdade. Mais do que isto, é um período onde o ser humano desenvolve-se psicologicamente, envolvendo graduais mudanças no comportamento da pessoa e na adquisição das bases de sua personalidade.
[editar] Estágios da infância
A infância é um período no qual a criança cresce fisicamente e matura-se psicologicamente. Após isto, vem a adolescência. Embora em várias crianças ocorra o que se chama de puberdade precoce, deve-se esclarecer que tais crianças ainda não têm maturidade psicológica suficiente para serem consideradas adolescentes, mesmo tendo o porte físico de um.
Desde o nascimento até o início da adolescência, os pais são os principais modelos da criança, com que elas aprendem, principalmente por imitação. Filhos de pais que os abusam ou negligenciam tendem a sofrer de vários problemas psicológicos, inclusive, depressão.

[editar] 0 - 18 meses

Um bebê engatinhando.
Neste estágio, o bebê é totalmente dependente de terceiros (geralmente, dos pais) para quaisquer coisas como locomoção, alimentação ou higiene. Neste período, o bebê aprende atos básicos de locomoção como sentar, engatinhar, andar. Recomenda-se o aleitamento materno exclusivo até que o sexto mês de vida; isso porque o leite materno tem uma composição mais adequada, tem menor custo e exige cuidados mais simples em relação a outros tipos de leite, bem como possui anticorpos e outros fatores para proteger o lactente de infecções, e ainda fortalece a relação entre a mãe e seu filho. Caso haja empecilho ou, raramente, contra-indicação, ao aleitamento materno, leites substitutos como de vaca, cabra ou soja podem ser usados, além de leites de vaca modificados para ter composição mais semelhante ao humano. Esses leites, porém, têm maior risco de induzir alergias na criança (especialmente os leites animais in natura), e exigem suplementação de nutrientes como ferro ou ácido fólico, exceto aqueles que têm adição de vitaminas. Após o sexto mês de vida, a dieta alimentar de um bebê começa a variar, com a introdução lenta e gradual de novos alimentos.
Neste estágio da vida, a criança cresce muito rapidamente. Os primeiros cabelos, bem como os primeiros dentes, aparecem neste estágio. Aos 18 meses de vida, a maioria dos bebês já soltaram suas primeiras palavras. Este período é caracterizado pelo egocentrismo, pois o bebê não compreende que faz parte de uma sociedade, e o mundo para ele gira em torno de si mesmo.

18 meses - 3 anos

Criança soprando um dente-de-leão.

A pequena criança neste estágio cresce menos do que durante os primeiros 18 meses de vida. A criança, então, pode correr uma curta distância por si mesma, comer sem a ajuda de terceiros, e falar algumas palavras que têm significado (por exemplo, mamãe, papai, bola, etc), e a expectativa é que a criança continue a melhorar estas habilidades.
O principal aspecto desta faixa etária é o desenvolvimento gradual da fala e da linguagem. Aos três anos de idade, a criança já pode formar algumas frases completas (e corretas gramaticalmente) usando palavras já aprendidas, e possui um vocabulário de aproximadamente 800 a mil palavras.
A criança lentamente passa a compreender melhor o mundo à sua volta, e a aprender que neste mundo há regras que precisam ser obedecidas, embora ainda seja bastante egocêntrica - comumente vendo outras pessoas mais como objetos do que pessoas, não sabendo que estas possuem sentimentos próprios. Assim sendo, a criança muitas vezes prefere brincar sozinha a brincar com outras crianças da mesma faixa etária. No final desta faixa etária, uma criança geralmente já sabe diferenciar pessoas do sexo masculino e pessoas do sexo feminino, e também já começa a ter suas próprias preferências, como roupas e entretenimentos, por exemplo. Pode também ser capaz de se vestir sem a ajuda de terceiros, e de antecipar acontecimentos.

3 á 4 anos de idade ------

Crianças em um jardim de infância afegão.

Crianças desta faixa etária começam a desenvolver os aspectos básicos de responsabilidade e de independência, preparando a criança para o próximo estágio da infância e os anos iniciais de escola. As crianças desta faixa etária são altamente ativas em geral, constantemente explorando o mundo à sua volta. As crianças passam também a aprender que na sociedade existem coisas que eles podem ou não fazer.
Nesta faixa etária, a criança já compreende melhor o mundo à sua volta - tornando-se gradualmente menos egocêntrica - e melhor compreendendo que suas ações podem afetar as pessoas à sua volta. Também passam a compreender que outras pessoas também possuem seus próprios sentimentos. Assim sendo, as crianças gradualmente aprendem sobre a existência de padrões de comportamentos - ações que podem ou devem ser feitas, e ações que não devem ser feitas. Os pais da criança - os principais modelos da criança, nesta faixa etária - geralmente determinam se uma dada ação da criança foi boa ou má, muitas vezes recompensando a criança pelas suas boas ações e castigando a criança pelas suas más ações.
Crianças, a partir dos três anos de idade, também passam a aprender padrões de comportamento de um processo chamado identificação. As crianças passam a se identificar com outra pessoa por causa de vários motivos, incluindo laços de amizade (um amigo ou uma pessoa próxima como outro parente ou uma babá, por exemplo) e semelhanças físicas e psicológicas. Também a partir dos três anos de idade que as crianças passam a ver diferenças entre pessoas do sexo masculino e feminino, tanto nos aspectos físicos quanto nos aspectos psicológicos, como os estereótipos dados a ambos os sexos pela sociedade (exemplos: menino brinca com bola, menina brinca com boneca).
A grande maioria das crianças abandona as fraldas nesta faixa etária. A partir dos três anos de idade, a criança cresce lentamente, em contraste com o crescimento acelerado ocorrido desde o nascimento até os dezoito meses de vida. Meninos e meninas têm peso e altura semelhantes.
5 - 9 anos

A partir do quinto ano de vida, crianças passam a dar um crescente valor à amizade.

Crianças em sala de aula de uma escola japonesa.
O período entre cinco a nove anos de idade é marcado pelo desenvolvimento psicológico da criança. Esta continua a se desenvolver fisicamente, lenta e gradualmente, mas acima de tudo elas se desenvolvem e amadurecem socialmente, emocionalmente e mentalmente.
Na maioria das sociedades, as crianças já aprenderam regras e padrões de comportamento básicos da sociedade por volta do quinto ano de vida. Elas aprendem então a discernir se uma dada ação é certa ou errada. A vida social da criança passa a ser cada vez mais importante, e é comum nesta faixa etária o que se chama de o(a) melhor amigo(a).
Na maioria dos países, crianças precisam ir à escola, geralmente a partir do sexto ou do sétimo ano de vida. Nesta faixa etária, regras básicas da sociedade são mais bem compreendidas. Aqui, é dada ênfase à capacidade de resolução de problemas, uma habilidade que é aperfeiçoada com o passar do tempo. A racionalização também é uma habilidade que é aprendida e constantemente melhorada. Até o quinto ou sexto ano de vida, as crianças muitas vezes procuram resolver problemas através da primeira solução - certa ou não, racional ou não - que vem à sua mente. Após o quinto ou o sexto ano de vida, a criança passa procurar por diversas soluções, e a reconhecer a solução correta ou aquela que mais se aplica ao solucionamento do problema.
Por volta dos sete ou oito anos de idade, as crianças passam a racionalizar seus pensamentos e suas crenças, procurando as razões, os porquês por trás de um problema ou de um fato. Assim, as próprias crianças passam a analisar os padrões de comportamento ensinados pela família e sociedade. Além disso, a partir dos seis anos de idade, as crianças passam a se comparar com outras crianças da mesma faixa etária. Estes dois fatos, aliados ao crescimento da vida social da criança, diminuem a importância dos pais e da família como modelos de comportamento da criança, e aumentam a importância dos amigos e dos professores.
A comparação que uma dada criança faz de si mesma à outra também afeta a auto-imagem e a auto-estima da criança - a opinião que uma pessoa tem de si mesma. O tipo de auto-imagem formada durante a infância pode influenciar o comportamento desta pessoa na adolescência e na vida adulta. As crianças passam a desenvolver a auto-imagem após os três anos de idade, à medida que as crianças se identificam com seus pais, parentes, e posteriormente, pessoas próximas. Esta auto-imagem pode ser positiva ou negativa, dependendo das atitudes e das emoções das pessoas com as quais a criança se identifica. Crianças com auto-imagens positivas geralmente possuem boas impressões de seus pais e uma ativa vida social; por outro lado, auto-imagens negativas costumam ser fruto de famílias disfuncionais, onde o relacionamento entre seus membros seja problemático. A comparação que uma criança faz em relação a outras crianças pode alterar esta auto-imagem. Além disso, vários outros fatores podem influenciar o comportamento de uma criança, como abuso infantil, problemas sócio-psicológicos (vítima de agressão na escola, por exemplo) e eventos marcantes (perda de um parente ou amigo, por exemplo).
Os dentes de leite começam a cair no sexto ano de vida, um por um, até a adolescência. O crescimento de peso e altura é pequeno e semelhante entre meninos e meninas, que continuam a ter peso e altura semelhantes. Quanto à força física, em teoria, meninos e meninas desta faixa etária têm força física semelhante, mas meninos, por geralmente serem mais incentivados pela sociedade a participar de atividades físico-esportistas, tendem a ter um pouco mais de força física do que as meninas.

12 - 14 anos: Pré-adolescência


A partir dos 10/12 anos de idade, crianças passam a dar mais importância a um grupo de amigos que possuem gostos semelhantes.
A faixa etária que vai desde o décimo segundo até o décimo quarto ano de vida é época de intensas mudanças físicas e psicológicas: é a chamada pré-adolescência. Nesse período da vida as crianças passam a ter mais responsabilidades (deveres), ao mesmo tempo em que passam a querer e exigir mais respeito de outras pessoas - particularmente dos adultos. A criança nesta faixa etária passa a compreender mais a sociedade, ordens sociais e grupos, o que torna esta faixa etária uma área instável de desenvolvimento psicológico.
A participação num grupo de amigos que possuem gostos em comum passa a ser de maior importância para a criança, onde o modelo dado pelos amigos começa a obscurecer o modelo dado pelos pais. Começam as preocupações como a expectativa de ser aceito por um grupo, ou certas diferenças em relação a outras crianças da mesma faixa etária se agravam aqui, e são um aspecto de maior importância na adolescência. Muitas vezes, pré-adolescentes sentem-se rejeitados pela sociedade, podendo desencadear problemas psicológicos tais como depressão ou anorexia, por exemplo.
A pré-adolescência é marcada pelo início das intensas transformações físicas que transformam a criança em um adulto; é o início da puberdade, marcada principalmente pelo aumento do ritmo de crescimento corporal e pelo amadurecimento dos órgãos sexuais.
A puberdade para as meninas chega entre o 10º e o 12º ano de vida, onde os primeiros pelos pubianos e nas axilas aparecem, vem a primeira menstruação, os seios começam a crescer. Neste período, as meninas passam, em média, a ser mais altas e mais pesadas que os meninos, onde a puberdade ainda não começou. A maturação dos órgãos sexuais inicia-se geralmente depois, no 11º ao 14º ano de vida. Somente mais tarde, no 12º ao 14º anos de vida, a puberdade começa para os meninos, começo de um alto crescimento físico (em altura, peso e força muscular), crescimento de pelos pubianos e nas axilas e engrossamento do timbre de voz. Com o pico do crescimento físico da maioria das meninas já havendo terminado, os meninos passam à frente das meninas, definitivamente, em peso, altura e força muscular. A maturação dos órgãos sexuais dá-se geralmente depois, no 14º ao 15º ano de vida.


15/10/06 >> Aos que educam as crianças com krinho .

OS QUE LUTAM
“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles q lutam muitos dias;
e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.“ ... Bertolt Brecht


Agora Yan ,
PROFESSOR , UM IMPRESCINDÍVEL. Yan Ayrton

"Há muitas pessoas vivendo numa prisão imaginária,são os prisioneiros de suas próprias mentes,ali jogados pelas limitações impostas a si mesmas, aceitando a pobreza e a derrota." Andrew Carnegie

A história daquele jovem de 18 anos, não é diferente das histórias de muitos jovens pobres dessa idade,em nosso país e nos demais países injustos como o nosso. Ele estava ali, contra o muro, ao lado do carro roubado, em frente às câmerase ao repórter q fazia a matéria para levar ao ar num desses programas de TV q TTO e SEMPRE exploram as humilhantes e humilhadas misérias humanas .

O jovem estava vestido com visível pobreza. Camiseta, bermuda e “chinelo de dedo”. Em pé, com as costas no muro, ele apertava as pálpebras para evitar que as lágrimas caíssem,mas elas brotavam, teimosas, e rolavam pelo seu rosto amedrontado, apavorado, indefeso.Ele NÃO havia roubado o carro, era apenas o entregador.Perseguido pela polícia, na curva de um viaduto ele perdeu a direção do veículo e se chocou contra a murada. Agora estava ali, com as mãos algemadas e rodeado por policiais e pelos repórteres. O outro garoto que estava com ele no carro no momento do acidentenão era focalizado, já que era menor de idade.O repórter, que sabia parte da história, perguntou ao jovem, desejando saber mais sobre o assunto: “Sabemos que você não roubou esse veículo, mas poderia dizer para onde iria levá-lo?” E a resposta do jovem: “Nóis não sabe não. Nóis tava levando o carro e alguém ia informá pra gente

o que era pra fazê.” Não havia dúvida...Estava ali a prova da nossa falência, como sociedade, dita civilizada. Todos nós, brasileiros, somos responsáveispelo que aconteceu com aquele jovem e com os demais jovens e crianças do nosso país.Sim, ele, como os demais, é um dos filhos da nossa pátria, e, portanto, responsabilidade nossa. . Qdo não se constroem escolas, é preciso construir presídiospara segregar os delinqüentes, que não tiveram acesso às letras. Sem dúvida que o acesso à escola não é garantia de honestidade, e disso temos provas diariamente. No entanto, a falta de escola tem sido a grande responsávelpela delinqüência de nossas crianças, adolescentes e jovens. E esse era o caso daquele garoto, que ainda trazia no rostoo semblante da inocência, da fragilidade, da insegurança, do abandono social.Não havia dúvida de que era fruto da miséria, filho de pais que também não tiveram acesso à escola, ou talvez nem tivesse pais.
Pelas necessidades que portava, foi usado por alguma quadrilha de ladrões de carros. Para ganhar alguns trocados e sobreviver, arriscava a própria vida.

Talvez vc esteja se perguntando: “E o q eu tenho a ver com isso? Isso é prioritariamente problema dos governantes.” Mas a própria consciência lhe pergunta: “E se fosse, seu irmão, seu neto, seu sobrinho ou seu filho?” É preciso, não há dúvida, socorrer a infância, construir escolas, criar condições de acesso das crianças ao estudo, à alimentação, à moradia, à segurança. Ou, então, não restará outra opção a não ser construir presídios e mais presídios...

E vale considerar que os custos de manutenção de um detento, em nosso país, é muito, mas muito maior do que os custos de um aluno na escola.Além disso, o cárcere tem outros tantos prejuízos para o indivíduo e para a sociedade, q não deixa dúvida que a escola é a melhor e mais INTELIGENTE,SOLIDÁRIA ,IMPRESCINDÍVEL barata das alternativas.
E a decisão, como sempre, é nossa .Vote sabiamente.Não troque o certo pelo duvidoso.

Com krinho,
Yan Ayrton
CHILDREN >>> Yan

Criança !

O seu tempo é mágico.

Bruxas,fadas,duendes
povoam seus sonhos.

Na sua realidade
os brinquedos ganham vida

e tta fantasia,
a vida se adianta,
se agiganta
tão pura e santa.

O futuro brinka em ti
e nos olha em seus olhos
e nos bem encanta…

De seu sorriso puro,
de sua ingenuidade,

a mentira não faz parte.

Vc ñ tem vergonhade extravasar

E mto brindar-nos

E nos encantar-nos

Com a sua sensibilidade.

Brinka,pula,grita,

chora,reclama,

abraça,faz graça,

mas não guarda rancor.

E nem

Não entende a dor

,o abandono,pois vc é amor…

Sonhe criança,cresça,mostre ao Homem

que sua lição de civilidadede

densidade e verdade

pode conduzir à Fraternidade

de todas as idades.

Vcs crianças

Nos tto ensinam

O que é viver o ser.

Em busca do mágico

Do infinito

Do + bonito

Que são vcs .

( Deveríamos iniciar idosos e por aki partirmos crianças ).Yan Ayrton


A TIMELESS CHILD SPEAKS.

Dizes q sou o futuro.
Não me desampares no presente.
Dizes q sou a esperança da paz.
Não me induzas à guerra.

Dizes q sou a promessa do Bem.
Não me confies ao mal.
Dizes q sou a luz dos teus olhos.
Não me abandones às trevas.

Não desejo tão só a festa de teu krinho
.Suplico-te amor com qoe me eduques e me edifiques.

Ñ te rogo apenas brinquedos.
Peço-te bons exemplos e boas palavras.

Ñ sou simples ornamento de teu krinho.
Ou um mero trofeu do teu amor carnal.

Sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.

Ensina-me o trabalho e a humildade,
o devotamento e o perdão.

Compadece-te de mim
e orienta-me para o q seja Bom e Justo.

Corrige-me enqto é tempo, ainda que eu sofra...

Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.
E muito se lamentar.
(Certos pais e políticos acordem!
Leia de novo aki em cima"Infância Abandonada")

IDADES CAMINHANTES Yan Ay

”Vivemos de forma orgiástica o endeusamento da beleza e da juventude ,

mas um dia, se tivermos a felicidade de viver longos dias ,

tomaremos a estrada da velhice.

Pudéssemos encara-la como uma espécie de "idade do ouro" o momento úniko de realizarmos a síntese de nossas vidas.Vamos perdendo a memória, mergulhados no turbilhão do dia q passa.Akii e agora sendo a dimensão primordial de nossa existência,jamais nos deveria fazer perder de vista o futuro. Nas praças e jardins das cidades, ele surge na forma de um quadro vivo:um dia poderemos estar ao fim da tarde saboreando o sol num banco de jardim, ou seja ter a felicidade de chegar a "velho".Nesse momento da vida,já não andaremos às voltas com o Tempo,do q seja te-lo ou da sua falta,já que é o momento de convivermos de perto com a Eternidade.Então,teremos todo o tempo do mundo.” Think about it. YAN AY

nacer y morir trabajando

EXPOSICIÓN SOBRE EL TRABAJO INFANTIL


Planetario de Pamplona, 16-23 de junio de 2006
FUNDACIÓN PAZ Y SOLIDARIDAD - NAVARRA CCOO


La lacra de la explotación laboral infantil es un fenómeno al que debemos hacer frente, con la totalidad de las herramientas e instrumentos que están en nuestras manos. Queda un largo camino por recorrer, pero son muchas las iniciativas y acciones que se están realizando en el marco de la defensa de la infancia.
La historia de Linda, Daniel, Marcos y María no es una ficción. Es la realidad de miles de pequeños y pequeñas que viven bajo la explotación laboral. Que viven y mueren trabajando, día a día, en un mundo injusto, desigual e insolidario, a cambio de unas pocas monedas que nunca consiguen sacarles de la miseria.
Vivimos inmersos en un proceso de Globalización cuyo modelo de desarrollo no tiene en cuenta el cumplimiento de los derechos más fundamentales. Este modelo pone énfasis en el crecimiento económico dejando de lado otros ámbitos como el social, cultural o medioambiental.
En este contexto, uno de los grupos sociales más afectados, debido a su naturaleza vulnerable, es el de los niños y las niñas. El trabajo infantil, representa hoy en día uno de los más significativos síntomas de violación de los Derechos Humanos en nuestro planeta.
¿Qué es y qué no es trabajo infantil?
Según la Organización Internacional del Trabajo (OIT), el concepto de trabajo infantil se utiliza para referirse al trabajo que priva a los niños, niñas o adolescentes de su infancia, su potencial y su dignidad, y que es nocivo para su desarrollo físico y mental.
Por tanto, es trabajo infantil aquel que…•Es física, mental, social o moralmente perjudicial o dañino para el niño y la niña.•Interfiere en su escolarización (privándole de la oportunidad de ir a la escuela; obligándole a abandonar prematuramente las aulas, o exigiendo que intente combinar la asistencia a la escuela con largas jornadas de trabajo pesado).
Sin embargo, no todo el trabajo efectuado por niños y niñas debe ser clasificado como trabajo infantil en términos de explotación. Actividades como ayudar a sus padres en la casa, asistir en un negocio familiar o ganarse dinero para gastos personales fuera de las horas de escuela puede contribuir al desarrollo de éstos y al bienestar de sus familias.

¿Dónde se da el trabajo infantil y por qué?
El trabajo infantil afecta a día de hoy a uno de cada seis niños en el mundo, es decir, 246 millones de niños y niñas están implicados en alguna forma de explotación laboral. Y aunque es un fenómeno que afecta mayoritariamente a los países más empobrecidos, también es cierto que ningún país escapa al trabajo infantil. Según la OIT, hay 2,5 millones de niños y niñas que trabajan en los países desarrollados y otros tantos en las economías en transición.
Las causas de este fenómeno son múltiples y variadas, aunque generalmente vienen acompañadas de situaciones de pobreza y extrema pobreza. Aspectos como la violencia intrafamiliar, los patrones culturales, la permisividad social, la falta de oportunidades, la falta de cobertura, calidad y cumplimiento de la obligatoriedad de la educación o las lagunas y contradicciones normativas son determinantes a la hora de explicar las razones del trabajo infantil.

A EROTIZAÇÃO DA INFÂNCIA:

EDUCADORES DISCUTEM O QUE FAZER
DIANTE DO FENÔMENO DE SUA SENSUALIZAÇÃO


Mariana, 9 anos, acorda às 6:00h da manhã para se maquiar, se perfumar, pintar as unhas e ir à escola de mini-saia, tamanquinho e brincos.

Foi parar no consultório da psicanalista, depois que os professores reclamaram do comportamento sensual de Mariana com os coleguinhas, os quais provocava com beijinhos e toques corporais.
Mariana é vítima da erotização precoce, fenômeno que atinge milhões de crianças.

A infância se caracteriza pôr ser o primeiro período de proteção e aprendizado.

No Brasil, a fronteira entre liberdade e proteção parece não ter sido ainda delimitada.
Em nome da maior liberdade com o corpo, nossas crianças estão tendo o direito a infância roubado.

Esta situação de sensualização precoce provoca aumento de ansiedade nos pais, estimula a violência sexual infantil, a iniciação sexual precoce, a pedofilia e, nas classes baixas, a prostituição infantil".A psicanalista gaúcha Norma Escosteguy, adverte que a sexualização precoce trará prejuízos emocionais e éticos sem precedentes."Se a criança for estimulada a imitar a sexualidade adulta, sem condições reais para isto, o excesso de excitação poderá diminuir seu interesse e sua capacidade para pensar, para se sentir capaz, para se desenvolver gradativamente e para ter noções de sua identidade".A infância, às vezes, é roubada pelos próprios pais.A multidão de crianças que rebolam eroticamente em festinhas e nas escolas está assustando psicanalistas e professores, que apontam os pais como responsáveis pelo que chamam de roubo da infância.Esta expressão também foi usada pela psicanalista Lulli Milman, que se diz chocada com a conduta pseudoliberal dos pais, que roubam a infância dos filhos para que eles realizem suas próprias fantasias sexuais."Tomo conhecimento de casos que estão me assustando.Um exemplo é o de uma menina de 10 anos que disse à mãe que estava namorando um menino de sua sala. Esta mãe, a pretexto de "controlar" a situação, resolveu trazer o garoto para dentro de casa, para que eles namorem sob vigilância. Esta mãe está empurrando a filha para o sexo"

.MENINOS DE 10 ANOS JA PENSAM EM TER RELACÕES SEXUAIS.

O número de meninos entre 10 e 11 anos que aparecem na clínica social da UERJ totalmente ansiosos para ter experiências sexuais, embora não tenham maturidade biológica para tanto, também assusta.

"A angústia desses meninos é preocupante. Por quê, ao invés de brincar, eles deram este salto para a sexualidade genital que não tem condições de realizar?".

A coordenadora Rosa Martins, do jardim Escola Vilhena de Moraes, no Leblon, Rio de Janeiro, disse que chamou a atenção de uma mãe que transformou a bermuda da escola da filha de 5 anos num "shortinho sexy". "A mãe cortou até o logotipo do colégio, que fica na barra da bermuda.Tive que dizer a ela que não podia mutilar o uniforme.Tem cabimento uma menina vir para a escola com o bumbum quase de fora? Os pais devem ter discernimento para dar limites ao que é oferecido pela TV. Por que comprar botas e tamancos, que prejudicam o movimento da criança? Os pais têm que aprender que o bem estar da criança vem em primeiro lugar".

O QUE OS PAIS DEVEM SABER.

A psicóloga Sofia Sarue, explica que a faixa etária dos 5 aos 12 anos é chamada de fase de latência, período em que as questões relativas à sexualidade ficam submersas, para que a criança possa desenvolver os seus ideais estéticos, o raciocínio matemático e entre no mundo das letras. O estímulo à sexualização nesta idade poderá trazer prejuízo imediato ao aprendizado da criança, especialmente ao processo de alfabetização.Norma Escosteguy lembra que a criança se forma a partir de sua experiência com os pais. A TV e seus personagens não conseguem preencher os vazios deixados pela ausência de companhias adultas afetivas e pensantes, o que realmente enriquece as relações humanas. A responsabilidade pela erotização precoce não seria da TV, mas dos pais que deixam os filhos assistirem a programas impróprios.RISCOS: Uma criança erotizada pelos pais na infância vai deslocar para a sexualidade toda a sua afetividade.Ao chegar na adolescência, quando os impulsos conduzem naturalmente à sexualidade, esta criança poderá lidar com questões sexuais de maneira precipitada, patológica, correr risco de contrair doenças graves.O pior dos prejuízos serão as relações pouco gratificantes e efêmeras, que não alcançam a afetividade, ausente em toda a infância.

DEPRESSÃO:

O excesso de estímulo sexual pode gerar um efeito o posto na chegada à puberdade. Sofia Sarue diz que a mãe que insiste em ser Tiazinha através da filha, porque já não tem corpo ou idade para tanto, ou o pai que empurra o filho para desejar a Tiazinha, porque já não consegue se expressar sexualmente, podem criar um adolescente inibido, que não sabe lidar com sua sexualidade, prefere o isolamento e é vitima de violentas depressões. A grande verdade é que os pais de hoje estão confundido alguns conceitos.Ser um pai "moderninho" não significa necessariamente ser um pai totalmente "permissivo".Vivemos num mundo onde o jovem pode tudo. Tudo lhe é permitido. Podem sair com quem querem, voltar quando querem.Quantos de nós já não estamos acostumados com aquelas crianças que ficam até altas horas da noite debaixo do nosso bloco ou nas quadras de futebol jogando, conversando, namorando, fumando, e por aí vai?Será que os pais dessas crianças sabem onde elas realmente estão?Ou o que elas estão fazendo? A verdade é que muitos nem querem saber. Trabalharam o dia inteiro e estão muito cansados para se preocuparem e, além do mais, o que há de errado nisso? Todas as crianças hoje em dia fazem essas coisas. Não é assim?Se os outros garotos ficam até tarde na rua, falam palavrão o tempo todo (na frente de quem quer que seja), adoram games violentos, passam horas diante da TV assistindo filmes que fazem questão de explorar o sexo e a violência, por quê o meu filho não pode? "Isso é tão normal". É muito comum ouvirmos essa frase de algumas pessoas.Talvez eu esteja enganada mas, às vezes, noto um certo comodismo por parte de alguns pais. Criar filhos, como muitas pessoas dizem, dá muito trabalho, é muito cansativo. É muito mais fácil deixar que eles saiam com quem querem e quando querem do que ter que ficar acompanhando, procurando saber com que tipo de pessoas nossos filhos estão andando. Saber, por exemplo, o que ficam fazendo até tarde na rua (será que estão incomodando os vizinhos...?), que tipo de festas nossos filhos freqüentam?É muito mais fácil deixar que assistam todo e qualquer tipo de programação na TV do que ter que ficar se preocupando em controlar seus horários. Deixe que assistam a filmes com alto teor de violência, afinal de contas a violência faz parte da vida.
Fonte obtida do ForumNow

Auto-confiança nasce na Infância e EM CASA >>>> Por Dra. Marinês Carvalho*

Alterações emocionais infantis são absolutamente naturais.

Mas saiba que, se você cuidar de suas próprias angústias,
estará ajudando a estruturar melhor o futuro de seu filho.

Não se iluda: ser pai ou mãe nem sempre é fácil.

Muitas vezes requer uma prontidão física
que pode não ser compatível com a prontidão emocional do casal.

E é dela, fique certa, que dependerá todo o futuro de seu filho, ainda em gestação.

Vocês dois estão adorando a vinda do bebê, mas ainda assim é preciso que se sintam preparados para assumir sua educação, principalmente se forem pais de "primeira viagem". Por isso vale a pena falar de algumas das inúmeras dificuldades que podem acontecer ao longo do caminho da formação da personalidade da criança.Você certamente já ouviu falar de que tudo o que acontece emocionalmente em sua vida afeta o bebê que ainda está lá, quentinho e confortável, dentro de seu útero. Isso é lenda, acredite! Nenhum estudo científico comprova. A partir do momento em que sair da sua barriga é que o bebê começará a sofrer influências que poderão ajudá-lo - ou atrapalhá-lo! - no processo de formação de sua personalidade. Portanto, capriche nos cuidados físicos e siga todas as orientações médicas durante o pré-natal. E, se tiver qualquer aflição - como estresse, luto, sustos, dissabores - fique tranqüila. Seu bebê não estará sofrendo.Para que tudo corra bem depois do parto, no entanto, é preciso que o casal se prepare. A tão sonhada chegada do bebê pode estar sendo precedida de sofrimentos e conflitos dos mais diversos. As mudanças físicas são as mais óbvias e visíveis, é claro, e deixam os pais bastante vulneráveis. Alterações de humor, sentimentos de culpa, ansiedade são comuns nessa fase. Esclareça suas dúvidas com o obstetra.Mães ansiosas, bebês irritadosChegou a hora, seu filho está quase nascendo! E todas as suas fantasias, boas ou ruins, serão concretizadas. Se tudo correr bem tanto para a mãe quanto para o bebê, a próxima etapa será a da amamentação, dos cuidados gerais com ele. A partir de agora, algumas de suas dúvidas poderão ser esclarecidas pelo ginecologista ou pelo pediatra. Mas fique atenta com você mesma e não deixe suas angústias sem resposta.Algumas mães se sentem mal ao amamentar: a dor às vezes gera sentimentos de rejeição ao bebê. Mil fantasias podem passar por sua cabeça e você precisará aprender a lidar com elas. Nessa hora, uma ajuda especializada - ou seja, de um psiquiatra ou psicoterapeuta - é fundamental. Saiba que mesmo com poucos dias de vida o comportamento dos pais - principalmente o da mãe - interfere diretamente no modo de ser do bebê.Mães ansiosas, irritadas, deprimidas, frustradas pela inexperiência em lidar com o novo papel tendem a estabelecer uma dinâmica complicada no meio ambiente da criança. Normalmente queixam-se de que os filhos só choram, que acordam a noite inteira, que não mamam o tempo suficiente. Se nessa fase recebessem orientações mais aprofundadas - com foco na própria estrutura emocional - essas mães já estariam prevenindo problemas futuros, como excesso de agressividade, hiperatividade, baixa auto-estima, distúrbios de sono, entre muitos outros.É melhor prevenir que remediar!Cada fase tem seus problemas e para todas elas existem soluções, se você for capaz de reconhecer que, às vezes, precisa de uma orientação psicológica. A retirada da mamadeira, a da chupeta, a das fraldas, por exemplo, devem ser muito bem planejadas para que você se sinta tranqüila e segura do que está fazendo. Dessa forma, as crianças também estarão construindo as bases de sua autoconfiança.E mantenha-se atenta a toda e qualquer alteração emocional de seu filho. A Psiquiatria Infantil é repleta de recursos capazes de atuar profilaticamente em distúrbios emocionais futuros, gerando adultos mentalmente sadios e bem estruturados para enfrentar a vida.*

A Dra. Marinês Carvalho é médica psiquiatra infantil,
com especialização no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA .Jorge Paulete Vanrell, MD

Imagens de Casos Incidência Faixa Etária A Autoria dos Maus Tratos Tipos de Agressão Diagnóstico Conduta Recursos na Internet
Ao menos em tese, pensar-se-ia na criança como um ser inserido no seu meio familiar do qual derivam, de forma natural e espontânea, todas as atenções afetivas e materiais que necessita para o seu normal desenvolvimento. Todavia, há ocasiões em que este mesmo núcleo familiar se torna hostil para com o menor, resultando no abandono, nos maus-tratos, nos abusos sexuais e, muitas vezes, até na morte.
Assim, os maus-tratos têm sido racionalizados, através dos tempos, pelas mais variadas justificativas conhecidas, desde práticas e crenças religiosas, motivos disciplinares e educacionais e, em grau mais amplo, com fins econômicos. As referências a abusos físicos extremos nos menores para conseguir retorno econômico dos seus ascendentes, não se podem considerar uma novidade. Foram freqüêntes durante a Revolução Industrial, mesmo em países tidos como mais desenvolvidos da época, como Grã Bretanha e Estados Unidos.
A mídia, em suas diversas formas, não raro registra, com vívidos detalhes, casos de crianças deixadas acorrentadas em cômodos escuros, diariamente, por semanas ou durante meses; crianças de pequena idade que são limitadas ao seu próprio berço por dias e dias; crianças que são dependuradas pelos seus punhos em canos de chuveiro ou suportes semelhantes; crianças que sofrem exposição prolongada a temperaturas extremas, e que incluem forçar os infantes a ficarem sentados, nus, sobre blocos de gelo; castigos térmicos diversos, indo desde a queimadura com brasa de cigarros, ou a obrigatoriedade de "secar as calças molhadas", sentando encima de uma estufa, ou mergulhando em água fervendo a mão esquerda que, obstinadamente, tenta segurar o lápis para escrever, no caso de uma criança canhota...
Já houve casos em que a morte se deu por inalação de pó de pimenta-do-reino e outra por pó de pimenta malagueta, ministradas por razões "disciplinares", sem contar com os casos, que não são poucos, de crianças falecidas por inanição, a espera de que mantidas sem comer, mudassem seus comportamentos..
Infelizmente, longe de se tratar de esporádicos registros históricos que apenas ocorrem em outros países, quase que a diário vemos as telas dos nossos lares invadidas por figuras de tenra idade - 4 a 6 anos -, labutando para obter pequenos ganhos, de centavos por dia, trabalhando, muitas vezes acorrentados- por grilhões materiais ou simplesmente morais -, ora nas pedreiras obtendo cascalho manualmente, ora nas plantações cortando, carregando e alimentando as moendas para extrair sisal, ora, nos fornos de carvão, ora nas calçadas elegantes da orla marítima, prestando-se ao "jogo" dos interesses maiores do turismo sexual, figuras amorfas formando uma fantasmagórica legião de esquecidos, de crianças sem hoje e sem amanhã.
Quantas Crianças Recebem Maus-tratos?
Estatísticas dos Estados Unidos, estimam que o número de crianças que eram encaminhadas para os serviços de proteção da infância, anualmente, oscilava entre 250.000 e 500.000, já em 1966. Esse número cresceu para 1.200.000 casos em 1986, duplicando para 2.400.000 atendimentos por ano, em 1996.
No Brasil, não temos estatísticas nacionais fidedignas, apenas registros esparsos de serviços isolados ou de núcleos de atendimento, que estão longe de espelhar a realidade atual no País, antes somente de micro-regiões.
O primeiro caso noticiado no Brasil, foi por Canger Rodrigues et al., em 1974, sendo logo seguido por três observações de Teixeira (1978, 1980), um dos pesquisadores que mais tem dado a devida atenção que este quadro merece, designando-o como 'SIBE -Síndrome do Bebê Espancado'.
Esta designação decorre de que a agressão mais freqüente é a mecânica, isto é, a tapas, socos, chutes, por vezes dentadas, terminando por jogar o bebê nochão, ou girá-lo pelo ar, preso pelos pés e, às vezes, escapando das mãos... batendo a cabeça na parede, em móveis etc. Todavia, outras vezes a agressão é térmica: os agentes queimam as crianças com água fervente ou com cigarros, quando não com a chapa do fogão...! Em alguns casos a agressão é sexual: os pais praticam atos sexuais com seus filhos; para outros a agressão é química, dando bebidas alcoólicas ou medicamentos para a criança dormir sem incomodar, e outros, enfim, negam alimentos e água, deixando a criança morrer de fome e de sede, não raro agredindo-a, também e paralelamente.
Trata-se, em geral, de um sério problema, de uma agressão inacreditável da mãe (ou do pai, madrasta, padrasto, companheiro) sobre a criança, o bebê, e, o que é pior, efetuada dentro da própria casa, assumindo, pela repetição, o aspecto de uma verdadeira tortura e transformando, desta maneira, o que deveria ser o lar, numa prisão, numa armadilha sem escapatória!
Resultado: o bebê não anda e não fala. E como conseqüência: a) não reage, nem se defende, por não possuir condiçãofísica suficiente; b) não escapa, já que não anda, nem corre e, c) não denuncia, uma vez que não fala.
Daí se afirmar que, para uma mãe ou para um pai malvados, para uma mãe ou para um pai que tenham perdido o mais elementar instinto de conservação da prole, o bebêé uma vítima "ideal": apanha freqüentemente, sem poder escapar ou denunciar seu agressor, o que torna ainda mais fácila repetição da agressão que, assim, permanece oculta. E isto não é apenas com os bebês, mas acontece de maneira semelhante com as crianças de baixa idade e mesmo em idade escolar. (Jorge Paulete Vanrell )

Médica pediatra e sanitarista, fra. Zilda Arns Neumann é fundadora

e coordenadora nacional da Pastoral da Criança.

Nascida em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha (SC), viúva, mãe de cinco filhos, sempre teve grande interesse pela situação das comunidades carentes do Brasil. Dedicar sua vida à área da saúde, especialmente ao trabalho materno-infantil, foi a forma encontrada para realizar seus sonhos como médica, mulher e cidadã. Nesta edição, em que queremos destacar a contribuição inestimável de mulheres ao bem social, dra. Zilda gentilmente nos concedeu esta entrevista.
De onde nasceu sua vocação para cuidar de crianças?
– Acho que cuidar de crianças é uma vocação natural. Tive uma infância muito feliz e gostaria que todas as crianças pudessem ser felizes. Minha mãe me amamentou até mais de 3 anos e sempre fui muito estimulada por todos da família. Sou a 12a filha de um total de 13 e talvez por ter crescido no interior, no meio de tantas crianças, goste tanto de trabalhar com elas. Lembro que adorava cuidar das crianças durante a missa: chegava sempre mais cedo só para ficar com elas no colo – achava a coisa mais linda do mundo e as crianças também gostavam muito de mim!
Quando sentiu que cuidar de crianças seria seu objetivo na vida?
– Não sei dizer ao certo, mas acredito que minha infância influenciou muito a minha vida. Em Forquilhinha (SC), onde nasci, não havia médico, polícia e mal sabíamos o que era Estado. Morávamos na zona rural e vivíamos nos machucando com pregos, arame farpado...e minha mãe, que lia muitos livros sobre medicina caseira, cuidava da gente como se fosse uma médica! Mas, uma experiência marcante foi uma vez que precisei ir a um médico na cidade de Criciúma e uma criança chegou com infecção, cheia de feridas pelo corpo. Queria de qualquer jeito que ela fosse para minha casa, pois tinha medo que ela não fosse bem tratada!
E como optou pela Medicina?
– Quando decidi ser médica tinha entre 15 e 16 anos. Achava uma profissão muito bonita, principalmente depois de assistir a um vídeo sobre crianças desnutridas no Rio de Janeiro, que me despertou muita vontade de ajudar essas pessoas. Minha mãe ficou muito contente com minha escolha, mas meu pai achava que eu tinha vocação para ser professora e insistia nisso. Persisti no meu propósito: queria ser médica missionária; achava que esse era o meu destino.
Quando e como surgiu o projeto da Pastoral da Criança em sua vida?
– A idéia de levar a Igreja a assumir seu papel na luta contra a mortalidade infantil e a pobreza surgiu em 1982, num debate sobre a miséria, em Genebra, na Suíça. Durante uma conversa informal, James Grant, secretário executivo da UNICEF na época, sugeriu ao cardeal dom Paulo Evaristo, meu irmão, que a Igreja poderia reverter a situação da mortalidade infantil no Brasil. Ao voltar, dom Paulo me contou sobre a conversa.

CONTINUA EM : www.pime.org.br/mundoemissao/testemunhoszilda.htm

DO CAOS À LUZ. Yan Ayrton

No palácio real de Teerã,no Irã,

podemos ver um dos + bonitos trabalhos em mosaico do mundo.

Os tetos e as paredes cintilam como diamantes com reflexos multifacetados
Originalmnte,qdo o palácio foi projetado,o arquiteto especificou
enormes folhas de espelhos para as paredes.
Qdo o 1o carregamento chegou de Paris,descobriram q os espelhos estavam todos quebrados.

O empreiteiro mandou jogar tudo ao lixo e levou a triste notícia ao arquiteto. Surpreendentemnte,o arquiteto ordenou que todas as peças quebradas fossem recolhidas, quebradas em pedaços ainda menores
e,então,coladas às paredes,transformando-se em um mosaico prateado e cintilante.

Quebrado para tornar-se BELO!

É possível transformar cicatrizes em estrelas.
É possível ser melhor exatamente por ter se quebrado.

Jamais subestime o poder que Deus tem para reparar e restaurar vidas
! YAN AY

Sábado, 28 de Julho de 2007



Greenkid a nobre árvore que verga ao mais implacável vento das plurais injustiças do mundo, mas não se abate e quebra. Combate . Vence .E vencerá. Assim será.

Atendendo a um pedido do meu amigo de alma e caminhada Ivahn, que será um grande escritor - ( filósofo já o é com enorme brilhantismo ,densidade ,autenticidade e originalidade) que me incentivou para eu elaborar poeticamente sobre o tema solidão, uma hora depois eu tinha escrito o que se segue.Ele há menos de um mês atrás akbou de formar-se numa área de Comunicação Social num curso universitário que estava aquém do seu brilhantismo.Proferiu um bellíssimo discurso de formatura de uma exatidão cristalina que deveria reverberar, calar fundo, em uma certa praça de Brasília e tb no MEC. Obrigado combativo cidadão pleno, brasileiro não alienado. Ivahn , pelo estímulo e amizade que muito me acrescenta.Muitos de vc transformariam o Brasil rapidamente para a pátria dos nossos sonhos :


SOLIDÂO.Um intra-diálogo num divã.

Autor : Yan Ayrton


Solidão
vossa onipresente sombra
tolhe
acolhe e recolhe o meu ser
- em seu ser –

Reluto e aceito-te pois
esvai-me o sentido
dos triunfalistas -
dos habitantes dos palanques

das popularidadades fáceis e frivolidades idem


Com vc algo de mim desperta e sai
Buscando iguais improváveis
E aí infantes esperanças caem

E nirvanas se esvaem


E vc atenta
A tudo de mim.



Um gemido sentido irrompe
E interrompe a linearidade de tudo
Um incontido aí
Vai dialogando-te noite adentro
Sem fim
No limite de mim



Vc vira argamassa e cola
Só que em vão...

Pois o meu ser parte
Parte-se
Pedaço
Cansaço
Fracasso?
Não acho.



No quebra-cabeça que sou
Sobram ttas partes
Pedaços raros de mim
Que vc caprichosa limita e delimita



Mas aí
Vc assim bem quer
Sempre a mim junto a ti



no panteaosurrealista insensato
Na plenitude do destituído ser como já antevia Kirkieggard



Na periodicidade do não vir a ser
Em cada pedaço de mim



que deixou de ser
No vazio que quer crescer
eu estaco
me perco
e me acho



E não te satisfaço

Enquanto tudo
acontece
No que chamam vida lá fora.
YAN AYRTON


Do extraordinário muito precoce poeta português existencialista Flávio, o mais profundo da novíssima geração lusitana ultra-mar .( Ele akbou de fazer 20 anos ) .Eu transponho para aki 4 poemas intensamente reflexivos dele,do seu blog
( clike em cima do titulo para ir lá diretamente)
Akma et Akta
Onde os meus sentimentos deixam de ser só meus

O Autor
Flávio Pinheiro nasceu a 27 de Junho de 1987
na cidade de Torres Vedras, Portugal, aonde ainda reside.
Estuda Física na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Que belo talento o seu Flávio! Notável !!!O que eu puder fazer para te divulgar aki neste vasto Brasil ,[ que ainda lê muito pouko] eu Yan o farei .Vc pleno merece e como .

Vamos aos seus penetrantes, admiráveis quatro poemas que selecionei coerente com o tema de Ivahn o qual ele me instou e persuadiu escrever - A solidão - :

Tempestade

Sopra o vento,
escondem-se as estrelas
a lua.
Foge a esperança,
recordamos maus agoiros,
vivemos, e viveremos
mais uma tempestade
como se fosse a
primeira na esperança
de não ser a última.

Sentido por akma et akta

29/Jun/2006
Prolongamentos III

A vida passa,devagar
,numa amarga forma
de passar o tempo,
e com o fim do mundo mais perto,
esta sensação de
indiferença mantêm-se e consome-me,
e a maneira como sinto
é paradoxalmente
menos intensa.

E desprezo-me,e diminuo-me,
mesmo sabendo que
o fim está a chegar
e inevitavelmentechegará.

E continuo sereno
e indiferente
se esse dia chegará.

Belo ignorante
que para uns depreza
os prazeres da vida,
pensamento que ignoro
experimentar e porque talvez
este seja o destino de muitos.

Sentido por akma et akta

Prolongamentos I

Inglório
este esforço titânico

de tentar apagar os vestigios
de tão belo sentimento
do meu coração.

O dom que a vida me deu
de poder amar e ser amado,
por alguém,
terá agora de desvanecer.

Ho,
mas tantas e tão poucas
estas memórias que me
consomem com tão
grande sofrimento.

Não!
Sim!

A certeza deu lugar à indecisão.
Deixar de amar?
ou deixar este mau estar
causado por esta
tua implacável indiferença?

Ho,
pobre de mim
que sofro
como nunca sofri.

O amor que devia
dar razão à vida
mata-me sem dó.

Sentido por akma et akta

Fraco

Sou fraco.
A minha dependência
é o vicio descontrolado
na minha autodestruição
,que me tornar ainda mais fraco.

Fraco.
E se de tempos a tempos
um respirarde esperança
,como se de uma cura
se tratasse,aparec
emas que não ajuda

resulta em
mais um amigo perdido
e um inevitável retorno
a um principio,ainda mais fraco
por mais uma derrota
que carrego às costas.

Sinto-me assim cansado
e ansiando para que
isto termine,
ou pelo menos
deixe de ser errado.

Sentido por akma et akta

A SOLIDÃO. Douglas Lopes

Negra e sombria,

Uma verdade bem dura,,
Uma verdade bem fria.


A solidão também mata,

Fere, pisa e destrói,
Uma ferida que maltrata,
Uma ferida que dói.

É um pensamento que assusta,
É um medo que vive,
Uma doença que barafusta,
Uma doença que tive...

Tive, tenho e terei...

Pois nunca cura haverá,
Dela me escondo
e me esconderei,
Mas sempre ela me encontrará.

Quero continuar a viver,
A minha vida não é tão má,
Mas ela faz-me morrer

,É uma pedra que em mim há.

A solidão é essa pedra,
E é bem dura por sinal,
Eu bem que a tento destruir,
Mas fica sempre igual.

É semelhante a um fracasso
,É uma solidão relutante,E
tudo o que fiz e agora faço,
É no fim, fracassante...

Tanta tristeza me afunda,
No meu pranto de lágrimas mortas,

Deixa em mim essa mágua profunda,
De ter fechado todas as portas... ( Douglas Lopes )

Mis em : http://my.opera.com/falarapaz/blog/index.dml/tag/solidão

Segunda-feira, 25 de Junho de 2007. Cansei de solidão! Thays Lima

Cuidarei de mim para
que esta tristeza possa ter fim...
Cansei
Cansei
Não mais te procurarei!

Amizade entre nós só existe em meu coração...
Pra que insistir e sustentar tamanha ilusão
!Sofro com este sentimento sem solução...
Por isso procuro um abrigo em meio a solidão...

Não consigo
Não consigo
Te ver como a um irmão

Não quero mais teu perdão

Você é o meu olhar sem solução
Olhar este que está perdido
em meio a multidão

Não mais te procurarei

As portas do meu coraçao
novamente abrirei
E um fim nesta história
desta vez eu porei Thays Lima

Mis em : http://thays-lima.blogspot.com/2007/06/cansei-de-solido.html

A maior solidão é a do ser que não ama.

A maior solidão é a dor do ser que se ausenta,

que se defende,
que se fecha,
que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo,
no absoluto de si mesmo,
o que não dá a quem pede

o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar,
o que tem medo de ferir e ferir-se,
o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo.

Esse queima como uma lâmpada triste,
cujo reflexo entristece também tudo em torno.

Ele é a angústia do mundo que o reflete.
Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção,
as que são o patrimônio de todos,

e, encerrado em seu duro privilégio,
semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre. Vinicius de Moraes

"Há alturas na vida em que não conseguimos chorar, falar, exprimir, pôr-nos de pé. Nestes instantes, precisamos de alguém que chore por nós." ( Yan Ay )

Solidão não é a falta de alguém para conversar, namorar, passear ou amar…
Isso é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que jamais poderão voltar...
Isso é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário a que nos impomos, às vezes, para realinhar pensamentos

Isso é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe, compulsivamente, para que revejamos a nossa vida…
Isso é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
Isso é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos

e procuramos em vão pela nossa Alma!

As observações e as vivências do solitário que só fala consigo próprio são simultaneamente mais indistintas e intensas do que as do homem social e os seus pensamentos são mais graves, mais fantasiosos e nunca sem uma coloração de melancolia. Imagens e impressões que outros poriam naturalmente de lado após um olhar, um sorriso, um comentário, ocupam-no mais do que é devido, tornam-se profundas no silêncio, ganham significado, transformam-se em acontecimento, aventura, emoção. A solidão cria o original, o belo ousado e estranho cria a poesia. Mas cria também o distorcido, o desproporcionado, o absurdo e o proibido. Thomas Mann, in "Morte em Veneza"

Para o maior exemplo de vida que eu conheci, a minha avó Rosa ,uma iluminada de Deus, que tto foi Ele em ação – faz , já 15 anos que ela me deixou.

uma feliz e delicada, dedicada homenagem : a penúltima casa onde ela morou mais de 20 anos ( era de meus pais, e agora é da minha irmã ) tem o interior com a cor do seu belo nome.





Foto de hoje ,sábado na hora do almoço com a minha qrida amiga Aloísia ( de um coração admirável ,é tb a melhor cozinheira que eu conheço...)

Sexta-feira, 27 de Julho de 2007

Luz ,luz ,luz .E sabedoria excelsa.

O anjo humano.

bem jovem aos 18 nos em Pedro Leopoldo MG em 1928.


o primeiro livro em 1931 há 76 anos atrás - de pura poesia magistral

e o melhor sobre ele :







Chico Xavier psicografando um de seus últimos livros , ( o 483 !!!) em Uberaba em setembro de 2000. Observe as pontas de seus dedos, como são pontiagudas, como canais de energia. Onde o seu alquebrado,fatigado corpo por excesso quase inumano de trabalho espiritual repousa.Uberaba,MG


As PERFEITAS palavras são lições SUBLIMES e eternas : ( Yan Ay )

Ei-las :

Chico e uma Mãe Aflita

As palavras de Chico Xavier estão sempre revestidas de luz, descortinando novos caminhos para os nossos passos ... Ele é uma fonte inesgotável de bênçãos, dessedentando os corações cansados de sofrer no vale das provações humanas ... Por isto, quando ele fala, todas as vozes se emudecem e todos os ouvidos se aguçam, a fim de guardar-lhe os ensinamentos nos escrínios da própria alma.
Recordo-me de que, há muito tempo, uma mãe aflita, ao debruçar-se-lhe sobre os ombros, indagou em lágrimas:
"Chico, o que vou fazer agora da minha vida?! ... Perdi os meus filhos, Chico, num desastre ... Morreram os dois ... A minha dor é terrível ... Estou desesperada ..."
O episódio nos comovia a todos, no "Grupo Espírita da Prece", em Uberaba.
Fitando-a com os olhos igualmente repletos de lágrimas, o incansável servo do Cristo lhe respondeu:
"Filha, o nosso Emmanuel sempre me diz que a aceitação de nossos problemas, sejam eles quais forem, representa cinqüenta por cento da solução dos mesmos; os outros cinqüenta por cento vêm com o tempo ... Tenhamos paciência e fé, pois não estamos desamparados pela Bondade Divina."
Bastou que ouvisse estas palavras do Chico, para que aquela senhora se acalmasse em uma cadeira próxima, começando a refletir sobre os Desígnios de Deus.
De nossa parte, ficamos também, em silêncio, a meditar na grandeza da lição daquela hora, a respeito da aceitação do sofrimento, perguntando a nós mesmos quantas dores maiores poderíamos evitar, se nos resignássemos ante as dores aparentemente sem remédio que nos visitam no cotidiano ...
(Do livro Chico Xavier, Mediunidade e Ação, de Carlos Antônio Baccelli)

“Moisés dialogou com Jeová e Livro dos Mandamentos estabeleceu as leis primordiais da justiça entre os homens.
Jesus vem à Terra, dialoga com os discípulos, e o Evangelho brilha até hoje, traçando as normas de Reino do Amor para a elevação da Humanidade.
Kardec chega ao mundo, dialoga com os Espíritos Sábios e Benevolentes que lhe dirigem a obra, e “O livro dos Espíritos” surge por alicerce da Doutrina Espírita que renova o pensamento religioso da Terra, libertando e esclarecendo, confortando e instruindo as criaturas.
E atendendo à corrente inestancável dos ensinamentos e bênçãos das Esferas Superiores, os Vivos da Terra e os Vivos do Além continuam dialogando entre si, no trato dos interesses que dizem respeito a vida imortal.
Este volume tanto quanto outros “livros dos espíritos “, vão despontando na atualidade, fazendo-nos sentir que Deus é amor sempre, que a morte é apenas mudança, que a cada um de nós será trazido pelo tempo o fruto das próprias obras, que as portas da evolução e do trabalho estão incessantemente abertas nos campos múltiplos do Universo, e que nós todos, aqui e mais além, permaneceremos indissoluvelmente unidos no amor sem adeus.”
Emmanuel - Uberaba, 18 de abril de 1974 - 117° Aniversário de “O Livro dos Espíritos”. Do “Diálogo dos Vivos” - psicografado por Chico Xavier / J. Herculano Pires

mais em : joanadarc.wordpress.com/page/3/

Ante o 5º aniversário de desencarnação de Chico Xavier, nossa mais expressiva homenagem é, sem dúvida, a compreensão de seus esforços e testemunhos em prol de nossa sincera adesão ao serviço redentor na Seara Espírita-Cristã. A carta abaixo em que o médium se identifica como Clié e chama carinhosamente Emmanuel de Nuel, é repositório de luz e amor, revelando o quanto a obra de Emmanuel e as renúncias silenciosas de Chico compunham a melodia sublime da Caridade, em louvor do Evangelho sentido e vivido por todos. Estudemo-la, com gratidão e reconhecimento ao inesquecível servidor de Jesus!

mais em : gfiwernner.wordpress.com/chico-xavier/


"No site de comunidades virtuais Orkut, o novo termômetro de popularidade de assuntos, há 12 comunidades para falar de Allan Kardec; cinco para Chico Xavier - uma delas dedicada a discutir o livro de Souto Maior -; e mais 41 genericamente dedicadas ao espiritismo. Entre esses grupos, há desde aglomerados pequenos, de três membros, até multidões de 17 mil integrantes. Isso sem contar com os muitos blogs e sites, cada um mais mergulhado no pop que o outro. " texto completo no final do post anterior a este


Extraído o meu anterior ( e limitado emrecursos informáticos flog )



Um ser muito especial... 10/04/2006 12:09

Um tributo ao anjo maior da Luz do Pai :



Chico Xavier –

Bondade /Amor

Quem é bom, doa-se para quem vive...
Quem ama, vive para se doar;
Quem é bom, suporta a ofensa...
Quem ama, esquece-a;

Quem é bom, compadece-se do próximo...
Quem ama, ajuda-o;
Quem é bom, começa e acaba...
Quem ama, começa para nunca mais acabar;

Quem é bom, sorri...

Quem ama, faz sorrir;

Quem é bom, ajuda quando está perto...
Quem ama, sempre está perto para ajudar;


Quem é bom, não condena...

Quem ama, recebe o condenado;

Quem é bom, não faz mal a ninguém...


Quem ama, faz o bem a quem lhe faz mal;

Quem é bom, desce até os outros...
Quem ama, faz os outros subirem;


Quem é bom, sobe conosco ao calvário...

Quem ama, supliciou por nós na cruz.
Ectoplasma saindo da boca do médium Antônio Alves Feitosa e formando a aparição de Irmã Josefa, em Uberaba, 1965, na presença de Chico Xavier. Otília Diogo também aprticipou, e se encontrava sentada dentro da cabine.

Vc foi tudo isso mineiro cósmico e solar



A tanto e sempre nos iluminar inspirar



e mostrar-nos como Deus age nas infinitas facetas e sutilezas da vida :



Francisco Cândido Xavier
Feliz é o planeta por onde estiveste
O meu ser da sua luz se reveste

Sempre muito obrigado Chico !
Sua vida é uma Universidade de Luz Yan Ayrton

eternamente grato à ti..Chico...esse poço sem fundo virado para o céu
iluminado de sua sabedoria,bondade e sábia renúncia às glórias do mundo.


..Siga seu sentimento mais puro
e conhecerá o verdadeirosignificado do Amor, *** Jesus , O Cristo.***

Do excepcional , brilhante e corretíssimo livro
AS VIDAS DE CHICO XAVIER de Marcel Souto Mayor
que deveria ser leitura obrigatória e permanente para todo ser realmente inteligente : pgs 151-152

“ Chico ainda tinha muita história para contar.Como a da lagarta,que sempre dizia : - Esqueçam esta ilusão de que nós podemos voar.Isto é tudo mentira.Um dia, ela virou borboleta e saiu por aí batendo asas.
E os pássaros, coitados ? Eram sa criaturas mais infelizes do mundo quando Deus criou a Terra . Moravam no chão e bastava uma chuva para suas asas ficarem ensopadas e eles , pesados , serem devorados por outros animais.
A situação era insustentável. Eles se organizaram, formaram uma comissão, estufaram as penas e decidiram pedir socorro ao Todo-Poderoso.
Deus Ouviu e Disse :- Vcs foram as únicas criaturas as quais dei o céu. Por que não usam o dispositivo esculpido em seus corpos ?- Que dispositivo ? – perguntou um dos defensores da categoria.- As asas.
De imediato Deus ensinou os interlocutores a abrir o par de asas, tão inconveniente nas chuvas, e eles sairam voando felizes da vida. “




Agora Yan : Os homens tem asas mas a maioria não se dá conta disso.I
mpregnam-se na materialidade ,na frivolidade ,
na competição invejosa por objetivos tolos e insensatos.
Deixam-se devorar progressivamente pela mediocridade, o egoísmo e a escuridão...

Alías tecem eles mesmo essa escuridão.

E a psicoesfera planetária mais se reveste dela.

Quando realmente se lembrarem-se do seu Criador e O buscarem em sinceridade e verdade
aí poderão lembrar das asas que sempre tiveram
e poderão finalmente buscar o seu real destino de forma livre e elevada
numa viagem q se chama Vida.

Resolvi escrever algo dentro do misticismo e da teologia a mais pura....
à Grande Fraternidade Cósmica dos Mestres Ascencionados
a eles reverencio-me ao infinito....

obrigado Cristo por reinstaurar o Universo do Pai no Homem .

Título : A ÁUREA BUSCA DA ETERNA SABEDORIA

Autor >> YAN AYRTON

Para o meu tão amado ser do meu ser Rafael
a quem Deus me confiou ...

A regra áurea iluminada
Em todo o Cosmo ressoa
Baliza,sinaliza e expressa que

“ FAÇAIS AOS OUTROS
INDISTINTA E PERSISTENTEMENTE
TUDO AQUILO QUE
ESPERAS QUE FAÇAM POR TI “

Nesse ensinamento
A eterna ÉTICA do BEM e da LUZ
Concentrada ela fulgura
e emoldura a mais pura Verdade

Que traz claridade à qualquer viver
E A + FELIZ ETERNIDADE.

E faz o SER bem vencer
O orgulho e o erro

A escuridão e a solidão
E a enganosa ansiosa razão
A tudo deter
O humano aprendiz
Como um esfarelado giz
A nada escrever na Luz.

Luz bendita,em tudo infinita
Primordial e plural
Absoluta e total
Do conviver infinito
Nos planos espirituais
Tão colossais
Em dimensões fenomenais
Indistintas e intrínsecas
DO CORAÇÃO DO PAI!

E com esta bússola em meu ser
Esse preceito áureo
A ser meu cajado
Sustento,força e luz

Lá vou eu andarilho
Inspiração buscar
E então



Fecho meus olhos
Límpidos e plenos a assim me doarAo universoTão diverso

Debruçar-me e prescutar
O além infinito
Tão mais bonito
Essa descomunal pluri dimensão esfinge que eu fito ,
embavecido meio contrito

Bela,Poderosa.Gloriosa
Me atinge
meu eunão restrito.
A buscar

Ao âmago
me remeter
E nenhum medo
Ou atrito
A me deter
Nesta instãnçia
De absoluta procurãnciaINFINITA....

Ali eu caminho !!

O meu ser
Tranqüilo, sereno
Permite-se

Refugiar-se
Em sonhos e luz
Em mistério nada pequeno
-contemplar, adentrar

E bem alino reino onírico
deixar-se fikar e estarl
iberto do Tempo,
solto no vento
do consciente flutuar

Assim em eterna busca de mim

disparei a planar

célere a voar
a tentar acessar
com uma curiosidade menina
na minha procura ingente,
sempre presente
inerente a mim,
imanente, e tão permanente!


À minha sabedoria ainda tão pequenina

numa devotada perquirição

(e centrada,obstinada construçãode cada faceta dela)

Segue ali

No ilimitado ,

No bardo iluminado

Transitado
Pelos Mestres de Luz


A minha alma

sem pressa

em pura festa ,
naqueles interstícios de penetrante Conhecimento ,
compelida a buscar,
impelida a tentar descortinar
naquela inefável leveza criança
do meu ser
buscando crescer
Levitando -me
nas múltiplas moradas do Pai


Buscando com todas as forcas do meu ser

encontrar

Naquelas paragensde pura luz

onde se ressoa inexedivel

Amor includente

E a mais gloriosa

E poderosa
Grandiosa e sublime PAZ !


E lá assombrosos estão

Os Registros Akásicos -
onde toda a verdadeira
historia pessoal e coletiva da Humanidade
se encontra registrada
nos mais minuciosose desvendadores detalhes !


Orei para que alguma réstia daquela fulgurante Sabedoria
me fosse acrescentada
segundo o meu merecimento caso o tivesse....

E ao acordar
Daquela meditação
Fikou me o sentimento
A cálida impregnação


Daquele espantoso lugar

(Chamado por Paulo de Tarso O segundo Céu )

A me acalentar, iluminar
A me todo mostrar


De forma sublime

de que a unika revolução Possível

Para nós homens GERMINAR

Eh a de buscar
No mais essencial,absoluto
e decisivo esforço de cada ser


a Transmutação do egoísmo

do exclusivismo
do enganoso Poder à poder de astúcia,
e sangue ,da mentira,do engodo,
manipulação humilhação,perfídia,
terror,horror e dor,que insano
EM TUDO QUER-SE HUMANO
Em sofisticada,desnorteada
atribulada cegueira
por ai planetariamente diariamente campeia


a tentar adiar em puro obscuro Odiar

e até tentar anulara Divina Essência e


o infinito e sublime Destino de Evolução Angélica em nós!!!!

HÁ que se buscar
Sempre e sempre
Desde o nosso nascer
De uma origem divina e linda


O nosso DIVINO DESTINO

De um mais ser VIR REALMENTE A SER

E todo merecer
O AMOR GLORIOSO DO PAI


Que nos criou À sua imagem,Semelhança

E filial identidade


PARA EXPRESSAR A SUPREMA FELICIDADE

DE UM SÓ COM ELE SER!!!!

Este eh o Graal
Da iluminação final do Ser !


A regra Áurea áurea
“ FAÇAIS AOS OUTROS
INDISTINTA E PERSISTENTEMENTE
TUDO AQUILO QUE ESPERAS QUE FAÇAM POR TI “ conduz


Na mais tranfiguradora alkimia e luz

Ela fulgurante produz

A PLENITUDE INTEGRAL DO SER.

A Vida sem morte
A VIDA DENTRO DE DEUS . Yan Ayrton


PS: Talvez essa seja a minha contribuição poética, filosófico-teológica sintética mais intensa que eu já escrevi.

Muito obrigado a vc meu infatigável e ultra-bondoso anjo de guarda.

Obrigado pela clareza,pela possibilidade de ressoar,reverberar esta atemporal Realidade.

Obrigado de novo Forças de Luz do Universo , estou a estar de coração bem grato de novo à ti por me ter sugerido tão espantoso,simbólico e libertador tema, dilatando a essência da consciência de nós dois e de qualquer um que pela Regra Áurea preservar sempre à trilhar. e vive-la... .CL,madrugada inicial de setembro. YAN AYRTON

O Brasil religioso

Dossiê da revista Estudos Avançados analisa o comportamento religioso do brasileiro, cada vez menos católico, luterano e umbandista, e cada vez mais evangélico

Nesta quinta-feira (16), às 17h30, na sede do Instituto de Estudos Avançados da USP, a contadora de histórias Dôra Guimarães vai contar o conto “A terceira margem do rio”, de Guimarães Rosa, e declamar o poema “A máquina do mundo”, de Carlos Drummond de Andrade.

Assim, em prosa e verso, será aberta a cerimônia de lançamento do número 52 da revista Estudos Avançados, que desta vez traz o Dossiê Religiões no Brasil, um tema que interessa a toda a população e costuma gerar apaixonados debates e polêmicas.

Segundo Marco Antônio Coelho, editor executivo, não são as questões teológicas que interessam no momento, mas as religiões do ponto de vista da realidade social: seu impacto na sociedade, quais as que mais crescem ou mais perdem seguidores, quais apresentam elementos novos, como é o caso da Renovação Carismática Católica, ou permitem reflexões sobre a relação entre religião e ciência, tema do professor Eduardo R. Cruz, da PUC-SP, que é ao mesmo tempo filósofo e cientista da área de física nuclear.

Não serão, em regra, teólogos os autores dos estudos apresentados, mas professores de reconhecida competência, oriundos de várias áreas do conhecimento, notadamente cientistas sociais, tanto da USP como de outras universidades brasileiras, que em alguns casos acabaram atuando quase como editores associados. À PUC do Rio de Janeiro, em particular, o IEA deve a permissão de uso do Atlas da filiação religiosa e indicadores sociais no Brasil, do qual foram tirados mapas, impressos em encarte. Os editores não abriram mão de partir de dados do IBGE, que fundamentam quase todos os estudos constantes do dossiê. Houve também um esforço para recuperar tesouros do passado, a exemplo do estudo de Vivaldo da Costa Lima sobre o candomblé da Bahia na década de 1930, publicado em livro há 20 anos. Foi necessário negociar com o autor, já aos 90 anos, cortes e adaptações.O dossiê exigiu quatro meses de trabalho, mas Marco Antônio Coelho ainda não ficou plenamente satisfeito com o resultado. Reconhece algumas falhas, notadamente a falta de um levantamento da presença no Brasil do islamismo e também do judaísmo. Pelo censo, os muçulmanos são pouco numerosos no País, cerca de 20 mil. Eles não devem ser confundidos com os árabes em geral, que também podem ser católicos (principalmente os sírio-libaneses), maronitas ou ortodoxos gregos. As lacunas observadas nesta edição poderão ser sanadas posteriormente, segundo o editor executivo.

País em mutaçãoMas, afinal, qual é a maior novidade no Brasil religioso? O recenseamento demográfico de 2000 não apenas confirma a tendência observada ao longo da década anterior (1980-1991), mas revela a sua aceleração: os católicos perdem 9,4 pontos porcentuais e representam agora 73,9%, ou seja, três quartos da população do País. Ao contrário, os evangélicos crescem 6,6 pontos, sendo os pentecostais o principal fator dessa transformação. Do mesmo modo, os sem-religião cresceram 2,7 pontos, representando agora 7,4% da população.Segundo o primeiro texto do dossiê, até 1980 o Brasil era maciçamente católico. Apenas em Rondônia os evangélicos representavam 17,2% da população, sendo 7,7% de evangélicos de missão e 9,5% de pentecostais. Fenômeno parecido se observa em outras regiões da Amazônia — Acre, Amazonas, Pará, Amapá e Mato Grosso. A diversidade religiosa dizia respeito a algumas regiões e estava ligada principalmente à colonização (alemã): Espírito Santo e Sul do País.Outro fenômeno identificado no mapa— continua o texto assinado por César Romero Jacob e outros — é a participação significativa de várias cidades grandes no movimento de diversificação religiosa: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Curitiba, a periferia de São Paulo e, sobretudo, o Rio de Janeiro. A diversificação nas metrópoles se dá por um duplo movimento: avanço rápido do pentecostalismo e aumento no número de pessoas que se declaram sem religião. Os dados do IBGE indicam que somente alguns bastiões da Igreja Católica ainda resistem ao processo de diversificação religiosa, o que se observa principalmente no sertão nordestino e na maior parte de Minas Gerais, mas também no interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.Para o professor Antônio Flávio Pierucci (Sociologia-USP), “do específico ponto de vista de uma demografia religiosa, o início do século 21 vem bater como um momento de despedida. Hora de adeus — mais uma! — em que nos afastamos um pouco mais, agora mais aceleradamente e muito mais inapelavelmente, de um certo Brasil tradicional, vale dizer, do que ainda resta de Brasil tradicional no campo das religiões em nosso território... Não à toa, a antiga reza católica do Glória ao Pai concluía em palavras desejantes: ‘Assim como era no princípio, agora e sempre por todos os séculos dos séculos, amém’. Não é mais assim. Isso está acabando. Bye, bye!”.Mas a crise de tamanho não atinge só a Igreja Católica; mais duas religiões tradicionais vão perdendo adeptos: o luteranismo, a primeira das formações do antigo protestantismo a se enraizar em solo brasileiro, com as levas de imigrantes alemães no início do Império; e a umbanda, segundo Pierucci, “celebrada em prosa e verso, em música e letra, como ‘a’ religião brasileira por excelência, primeira e única, misturada mas genuína”. Apesar da incensada brasilidade, a umbanda começou a entrar em refluxo já na década de 1980 e desde então não parou de encolher aos poucos. Enquanto isso, o candomblé cresce significativamente.Segundo anota Pierucci, no maior país da “América católica” o número de evangélicos saltou de 13. 189.282 fiéis em 1991 para 26.210.545 em 2000. Tamanho duplicado

Deus é fielEmbora o dossiê da revista do IEA seja sobre a religião no Brasil, traz também reflexões sobre fatos observados em outros países, com ou sem a intervenção de brasileiros, que ajudam a entender a situação nacional. Assim, Emerson Giumbelli (UFRJ) analisa o significado do comportamento do torcedor da seleção brasileira de vôlei, na Olimpíada de Atenas, que depois da vitória desfraldou uma bandeira brasileira que continha a inscrição “Deus é fiel”. A frase, comum nas competições domésticas, é um dos indícios da religiosidade pública, algo que se associa à expansão dos evangélicos nas últimas duas décadas no Brasil e ao seu impacto social e político. No mesmo dia, um dos destaques do noticiário era o seqüestro de ocidentais por um grupo militante no Iraque. O caso envolvia jornalistas franceses. Os seqüestradores ameaçavam matá-los caso as autoridades francesas não revogassem a lei que proíbe o uso do véu muçulmano em escolas públicas. A certa altura, o autor do artigo observa que “as evidências de que a religião se tornou incontornável na atualidade não estão apenas nos noticiários, mas também em debates que colocam em questão as relações entre Estado, religião e sociedade”. Ele acompanha o trabalho da Comissão sobre a Laicidade — criada em 2003 pelo governo francês e formada por 20 membros (incluindo o intelectual Alain Touraine) — e analisa o seu relatório, que teve repercussões e consequências importantes. Em resumo (que não é do autor do artigo), o Estado francês aproveitou em parte as sugestões da comissão. No entanto, se pretendia reforçar a independência dos poderes civil e religioso, acabou funcionando como fator direto de intervenção no campo religioso. Entre as medidas anunciadas nesse sentido estão a criação de uma escola nacional de estudos islâmicos, a habilitação de capelães muçulmanos em instituições coletivas em regime de internato, a adequação de estabelecimentos públicos para atender a exigências religiosas em matéria de alimentação e rituais funerários, e a inclusão de mais dois feriados no calendário nacional francês, correspondentes a datas sagradas no judaísmo e no islamismo.

Acredito, uai Um texto assinado por Alexandre Cardoso (UFMG) conta a história de uma pesquisa realizada nos anos 2001 e 2002 em Belo Horizonte e que funcionaria como projeto piloto para outras pesquisas semelhantes em Pequim, Varsóvia, Cidade do Cabo e Detroit, neste ano. Alguns grupos dirigidos por professores da UFMG planejaram a pesquisa, cada um no seu tema. Na questão religiosa, os pesquisadores queriam obter dados não apenas sobre o “pertencimento religioso” das pessoas, mas também sobre seus envolvimentos institucionais com as igrejas e mágicos “profissionais”, bem como sobre o universo das crenças mágico-religiosas e até mesmo de poderes mágicos que admitissem ter.

Foi dada aos entrevistados uma relação de palavras, ou coisas sobre as quais deveriam se manifestar, tais como Deus, Bíblia, demônio, Nossa Senhora, santos, poder das orações, espírito, feitiço, horóscopo e seres extraterrestres. Algumas conclusões iniciais da pesquisa, adiantadas pelo autor do estudo: “Diríamos, pelos nossos dados, que a diversidade é relativa e amplamente dominada pelas tradições cristãs. Com efeito, concedendo-se que a crença em espíritos pode ser integrada ao cosmo cristão, esse perfez 80,1% das crenças admitidas na amostra”. Entre os mineiros, 52% assistem, assistiram ou estão dispostos a assistir a uma missa (porcentagem que Cardoso considera pequena demais para a mais católica das capitais brasileiras); 39% frequentam, freqüentaram ou estão dispostos a freqüentar um culto evangélico (número maior do que se poderia imaginar); 18,8% se declaram dispostos a participar de reuniões espíritas (número alto, que pode indicar uma peculiaridade do mineiro ou do belo-horizontino); 15,3% disseram que já recorreram a serviços de astrólogos, cartomantes, mães e pais-de-santo, ou algum tipo de vidente (caso a investigar e avaliar o poder da magia entre os brasileiros). Os dados indicam ainda que aproximadamente um terço das pessoas da amostra acredita possuir o dom da premonição; um sétimo, o da mediunidade e praticamente todas, o da fé. Tudo isso, segundo o autor do texto, denota fortíssimo componente mágico em nossa religiosidade, com implicações importantes. Luiz Alberto Gómez de Souza (sociólogo atuante no Rio de Janeiro, antigo militante da Ação Católica) escreve sobre “As várias faces da Igreja Católica”, ressaltando as datas históricas, os movimentos transformadores e as personagens de maior destaque em cada período: 1922 e seguintes (Centro Dom Vital, Ação Católica, Tradição, Família e Propriedade ); 1932 (Ação Integralista Brasileira); 1930 a 1945 (Dom Hélder Câmara e os movimentos católicos da juventude); 1952 (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil); 1960 (Movimento Educação de Base); 1956 (Sudene, com a participação da Igreja); 1964 (golpe militar, Igreja dividida). Segundo Souza, a Igreja Católica vive hoje uma contradição interna e ele conclui : “Talvez, hoje, estejamos mais próximos da Igreja do começo dos anos de 50, final do pontificado de Pio 12, do que dos tempos do Papa João 23 e do Vaticano 2o”.

Carismáticos Se a Igreja Católica vai perdendo fiéis, é certo que uma parte dela cresce e atua com vigor nunca visto. É a Renovação Carismática Católica (RCC), que piedosamente se opõe às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e ao estilo da igreja que surgiu na fase áurea das teologias inspiradas na Libertação. Segundo Edênio Valle (PUC-SP), a RCC é a principal representante de um segmento que tenta levar a Igreja Católica a assumir um caráter mais intimista e pietista que social, negligenciando o seu papel na sociedade. O autor argumenta que os carismáticos são decorrência da norte-americanização da cultura brasileira. “Constato que o way of life dos americanos atingiu praticamente todos os aspectos e estilos de nosso modo de viver, comer, trabalhar e usar o tempo livre... O comportamento religioso brasileiro não poderia escapar à pressão global que nos chega do poderoso irmão do Norte.” Valle acrescenta que esse lídimo produto norte-americano “tem progenitores ianques pelos seus dois lados, pelo do pai (o pentecostalismo) e pela mãe (o catolicismo americano em busca de novas vias de expressão)”. Outra influência teria sido dos Cursilhos da Cristandade, movimento espanhol que introduziu na igreja técnicas fortes que mexem com o emocional do grupo. Se aparentemente as práticas dos carismáticos se confundem com as dos pentecostais, a RCC soube introduzir elementos de diferenciação, notadamente os que os seus adeptos chamam “as três brancuras”, isto é, Nossa Senhora, a Eucaristia e o papa. Com isso, diz o autor do estudo, a identidade católica da RCC foi garantida e é reforçada agora por três armas de extraordinário poder de fogo: a centralidade da Bíblia e de Jesus Cristo, a manifestação livre de carismas na comunidade em festa e as curas e exorcismos, vistos como comprovação do poder de Deus. A RCC está organizada em todo o País e possui uma máquina que funciona dentro de razoáveis padrões de modernidade. Nesse contexto, foi importante o surgimento de figuras carismáticas de grande prestígio na mídia. Os mais conhecidos, lembra Valle, são os padres cantores, os fundadores de organizações e os pregadores de TV ou rádio. “O católico médio, hoje em dia, dificilmente saberá o nome do presidente da CNBB, mas todos sabem quem é o padre Marcelo.” Ainda sobre esse padre, o autor do artigo diz que o acordo entre o sacerdote e a Globo permitiu que realizasse uma grande proeza, a de reunir em um mesmo lugar 2 milhões de pessoas para um culto religioso, sem esquecer que leva a sua mensagem a outros milhões de telespectadores pela televisão. E acrescenta: “Esse efeito extraordinário não pode ser explicado apenas pelo talento evangelizador do padre Marcelo”. Edênio Valle considera que as congregações religiosas, o mais importante esteio da Igreja Católica no passado, encontram dificuldades em se adaptar às exigências de um “mercado religioso” dominado pelos carismáticos. “Suas obras tradicionais (colégios, hospitais, instituições sociais, paróquias) se tornam verdadeiros elefantes brancos que apresentam sua resposta aos desafios presentes da evangelização.” Sobre a expansão pentecostal no Brasil escreve Ricardo Mariano (FFLCH-USP).

Principal igreja nessa modalidade, a Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Bezerra Macedo, teve expansão recorde: entre 1980 e 1999, o número de templos cresceu 2.600%. Desde o início, o pastor adotou a evangelização eletrônica como carro-chefe de sua estratégia proselitista e não demorou muito para comprar, em 1990, a Rede Record. Com tendência liberalizante, a igreja só não tolera a prática do fumo, do álcool, das drogas e do sexo extraconjugal. Houve tempos em que se desencadeou uma série de críticas e acusações ao missionário, em razão de seus métodos heterodoxos de arrecadação, agressão física contra adeptos dos cultos afro-brasileiros e investimentos empresariais milionários.

O bispo chegou mesmo a ser detido pela polícia quando tentava embarcar para o exterior levando muitos dólares cuja origem não conseguia explicar convincentemente. MIGUEL GLUGOSKI

em : Jornal da USP . 13 a 19 de dezembro de 2004 de : www.usp.br/.../arquivo/2004/jusp711/pag1011.htm


MATERIALIZAÇÃO DE ESPÍRITOS dom, 16 de julho, 2006

A materialização de espíritos é um dos aspectos mais interessantes estudados no espiritismo, mas não é "propriedade" desta doutrina em particular. A vinculação se deu porque, nos primórdios do espiritismo, ainda na França, o fenômeno foi muito estudado e ganhou publicidade e respaldo de cientistas, que viam no espiritismo um novo ramo da ciência. Antes disso, os fatos a esse respeito eram vistos com reservas e segredos (e depois disso também, aliás, e o melhor exemplo é o Museu das Almas do Purgatório, ( clike para acessa-lo) pertencente à Igreja Católica e que quase nenhum católico conhece).
Em ocasiões especiais (e não me perguntem quais, pois ainda não sei) um espírito faz-se visível a nós, encarnados, sem a necessidade de um médium. Algumas vezes só para uma pessoa, como o que eu vi (e pode ser o caso dessa pessoa ter uma mediunidade aguçada), outras vezes para todos, indistintamente. O processo envolve uma "baixa" na vibração do corpo espiritual, grosso modo como um disco de cores do Newton, que ao diminuir sua rotação podemos divisar as cores que até então não víamos. Para o caso dos espíritos, ainda não há uma explicação científica aceitável, mas pelo que se sabe isso envolve a reunião dos fluidos vitais (algo parecido com a nossa "energia animal") de um médium ou de um grupo de pessoas para tornar o espírito um pouco mais... "vivo".
Em outros casos, o espírito utiliza-se de uma "cobertura" de ectoplasma, um líquido viscoso produzido pelo corpo e que sai de dentro do médium por TODOS os orifícios (urgh) e por algum motivo é moldável com o pensamento. Achou que isso só existia no filme Os Caça-Fantasmas? ERROU! A matéria que compõe o (saudoso) Geléia foi batizada por Charles Richet de Ectoplasma (do greo ektós, fora, exterior, e Plasma). É uma substância viscosa, esbranquiçada, quase transparente, com reflexos leitosos, evanescente sob a luz, e que tem propriedades químicas semelhantes às do corpo físico do médium, donde provém. Quimicamente, ela possui muita semelhança com a massa protoplásmica, é extremamente sensível a eletricidade e magnetismo, podendo ser moldável pelo pensamento e vontade do médium que o exterioriza, ou dos Espíritos desencarnados, podendo assim eles atuarem sobre a matéria.
O aspecto diáfano e pouco detalhado dessas aparições se caracteriza pela própria natureza da materialização ectoplasmática: é como se você embrulhasse uma comida com um filme plástico, só vai ser vista as formas grosseiras, nunca os detalhes. Outro método dos espíritos deixarem suas marcas é mergulhando a "mão espiritual" deles em cera quente. O resultado é que aparece DO NADA o molde de uma mão, ou uma rosa (eu já vi uma rosa dessas num centro espírita) ou qualquer coisa que o espírito plasmar com o pensamento.
Vários médicos e cientistas analisaram, à época de Kardec, o fenômeno da materialização. Vários métodos para evitar fraudes, muitos humilhantes para o médium (como amarrá-lo e deixá-lo nu) foram feitos, e mesmo assim as materializações ocorriam. Já em 1870, o conceituado físico e químico inglês William Crookes, descobridor do elemento "Talio" (TI) e membro da Sociedade Real Inglesa, estudou o fenômeno. Tudo começou quando o cientista decidiu acabar de vez com aquela idéia absurda de que "espíritos" poderiam se materializar. "Vou provar tratar-se de uma ilusão vulgar", anunciou. Mais de três anos após o início de suas pesquisas, Florence Cook - uma médium de 17 anos considerada um fenômeno na sua época, mas que havia sofrido denúncia de fraude - ofereceu-se a Crookes e sua esposa para ser pesquisada, aceitando quaisquer condições. O relatório escrito pelo cientista era quase uma heresia. A adolescente, quando em transe, liberava tanto ectoplasma que dava vida a uma outra forma feminina: Kate King, capaz de andar e falar por mais de duas horas seguidas. Florence era baixa e morena. Kate era alta, loura e aparentava ter 35 anos. O relato era minucioso e apresentava até as pulsações, completamente diferentes, da viva e da morta. Para arrematar, Crookes, anexou à sua narrativa 48 fotografias.
Segundo Gabriel Delanne, "William Crookes foi, na Europa, o primeiro cientista que teve o valor de comprovar, escrupulosamente, as afirmações dos espíritas. Muito cético, a princípio, suas investigações o conduziram progressivamente à convicção de que esses fenômenos são verdadeiros e não titubeou um único momento em proclamar, em alto e bom som, a certeza em que resultou o seu trabalho. A partir de então outros pesquisadores o seguiram, como Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Frederic William Myers, Richard Hodgson seguem pela senda aberta. Na Alemanha, cientistas eminentes como Friedrich Zöllner, Weber, Ulrici, o dr. Frièze e Carl Du Prel rendem-se à verdade que passam a defender. Na Rússia, Aksakof e Butlerof (da Universidade de São Petersburgo). Na Itália, o professor Falconer, Chialia, Broffério, Finzi, Schiaparelli e o próprio César Lombroso são levados a confessar a exatidão dos fenômenos que antes punham em dúvida. Na França, Gibier, Richet, De Rochas e Camille Flamarion comprovam a mediunidade de Eusápia Paladino."
Flamarion, conceituadíssimo astrônomo francês - para muitos cientistas considerado o "Carl Sagan do século XIX" - conterrâneo e amigo pessoal de Allan Kardec, afirmou:


"Porque, senhores, o Espiritismo não é uma religião, mas uma ciência, da qual apenas conhecemos o ABC. O tempo dos dogmas terminou. A Natureza abarca o Universo. O próprio Deus, que outrora foi feito à imagem do homem, não pode ser considerado pela Metafísica moderna senão como um espírito na Natureza. O sobrenatural não existe. As manifestações obtidas através dos médiuns, como as do magnetismo e do sonambulismo, são de ordem natural e devem ser severamente submetidas ao controle da experiência. Não há mais milagres. Assistimos à aurora de uma Ciência desconhecida." (...)


"Aquele cuja visão é limitada pelo orgulho ou pelo preconceito e não compreendem esses desejos ansiosos de nossos pensamentos, ávidos de conhecimentos, que atirem sobre tal gênero de estudos o sarcasmo ou o anátema! Nós erguemos mais alto as nossas contemplações!"


Estranho que as mentes mais brilhantes de sua geração tenham sido enganadas em diversos países com jogos de espelho e truques baratos... Afinal, esse é o pensamento da comunidade científica atual que, ao contrário de seus brilhantes antecessores, não se interessam por esses assuntos "transcendentais".
Seja como for, o fenômeno não parou com a falta de interesse. Apenas foi relegado ao ostracismo, até que Chico Xavier e outros poderosos médiuns pudessem ser o veículo para dar ao Brasil demonstrações dramáticas de que a vida continua.


Um deles era Francisco Peixoto Lins, o Peixotinho. Convidado a ir a Uberaba, ele se apresentou a Chico Xavier e uma seleta platéia, que incluía o delegado de polícia paulista R. A. Ranieri. Marcel Souto Maior nos relata o ocorrido, no livro As Vidas de Chico Xavier:


"Às oito da noite em ponto, uma lâmpada vermelha iluminou a platéia. Mais de quinze pessoas, entre elas Chico Xavier, iniciaram o rito, de acordo com o regulamento espírita: leitura de trechos evangélicos, seguida de comentários, "para atrair espíritos de ordem superior", acompanhada por música clássica, "para facilitar a aglutinação fluídica" e conduzir os participantes a uma vibração positiva. Ave Maria, de Gounod, tomou conta do ambiente. Da cabine onde estava Peixotinho saíram clarões coloridos. O corredor foi atingido por reflexos verdes, roxos e azuis. De repente, apareceu na sala um visitante fluorescente. Diante de olhos atônitos, alguns deles desconfiados, começou o desfile de assombrações.


Um dos perplexos na platéia era o delegado de polícia paulista R. A. Ranieri. Naquela noite, ele foi surpreendido pela visita de uma réplica iluminada de sua filha, Heleninha, morta três anos antes, com dois anos de idade. A garota "saiu" do corpo de Peixotinho e "ressuscitou", quase em neon, com a mesma fisionomia e estatura dos tempos de viva e com a voz semelhante à original. Cumprimentou o pai e colocou nas mãos dele uma flor brilhante.Era ela, sem dúvida nenhuma - garantiu Ranieri.E exigiu credibilidade.Ficou tão convencido da autenticidade dos fenômenos que escreveu um livro sobre o assunto, intitulado "Materializações Luminosas".
O espetáculo durou pouco e foi até bem comportado perto dos shows promovidos por Peixotinho no Rio. As experiências realizadas por ele e acompanhadas por Ranieri na capital eram ainda mais espetaculares. Algumas vezes, duas latas, com capacidade para vinte litros cada, ficavam lado a lado na cabine onde o médium dava à luz seres invisíveis. Numa delas, parafina dissolvida fervia sobre um fogareiro aceso, à temperatura de até cem graus centígrados. A outra ficava cheia de água fria. As criaturas iluminadas enfiavam as mãos e os pés nas latas de parafina fervente e, depois, as mergulhavam na água. Resultado: esculturas perfeitas. As surpresas se sucediam. Frases ditas pelos espectadores viravam, em segundos, letreiros luminosos suspensos no ar."
Em outra ocasião, em Pedro Leopoldo, a cabine onde fica o médium doador de ectoplasma, antes indevassável, foi aberta ao fotógrafo Henrique Ferraz Filho. O ectoplasma, expelido pela boca e ouvidos do médium Peixotinho, assumia forma humana e adquiria voz. Quando Henrique disparava o flash, não via nada ou ninguém diante dele. Mas, ao revelar o filme, a aparição estava lá. Na noite de 2 de maio, a Rolleyflex registrou o corpo estranho de um senhor carrancudo envolto em uma espécie de manto vaporoso. No verso da fotografia, Chico Xavier escreveu:'Na cabine habitual das sessões de materialização, tivemos a felicidade de receber a visita do irmão Camerino, desencarnado na cidade de Macaé...Francisco Cândido Xavier'.


Ninguém conseguiu provar a existência de truques nas sessões de materialização em Pedro Leopoldo nem de montagem nas fotos. Chico "assinou embaixo" de várias delas.
Em 1952-53, Chico Xavier se animou a realizar ele também sessões de materializações. Chico se deitava na cama em um quarto próximo à sala, as rezas começavam, a música enchia a sala e o desfile de aparições surpreendia os espectadores. As criaturas iluminadas eram mais etéreas, menos sólidas, do que as geradas por Peixotinho em seus espetáculos. Numa das noites, um dos espectadores e amigos de Chico, Arnaldo Rocha, recebeu a visita de Maria José de São Domingos Ramalho Rocha, sua mãe. Quando viva, ela tratava os filhos como "vidrinhos de cheiro" e tinha a mania de pousar as mãos na cabeça deles. Em sua versão fluorescente, ela repetiu os hábitos estranhos. O filho quis saber se ela conservava também a mania de cheirar rapé. A aparição riu, negou e mostrou a tabaqueira vazia.


Em outra noitada, uma senhora fulgurante, coberta por véus, saiu do cubículo onde estava Chico e iluminou a sala de visitas com uma jóia fosforescente. André Xavier identificou a recém-chegada: era Cidália, mãe dele, segunda mulher de João Cândido. Antes de sair, a madrasta de Chico deixou um rastro de perfume no ar. De repente, uma nova fragrância invadiu a sala e uma figura elegante entrou em cena.


Era Meimei, ex-mulher de Arnaldo. Ela cumprimentou a todos e pediu que a "pessoa necessitada" se aproximasse. Um jovem tuberculoso se levantou da cadeira. A aparição envolveu seu peito com cordões fosforescentes. A radioatividade, livre dos efeitos negativos do rádio, poderia curar.

Em seguida, um sujeito com pose austera, enfiado numa toga romana de tonalidade azul, surgiu na sala com uma tocha acesa numa das mãos. Em tom grave, afirmou: Amigos, o que acabastes de ver e de ouvir representa maiores responsabilidades sobre os vossos ombros.

Era Emmanuel.

Logo, ele sumiu e abriu alas para nova onda de perfumes. A recém-chegada era bem mais atraente e simpática. Loira, jovial, respondia pelo nome de Sheilla e falava com forte sotaque alemão. Um dos espectadores, diante da enfermeira morta na Segunda Guerra, tratou de fazer uma consulta médica: - Eu me sinto mal. - Você come muita manteiga. Ela pediu que o paciente levantasse a camisa. Iria fazer uma radiografia do seu estômago. Sheilla se aproximou e, com os dedos semi-abertos, apalpou a região do estômago em sentido horizontal. Os espectadores ficaram perplexos. De repente, a barriga do paciente ficou transparente e todos puderam ver suas vísceras em funcionamento. Sheilla se limitou a informar: - Agora levarei a radiografia ao Plano Espiritual para que a estudem e lhe dêem um remédio.

O FIM DAS MATERIALIZAÇÕES VIA CHICO XAVIER

Em 1953, Chico estava na cabine quando a sala foi iluminada por uma espécie de relâmpago.

Segundo o livro Mandato de Amor: "Já era bem tarde, Chico ainda estava na cabine, quando se materializou uma entidade, cujo porte e luminosidade demonstraram-nos grande superioridade. A porta por onde adentrou o recinto evidenciou-lhe a estatura elevada. Profundo silêncio se fez, embora sussurros se fizessem ouvir:— Emmanuel?!?

Ali estava o abnegado servidor de Cristo, o ex-senador romano!

Arnaldo Rocha assim descreve a profunda emoção causada pela materialização daquela singular e inesquecível presença: A materialização de Emmanuel foi magnífica! Emmanuel é um belíssimo tipo de homem. Atlético, alto, provavelmente 1 metro e 90 centímetros de altura. Sua voz clara, forte, baritonada, suave mas enérgica, impressionou-nos muito. O andar e os gestos elegantes, simples, porém aristocráticos. No grande e largo tórax um luzeiro multicolorido. Na mão direita, erguida, trazia uma tocha luminescente e sua presença sempre irradiava paz, harmonia, beleza e felicidade."
E ele falou a todos:- Amigos, a materialização é fenômeno que pode deslumbrar alguns companheiros e até beneficiá-los com a cura física. Mas o livro é chuva que fertiliza lavouras imensas, alcançando milhões de almas. Rogo aos amigos a suspensão destas reuniões a partir desse momento.
Pelo visto, a espiritualidade só permitiu essas materializações para atrair o interessa para a doutrina espírita. De fato, não faz muito sentido espíritos ficarem se exibindo para satisfazer a curiosidade humana, a menos que isso sirva para que os humanos se interessem em estudar, progredir, mudar suas atitudes menos nobres, e foi por isso que depois disso Chico se dedicou apenas a psicografar. E psicografou muito.

Eu Yan permito te acrescentar : QUASE 500 LIVROS ....abençoados e ultra -minuciosos [ vejam or ex a série da saga de André Luiz que se inicia com "Nosso Lar" em 1939 e prossegue com mais 15 obras sequenciais concliundo com "E a vida continua" em 1958.

De um nível de sabedoria científica e espiritual absolutamente espantoso ...Comecei os ler aos 13 anos.foram absolutamente luminares e essenciais para mim Yan .experimentem le-los , e vossa vida terá a luz da verdade cósmica .

O CASO OTÍLIA

A proibição não o impediu de assistir a casos de materialização. Foi o que ele fez em 1963, ao acompanhar as aparições advindas da médium Otília Diogo. Uma das que mais apareciam era uma freira, a "Irmã Josefa". Repórteres da revista O Cruzeiro foram chamados a acompanhar os trabalhos em duas oportunidades, no final de 63 e começo de 64, mas a sanha por sensacionalismo da revista fez com que os repórteres agissem de má fé, criando um verdadeiro escândalo de proporções nacionais e que levanta dúvidas nos espíritas até hoje.
Dúvidas que o livro
Materializações de Uberaba, de Jorge Rizzini, pretende esclarecer. Segundo ele, o livro "retrata, com riqueza de detalhes, a campanha da revista O Cruzeiro que transformou propositalmente em farsa as famosas materializações da freira de Uberaba. Chico Xavier e 19 médicos viram-se envolvidos em um escândalo que abalou o movimento espírita mundial. Este livro histórico de Jorge Rizzini restaura a verdade. Reproduz os debates na TV e o laudo da Polícia Técnica de São Paulo que refuta o da Polícia do Rio de Janeiro."
Acompanhemos todo o caso, passo a passo, para podermos tirar nossas próprias conclusões:
O QUE EU VI EM UBERABA ATRAVÉS DE OTÍLIA DIOGO
Extraído do livro Materializações em Uberaba, de Jorge Rizzini. Ed. Livro Fácil - Nova Luz Editora. Fotos de Nedyr Mendes da Rocha (quem puder obter a edição de 1964, da Edicel, terá melhores fotos do que a atual)
Ectoplasma saindo da boca (blerg!) do médium Antônio Alves Feitosa e formando a aparição de Irmã Josefa, em Uberaba, 1965, na presença de Chico Xavier. Otília Diogo também aprticipou, e se encontrava sentada dentro da cabine.Dias após fazer publicar em um semanário de São Paulo uma reportagem sobre Dna. Otília Diogo e as materializações através de sua mediunidade (éramos, então, chefe de reportagem da Edição Extra) foi o autor deste livro convidado por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira a assistir, em Uberaba, sessões com a referida médium de efeitos físicos. Era o primeiro contato que teríamos com Dna. Otília Diogo, e ansiávamos por ele. Minha incumbência específica era registrar em um
documentário cinematográfico o encontro da médium com os médicos, com Chico e Waldo, etc. e, assim ampliar a Filmoteca Allan Kardec, criada por nós.
No dia marcado, em companhia do psiquiatra Alberto Calvo, dirigi-me a Uberaba, levando comigo a aparelhagem de filmar. A sessão a que assisti foi realizada no pequeno consultório médico de Waldo Vieira. E em condições capazes de evitar possibilidade de fraude. Rigorismo absoluto, inclusive entre os próprios médicos. Basta recordar que a ninguém foi permitido entrar na sala dos trabalhos trazendo lenço e nem relógio no pulso. Ainda mais: fomos obrigados a entrar na sessão sem paletó... e sem gravata! Quanto a médium Otília Diogo, devia trocar de roupa: ao invés do vestido colorido, que usavam, devia ela vestir uma camisola negra, exclusivamente. A cautela se justificava: é que o espírito de Irmã Josefa se materializa como freira, vestida totalmente de branco. A jornalista associada, Wanda Marlene, foi incumbida pelos médicos de acompanhar dna. Otília Diogo ao compartimento contíguo ao consultório e fiscalizar, também, a troca de roupa. Era a primeira vez que a jornalista se defrontava com a médium.
No consultório do médico Waldo Vieira estavam instaladas nove
máquinas fotográficas: os espíritos que porventura se materializassem seriam fotografados em nove ângulos diferentes para exame e confronto. No teto, o flash eletrônico. Viam-se, também, barômetros, balanças, etc. Frente às cadeiras, dispostas em fila para os assistentes, uma jaula de aço confeccionada em Uberaba; idêntica às que se vê nos jardins zoológicos e da qual (sem exagero) nem mesmo uma pantera ou um leão poderiam escapar. Jaula esta destinada aos médiuns.
Após verificação da temperatura do ambiente e pesagem de todos os presentes, foram introduzidos na referida jaula Otília Diogo, coberta por uma camisola de cor negra, e o Sr. Feitosa. Em seguida foram amarrados pelos próprios médicos. Nos pés, foram colocadas fortes correias com cadeados; nos pulsos, ao invés de correias, algemas policiais prendendo também o braço da cadeira. Algemas do tipo espanhol: quanto mais o preso procura libertar-se, mais apertam os pulsos.
Penalizou-me ver Dna. Otília Diogo naquela situação humilhante: vestida com roupa preta, dentro de uma jaula e algemada, como uma criminosa. Mas, a mesma pedira aos médicos rigor excessivo na fiscalização de sua pessoa, e esse pe-dido ela o fez com espontaneidade admirável, pois médium autêntica que é, sujeita-se a tudo, sem nada temer. Tudo pronto, os médicos sentaram-se em seus lugares. Waldo Vieira leu um trecho do Evangelho, abrindo em nome de Deus a reunião e, em seguida, foi apagada a lâmpada do consultório. A sala ficou em escuridão total.
A pedidos, Francisco Cândido Xavier, ao nosso lado, fez uma lindíssima prece, citando várias vezes o nome de Jesus. Terminada esta, a expectativa pareceu crescer. Algo aconteceria ou não? O mundo espiritual se faria presente ali?
Acredito que todos estivessem duvidando. Quanto a mim acostumado a ver embusteiros fantasiados de "fenômeno", confesso que, não sei porque, não acreditava nos dons mediúnicos de Dna. Otília... E muitíssimo menos nos do Sr. Feitosa. Aquelas algemas policiais... A jaula zoológica... Os dezenove médicos, todos atentos com os olhos arregalados...
Mas, para grande espanto nosso, de súbito ouvimos no lado esquerdo da jaula, onde se encontrava Dna. Otília Diogo, ruídos estranhos... Ruídos guturais. Deram a impressão de alguém estava a extrair algo da boca da médium. Dna. Otília gemia. Era o transe que se iniciava. Segundos depois, começou a liberação do ectoplasma; não apenas pela boca, mas também pelos ouvidos e nariz. Agora , o ruído que chegava até nós modificou-se: palavras initeligíveis passaram a ser proferidas. Palavras gritadas. Evidentemente, o espírito manifestante estava a experimentar a garganta recém-formada com o ectoplasma fornecido pela médium.
Materialização de Irmã Josefa. Clique
aqui para ver mais fotosQue estava por suceder? E, imediatamente, mãos invisíveis puseram em movimento a vitrola localizada fora da Jaula e, ato contínuo, sob a luz de uma pequenina lâmpada vermelha, diante dos dezenove médicos surgiu a materialização total do espírito de Irmã Josefa: magnífica, toda vestida de branco, com roupa de freira. Trazia uma luz na fronte e no tórax.
- Viva Jesus! - disse ela, alegre, e sua voz com timbre brilhante e, no entanto, suavíssimo (oposto ao da médium) ecoou pelo consultório.- Viva Jesus! - responderam todos, deslumbrados com o fenômeno.E Irmã Josefa tornou a repetir, com seu sotaque alemão:- Viva Jesus!E esparziu sobre todos gotas de perfume. O ambiente parecia etéreo, não obstante vinte e poucas pessoas respirando e transpirando dentro de uma pequena sala hermeticamente fechada a cadeados.- Sabem porque estou aqui entre vocês, meus filhos? Para dar provas de que a morte não existe. Provas verdadeiras de que todos vocês são imortais.
E Irmã Josefa, mostrando-se muito feliz, deu em verdade provas magníficas. Permitiu dezenas de fotografias; entre elas, várias curiosas, como por exemplo, uma que mostra seu corpo ectoplásmico sendo interpenetrado pelas grades da jaula. Outro fenômeno curioso, foi o transporte de três fitas coloridas para o consultório. Essas fitas de pano foram colocadas na palma da mão de Chico Xavier e, entre Chico Xavier e Irmã Josefa havia uma distância de, pelo menos, três metros; o espírito, no entanto, para colocar as fitas na mão de Chico Xavier, não caminhou um passo! Seu braço ectoplásmico é que se alongou. Nessa noite memorável, também se materializou através de Dna. Otília o espírito de Alberto Veloso, ex-médico da marinha. Materialização integral. Antes, fez-se anunciar no recinto esparzindo gotas de éter. Foi inúmeras vezes fotografado. Também o espírito de uma criança, sem se deixar ver, conversou com os presentes. Em seguida, materializou uma gaita e tocou-a, permitindo que nós outros (inclusive eu) a examinássemos. A gaita teria uns quinze centímetros de comprimento e cinco de altura.
Por tudo o que nos foi dado ver, podemos afirmar: dna. Otília Diogo nos faz lembrar as médiuns do passado Eusápia Paladino, que também era analfabeta, Mme. D'Esperance nos seus grandes momentos de mediunidade. Principalmente, D'Esperance; inclusive, pela sua comovedora simplicidade, fora do normal. Infelizmente, Antônio Alves Feitosa, dentro da jaula algemado, nada pode oferecer aos médicos no complexo campo da mediunidade.
Esse trabalho em Uberaba, dias depois foi repetido na residência do autor deste livro. Mas, em condições privilegiadas: não foi necessário o uso intermitente da lâmpada vermelha, que as materializações de Alberto Veloso e Irmã Josefa, em nossa sala de visitas, se verificaram sob a luz branca, indireta e contínua. Iluminação excessiva; e, no entanto, Alberto Veloso, nessa noite, apresentou-se diante de nós sem véus. Com uma nitidez espantosa.
Aqui termina o que podemos chamar de primeira fase do nosso histórico. Foi ela redigida a fim de que o leitor se inteire de fatos paralelos ao escândalo de O Cruzeiro e tome conhecimento de detalhes que vão esclarecer (ainda mais) certas questões que adiante serão levantadas.
OS REPÓRTERES DA REVISTA O CRUZEIRO EM UBERABA
Agora, é chegado o momento de tocarmos em um ponto fundamental: o intrometimento da revista O Cruzeiro nas experimentações de ectoplasmia, em Uberaba.
A primeira reportagem (a favor das experiências) com catorze páginas ilustradas, traz a assinatura de José Franco e foi feita com o sentido de conquistar a simpatia dos dezenove médicos que examinaram a médium Otília Diogo. Essa primeira reportagem, porém, nasceu como?
Por incrível que pareça, de um programa de televisão... O repórter assistiu ao programa organizado por Wanda Marlene na TV Itacorumy, ouviu o depoimento de alguns médicos, viu diversas fotografias pelo vídeo e foi aos estúdios buscar o material para a reportagem, que recebeu o nome de "Fenômenos de Materialização".
Aqui começa a irresponsabilidade da revista O Cruzeiro: publicar uma vasta reportagem sobre materialização de espíritos, ilustrada com quinze fotografias, algumas ocupando página inteira, sem que seu autor, José Franco, tivesse, pelo menos, conhecimento do local das sessões!
Absurdo, evidentemente, em se tratando de uma revista que pretende ser mais ou menos honesta. Mas, má fé já estava patente nessa primeira reportagem; porque José Franco, ao fim da mesma, deu destaque à seguinte "nota do repórter" e para a qual chamo a atenção do leitor:
"Não houve neste texto (escreve o repórter) do princípio ao fim, nenhuma frase que denunciasse a opinião do repórter. Esta será expedida em outra ocasião, se me for dada a oportunidade de presenciar, com os próprios olhos, as pesquisas que a numerosa equipe médica procede na cidade de Uberaba"
Os médicos (psicologicamente pressionados por essa reportagem) se viram obrigados a convidar José Franco para uma sessão experimental com Dna. Otília Diogo. José Franco respondeu que se faria acompanhar de uma testemunha, um outro repórter de nome José Nicolau. E a data da experimentação foi marcada, que já não era possível aos médicos voltar atrás... Se desfizessem o compromisso, fatalmente seriam massacrados pela revista como "embusteiros", etc.
No dia da sessão, porém, tiveram os médicos uma surpresa: ao invés de apenas José Franco e uma testemunha José Nicolau, surgiu em Uberaba, vindo do Rio de Janeiro, um bando de repórteres e fotógrafos, "para assistir aos trabalhos".
É evidente, portanto, que a trama de O Cruzeiro já estava preparada.
Era impossível recuar; e os médicos, sem saber o que iria acontecer (mas, apoiados espiritualmente com a presença de Chico Xavier) entraram no consultório de Waldo Vieira acompanhados de Jorge Audi, Henri Ballot, José Franco, Mário Moraes, Paulo Miranda, José Nicolau e Nilo Oliveira. Ao todo, sete repórteres e fotógrafos de uma revista sensacionalista. Participaram, também, dos trabalhos Cleusa Soares e a valorosa Wanda Marlene, ambas da TV Itacolomy, de Belo Horizonte. (A sessão foi realizada na noite de 3 de janeiro de 1964).
O que foi essa sessão, vamos narrar agora; sem minúcias, mas com base em depoimentos.
Estavam presentes no consultório do Dr. Waldo Vieira (local da experimentação) treze médicos, alguns professores de faculdades. Eram eles: Dr. Eurípedes Tahan Vieira, Dr. Cleomar Borges de Oliveira, Dr. Adroaldo Modesto Gil, Dr. Alberto Calvo, Dr. Adelor Alves Gouveia, Dr. Waldo Vieira, Dr. Oswaldo de Castro, Dr. Elias Barbosa, Dr. Armando Valente de Couto, Dr. José Américo Junqueira de Mattos, Dr. Ismael Ferreira da Rezende, Dr. Milton Skaff e Dr. Sebastião de Mello, que dirigiu a sessão propriamente dita.
Treze médicos, mas a fiscalização foi entregue aos repórteres. Foi-lhes dada, para isso, ampla liberdade de ação. Começaram eles examinando, através de batidas, as paredes do consultório; depois, o teto, o piso, a porta. O ventilador e o exaustor também passaram por um revisão: por dentro e por fora. Nada de suspeito encontraram. Os próprios médicos foram revistados pelos Jornalistas; inclusive, os sapatos e, mais detidamente, os saltos de borracha...Talvez com uma pressão pulasse o salto do sapato de um médico mancomunado com Dna. Otília Diogo e surgisse o vestuário enorme da freira...
Quanto a Francisco Cândido Xavier, que participava da reunião apenas na qualidade de assistente, teve as roupas um pouco mais policialmente examinadas. Era tal a desconfiança que inspirava, que os bolsos de sua calça foram destruídos: alguém levantara a hipótese de que a vestimenta da freira poderia estar escondida na calça do médium mineiro...
Para completar a fiscalização, o próprio Dr. Adelor Alves Gouveia aconselhou que se colocasse no ombro de cada participante um pedaço de esparadrapo fosforescente a fim de evitar-se movimentos suspeitos no consultório. Isso também foi feito.
Médicos e consultório revistados com perícia pela equipe de repórteres, restava, agora, um exame completo em Dna. Otília Diogo. Já sabe o leitor que ela é uma senhora humilde, sem nenhuma instrução (não sabe sequer ler e escrever) e que a exemplo dos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, se sujeita a qualquer tipo de experimentação; inclusive, a exigida pela equipe de O Cruzeiro...
Antes de entrar na sala dos trabalhos, foi ela submetida a um exame (por razões óbvias) feito pelo Dr. Ismael Ferreira de Resende. Em seguida, para evitar qualquer suspeita de fraude, convidada a vestir uma camisola negra, visto que a roupa da freira materializada é totalmente branca, dos pés a cabeça. Tanto o exame no corpo de Dna. Otília Diogo como a troca de roupa foram feitos na presença dos repórteres Mário Moraes e Jorge Audi. Absurdo, evidentemente, mas era preciso que a verdade espiritual se manifestasse límpida e cristalina naquela noite.
Comprovado que nada de suspeito havia no corpo e nas vestes da famosa médium, foi ela conduzida ao consultório onde todos a aguardavam. A cadeira destinada a médium era do tipo "espreguiçadeira". Estava solidamente fixada ao solo, pois fora chumbada com cimento! Tranqüila, dona Otília Diogo acomodou-se e os repórteres, imediatamente, procederam a sua prisão.
Nilo Oliveira, ex-reporter policial, comandou esse trabalho. Com grossas correias a médium teve as pernas presas aos pés da cadeira. Nas correias, cadeados; e, cobrindo a fechadura dos mesmos, teve ainda o arguto Nilo Oliveira o cuidado de colocar tiras de esparadrapo, todas elas com a sua rubrica. Mas, os repórteres não comem gato por lebre: o corpo de Dna. Otília não poderia ter movimentos livres...E fizeram uso de novas correias, as quais levaram a força o corpo da médium ao encosto da cadeira; prendendo essas correias, foram colocados novos cadeados envolvidos em esparadrapos, também rubricados por Nilo Oliveira. Pés e tronco presos, restavam apenas as mãos de Dna. Otília Diogo: para impedir-lhes qualquer ação, estava reservada uma algema policial, que foi colocada nos pulsos pelo ex-reporter policial.
Tudo em perfeita ordem, os repórteres, já combinados entre si, distribuíram-se, estrategicamente, pelo consultório. Paulo Miranda foi incumbido de policiar a porta da entrada. Quanto a Nilo Oliveira, recusou-se a ficar no consultório, explicando:- Se alguma coisa aparecer aqui dentro, é porque veio do lado de fora. Eu e o nosso motorista ficaremos vigiando o prédio.
Fechada a porta, foram as lâmpadas do consultório apagadas.
Dr. Sebastião de Mello, após fazer uma breve explanação sobre os fenômenos que certamente iriam se verificar, pediu a Francisco Cândido Xavier que abrisse a sessão com uma prece.
A experimentação foi cronometrada pelo Dr. Adroaldo Modesto Gil e teve início, exatamente, às 21:05 hs. Cinco minutos depois, porém, já a notável médium entrou em transe: primeiro, gemidos, em seguida liberação do ectoplasma pela boca, ouvidos e nariz. As 21,20 hs. (dez minutos depois) surgiu o primeiro fenômeno: aspersão de perfume em forma de chuva leve sobre os repórteres (aviso de que Irmã Josefa iria materializar-se). Sete minutos após a "chuva", com espanto observaram todos o segundo fenômeno: uma luminosidade movimentando-se nas proximidades da médium, a qual se mantinha em sono profundo. A luminosidade continuou em movimento e um minuto depois foi constatado o terceiro fenômeno: uma voz feminina ecoou no consultório. Voz com timbre metálico, porém suave, meigo.
Os repórteres, é óbvio, começavam a assustar-se.
Sete minutos após a "voz direta", para espanto e admiração de todos, foi visto o quarto fenômeno, magnífico e notável: a aparição de uma forma feminina, vestida com um volumoso e complicado traje branco de freira, trazendo luz na fronte e no tórax. E no peito um crucifixo com cerca de dez centímetros de altura. Era Irmã Josefa.
O ambiente vibratório não era dos melhores, mas, ainda assim, Irmã Josefa se manteve materializada durante meia hora. Além das provas que precederam sua aparição tangível, deu ela ainda outras: conversou com os repórteres e fotógrafos durante trinta minutos, permitiu que lhe tocassem o corpo, deixou-se fotografar ao lado de Mário Moraes, Jorge Audi e José Franco.
A conversa inteira entre Irmã Josefa e os repórteres foi registrada no gravador do Dr. Eurípedes Tahan Vieira. A fita magnética foi emprestada ao autor desta obra, que a ouviu, atentamente. Durante a conversa, houve momentos curiosos. Como este, por exemplo : estavam sendo batidas fotografias, quando um dos fotógrafos disse a Irmã Josefa:- Eu gostaria de tirar uma foto sua em pose especial. A senhora não quer abrir os braços?
Irmã Josefa captou imediatamente o pensamento do fotógrafo e respondeu, com seu sotaque alemão: - Oh, que bonita... Está pensando que meu braço é braço de Otília...
E, abaixando a voz, acrescentou: - Eu vou abrir os braços... Faço isso de coração. Pronto...
E, antes do flash explodir, Irmã Josefa exclamou, alegre: - Viva Jesus!
Essa foto prova que Irmã Josefa é independente da médium; em termos, é óbvio.
Materialização total de Alberto Veloso no consultório do Dr. Waldo Vieira
A cara de assustado do repórter é simplesmente impagável...Minutos depois de Irmã Josefa desaparecer, verificou-se no pequeno consultório o quinto fenômeno: de súbito, caiu sobre todos os presentes uma chuva leve de éter (prenúncio de que o espírito de Alberto Veloso iria também materializar-se). Um minuto depois, o fato deslumbrante foi visto. Como de costume, apresentou-se com barbas e vestido, por assim dizer, à moda oriental. Durante nada menos que quarenta minutos o ex-médico da marinha se manteve no ambiente. Foi inúmeras vezes fotografado. De pé e com os braços abertos. Em certo momento, para provar a Nilo Oliveira, que se encontrava do lado de fora, que algo de notável estava se processando dentro do consultório, jogou éter no exaustor. Ao respirar o éter, o repórter certamente pensou: "Dna. Otília conseguiu esconder um vidro de éter e nós não percebemos!" Ao terminar a sessão, Nilo Oliveira entrou no consultório e, bastante surpreso, encontrou a médium na posição exata em que a deixara: sentada, algemada e... presa com correias e cadeados. Libertou-a, depois de constatar, cuidadoso, que todas as tiras de esparadrapo que cobriam as fechaduras continham a sua assinatura. Mas um outro repórter não se conteve e quis examinar, mais uma vez, a roupa preta que os médicos haviam dado a Dna. Otília. Forçou-a, rasgou-a: a médium, na revista O Cruzeiro, aparece de soutien! Um dos fotógrafos bateu inesperadamente uma foto...
Ainda sob a emoção, diversos repórteres deixaram suas impressões sobre os fenômenos no gravador do Dr. Eurípedes Tahan Vieira. Vamos transcreve-las, integralmente, e na ordem cronológica, a fim de que o leitor possa compará-las com os depoimentos que, dias depois, publicaram na revista O Cruzeiro.
"Eu, Nilo Oliveira, posso declarar que algemei a Dna. Otília, médium que atuou nesta sessão, rubriquei e colei o esparadrapo na fechadura dos cadeados e tomei conta do exterior da casa onde se realizava esta sessão. Não observei absolutamente nada de anormal por fora. E terminada a sessão, penetrei na sala E ENCONTREI TUDO COMO HAVIA DEIXADO: a Dna. Otília algemada, tendo eu desfeito a algema, aberto os cadeados e encontrado as rubricas que havia feito anteriormente."
"Eu (diz agora Mário Moraes) repórter de O Cruzeiro, declaro que assisti uma experimentação realmente estranha: NUNCA HAVIA VISTO NADA IGUAL, e é lógico que não sendo estudioso da matéria, NÃO TENHO EXPLICAÇÃO PARA O QUE VI. Passo a partir desse momento a me interessar pelo problema: procurarei no futuro próximo talvez dar uma explicação para o fato."
"É difícil (confessa Henri Ballot) dar uma explicação... É a primeira vez que eu assisti a uma sessão assim... Eu fiquei SURPREENDIDO pelo fenômeno, que a primeira vista não se vê uma explicação plausível.... Deve haver uma, não há dúvida. Eu tenho algumas idéias a respeito disso. Mas não tenho autoridade para falar."
"Sinceramente (diz o repórter José Franco) após essa reunião não sei o que dizer; fiquei bastante IMPRESSIONADO COM O FENÔMENO, mas ainda tenho uma explicação a respeito."
"Eu assisti a uma dessas sessões realizadas em Uberaba (diz Audi) e é REALMENTE ESPETACULAR; nós procuramos de toda forma encontrar alguma falha, algum defeito, alguma coisa que pudesse denunciar anormalidade. E, naturalmente, vai depender de algum raciocínio e, se possível, uma outra oportunidade em que a gente possa ter mais chance de observar melhor o fenômeno. No momento, o que eu posso dizer é que, para mim, FOI UMA COISA INÉDITA! EU JAMAIS HAVIA ASSISTIDO COISA IGUAL, embora na vida de um repórter essas emoções são quase que diárias. Essas emoções novas e violentas são já um lugar comum na vida de um repórter. Posso afirmar que é realmente QUALQUER COISA ASSIM EMOCIONANTE. Agora, eu gostaria de ter mais contato e mais oportunidade PARA PODER FAZER UM RACIOCÍNIO MAIS ABSOLUTO."
Essas, as declarações dos repórteres logo após a sessão com a notável médium Dna. Otília Diogo.
Depois, porém....
O ESCÂNDALO DE "O CRUZEIRO" E A MISSÃO DE IRMÃ JOSEFA
A sessão de Uberaba parecia haver terminado bem; o depoimento vibrante dos repórteres, aliás, deixa evidente que os jornalistas ficaram profundamente emocionados com o que viram e ouviram na famosa experimentação com a médium Otília Diogo. Em verdade, Irmã Josefa deu aos repórteres algumas das mais importantes provas da imortalidade do espírito. No entanto, dias depois, a revista O Cruzeiro divulgou em todo o Brasil uma reportagem (primeira de uma extensa série) assinada por seis dos sete repórteres e intitulada... "A Farsa da Materialização": uma reportagem enorme, com catorze páginas, arrasando a médium, os médicos e as reportagens subsequentes, os repórteres se tornaram ainda mais agressivos (para efeito de sensacionalismo) e taxaram os médicos de mistificadores, levianos, escroques, petulantes, gangsters (...) etc.
Essa formidanda campanha de O Cruzeiro contra o Espiritismo teve a duração de quase três meses consecutivos! Ocupou onze números seguidos da revista! Nos onze números, foram gastas cerca de setenta paginas compactas... Ilustraram a campanha um total de oitenta e sete fotografias!
Foi, em verdade, o maior golpe sofrido pelo Espiritismo, por enquanto, em toda a América do Sul!
No grande escândalo, o nome venerável de Francisco Cândido Xavier Também foi envolvido.
Vejamos as principais acusações da revista O Cruzeiro que pretenderam transformar em farsa as materializações de Uberaba:
1) O espírito masculino de Alberto Veloso se materializa com seios 2) Em baixo do turbante de Alberto Veloso se esconde uma vasta cabeleira 3) O ectoplasma que sai da boca, ouvidos e nariz de Otília Diogo é um chumaço de pano branco 4) A roupa das formas materializadas é uma só 5) A roupa das formas materializadas apresentam marcas nítidas de confecção mecânica: sinais de dobragem e costuras 6) O fio da "roupa" de Irmã Josefa, encontrado após a sessão, não era fio ectoplásmico 7) Apenas a barba diferencia Otília Diogo de Alberto Veloso 8) Otília Diogo não é filha de Irmã Josefa, e sim de Dna. Maria Luisa Barbosa 9) Otília Diogo tinha os pés praticamente soltos, após a sessão. 10) Dr. Waldo Vieira não permitiu aos repórteres o uso de infravermelho 11) As algemas e cadeados eram de propriedade dos médicos 12) Os repórteres não examinaram, antes da sessão, o corpo e as vestes da médium Otília Diogo. 13) Nilo Oliveira não pode, a sua maneira,
manietar a médium 14) Os Drs. Alberto Calvo e Oswaldo de Castro também manietaram Dna. Otília Diogo 15) Os repórteres não tiveram liberdade para escolher suas cadeiras na sala de experimentação 16) A vitrola, durante a sessão, não tocou (?)17) O espírito de Alberto Veloso não fala18) Irmã Josefa disse, em determinado momento, que tinha apenas um dado materializado, mas na verdade tinha ela os cinco19) As roupas das materializações apresentam vincos e dobraduras 20) As materializações, sob a luz, projetam sombras nas paredes 21) As fotografias das materializações são truques grosseiros 22) Há coleta de dinheiro nas sessões científicas 23) Nos pés de Otília Diogo, pós a sessão de Uberaba, existiam resquícios do círculo de giz feito pelos médicos 24) Não foi permitida a prova do talco 25) Chico Xavier estava "falsamente inebriado" ao lado da Irmã Josefa, em uma fotografia 26) Waldo Vieira prometeu aos repórteres inúmeras sessões com a médium Otília Diogo 27) A virgindade de Irmã Josefa é indiscutível 28) Otília Diogo abandonou vilmente o marido e filhos 29) Documentos "oficiais" provam que a materialização de Uberaba é farsa
Antes de refutarmos as acusações, digamos que essas reportagens de O Cruzeiro abalaram profundamente os espíritas de todo o país e, por mais estranho que pareça, a convicção de alguns líderes... Não obstante, Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, dois médiuns notáveis e impolutos, colunas mestras da mediunidade no Brasil (instrumentos de Emmanuel e André Luís) estarem presentes à experimentação. Esse fato, por si só, deveria ser, pelo menos para os "líderes", uma garantia da autenticidade dos fenômenos. E, apesar dos espíritas, em geral, saberem, perfeitamente, que a revista O Cruzeiro sempre foi inimiga declarada e feroz da Doutrina de Allan Kardec. Ou será, santo Deus, que não nos serviu de lição a reportagem que David Nasser (hoje, um dos diretores de O Cruzeiro) fez há alguns anos ridicularizando Francisco Cândido Xavier e o Espiritismo ?!
Aproveitamos o momento para responder à pergunta, que, certamente, o leitor já formulou: Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira já foram avisados pelos Guias espirituais que a sessão com os repórteres iria transformar-se em escândalo nacional?
A resposta, em se tratando de dois médiuns missionários e com grande responsabilidade na evolução do Espiritismo no Brasil, só poderia, evidentemente, ser esta: o mundo espiritual os avisou. Mas, não podiam recuar; porque os escândalos, em nosso planeta, são necessários...
Lembremo-nos de que o próprio Cristo serviu de escândalo.... para o bem do cristianismo!
Quanto a Irmã Josefa, podemos dar nosso testemunho de que também ela sabia do que estava por suceder; e, com antecedência de meses!
Recordo-me de que em Uberaba, quando ainda não nos passava pela mente o nome da revista O Cruzeiro, Irmã Josefa, materializada, dirigiu-se nestes termos a Wanda Marlene, da TV Itacolomy de Belo Horizonte e notável defensora do Espiritismo:- Você, minha filha, vai ser soldado de Irmã Josefa. Você gosta de ser soldado de Irmã Josefa?
Naquele momento, ninguém entendeu nem deu importância as palavras proféticas de Irmã Josefa... Se as sessões de materialização, em Uberaba, estavam se processando na mais absoluta calma e tranqüilidade...
Também, em minha residência, em São Paulo, Irmã Josefa, plenamente materializada, disse, dirigindo-se a mim:- Você vai ser mais que um soldado de Irmã Josefa.... Você gosta, Rizzini?
Respondi automaticamente que sim; não me ocorreu interrogar a entidade... Mas, um ou dois meses depois, abria a revista O Cruzeiro guerra contra Irmã Josefa e as experiências de Uberaba: e a verdade é que nós, e Wanda Marlene, na qualidade de soldados, entramos na luta - e na linha de frente!
Já agora, na mente do leitor, se delineia a difícil missão confiada ao admirável espírito de Irmã Josefa: sacudir (e trazer) a consciência de todo o povo brasileiro para os problemas fundamentais da imortalidade. Irmã Josefa, como vimos, estava perfeitamente consciente dessa missão. Missão árdua, repetimos, pois materializando-se, como freira, agitou o clero da terra e o clero do espaço... Para bem cumprir a missão (apoiada por Emmanuel e André Luís) tinha ela de, pacientemente, criar uma série de circunstâncias: aproximar a médium Otília Diogo de Chico Xavier e Waldo Vieira, cujos nomes já eram famosos no campo da mediunidade; reunir em Uberaba uma equipe médica que se responsabilizasse cientificamente pela sua materialização e de Alberto Veloso, espírito que podemos considerar como seu assistente. Mas, esse trabalho, apenas, não bastaria: era necessária a presença de divulgação! Agora, um outro detalhe importante que mostra a inteligência e a argúcia dos espíritos: a revista O Cruzeiro chegou em Uberaba representada não apenas por um jornalista, mas por uma equipe formada por... sete repórteres! Não se tem notícia de um tema para reportagem que exigisse a colaboração de tantos jornalistas...
Prontos os preparativos, presentes às materializações os sete repórteres da mais importante revista brasileira, os fenômenos se desenrolaram e... dias depois, a consciência popular foi violentamente despertada para os problemas espirituais; inclusive, a consciência dos espíritas adormecidos e vacilantes... e sem posição firmada!
Com a revista O Cruzeiro Irmã Josefa atingiu o objetivo. E o resultado, indiscutível, é que durante a publicação da extensa série de reportagens sensacionalistas todo o povo se interessou pelo Espiritismo; e como se vendeu no Brasil livro espírita - principalmente, os que relatam fenômenos da mediunidade! Quem o diz é o próprio Departamento Editorial da Federação Espírita Brasileira. Diversas edições se esgotaram em poucas semanas... Nesse sentido, o "caso Otília Diogo" nada fica a dever ao "caso Arigó".
Mas, paralelamente ao escândalo, era preciso promover a defesa da autenticidade das materializações de Uberaba, de acordo com o plano de Irmã Josefa. E, para alegria nossa, em um local de São Paulo, recebemos das mãos de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira o material de que necessitávamos: a fita magnética que contém as declarações dos repórteres, fotocópias, filmes, fotografias, etc. E, inclusive, a roupa especial que a médium Otília Diogo usava durante a experimentação, e que foi violentada.
Agora, restava-nos, apenas, cumprir a obrigação.
E foi o que fizemos, com a ajuda dos mentores espirituais.
Fim dos trechos do livro. Para ler mais, existe um relato mais completo do livro Materializações de Uberaba
aqui
Luciano do Anjos e Jorge Rizzini, em programas televisivos, desmascaram a fraude dos repórteres e expuseram tudo o que eles fizeram de errado. A desmoralização foi total, tanto que, num ato de desespero, até invocaram um repto de honra, que simplesmente foi desconsiderado pelos médicos, médium e Chico.
Seis anos depois, Otília Diogo foi presa com uma maleta recheada de roupas utilizadas nas "materializações". O hábito de irmã Josefa também estava lá. A transformista confessou até mesmo ter pago uma cirurgia plástica facial com exibições "espíritas" na casa do cirurgião. Atrás das grades, desta vez numa delegacia, ela explicou ter
perdido a mediunidade em 1965, um ano após as sessões em Uberaba. Não se conformou e decidiu apelar para truques. Chico Xavier, em entrevista à revista O Cruzeiro, voltou a definir todo médium como "uma criatura humana, com defeitos, qualidades e anseios humanos". Para ele, havia os espíritas capazes de superar as vaidades e viver para o outro e havia, também, aqueles que não suportavam os baques "reservados por Deus como provação". O fato não inviabiliza a sessão de materialização que os repórteres e médicos testemunharam.
Referência: Materialização do bispo de SP;Materialização (Ectoplasmia);Casos de materialização;Análise do ectoplasma;Sobre o ectoplasma;Casos analisados por cientistas no Séc XIX

continua de forma belíssima

em :http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2006/07/materializacao.html

Bravo Acid ! O seu trabalho em busca da disseminação e democratização do VERDADEIRO conhecimento é maravilhoso e único ! Yan muito grato à ti .Sempre !

RECORDANDO o dia em festa [ a manhã que o Brasil tornou-se pentacampeão de futebol no Japão ] que a alma de Chico deixou o seu amado Brasil e retornou aos céus

Uberaba, 02 de Junho de 2002

“Amigos para sempre” marca o adeus ao médium Chico Xavier

O líder espírita mundial Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), será sepultado hoje, às 17h, no Cemitério São João Batista, e homenageado com honras militares.

Segundo estatísticas da Polícia Militar, durante o dia de ontem, até por volta das 19h30, cerca de 45 mil pessoas passaram pela urna onde está sendo velado o corpo de Chico Xavier, uma média de 2.500 pessoas por hora. Cinco pessoas chegaram a passar mal e foram socorridas pelo Corpo de Bombeiros e levadas até o pronto-socorro do Hospital Escola, sendo medicadas e liberadas.
A reportagem do Jornal da Manhã esteve na tarde de ontem na galeria, no Cemitério São João Batista, onde será sepultado o médium. De acordo com informações obtidas junto ao comandante do 4º BPM, tenente-coronel Kappel, haverá um controle rigoroso, mas todas as pessoas que quiserem acompanhar o cortejo poderão fazê-lo, sem problema. Kappel disse ainda que, durante todo o percurso dentro das dependências do cemitério, haverá um cordão de isolamento com policiais, para garantir a proteção de pessoas idosas e principalmente crianças.
Já o comandante do Corpo de Bombeiros, major Mateus Queiroz, afirmou que, durante todo o dia de hoje, uma viatura resgate, uma ambulância e outra do 4º BPM e uma ambulância da Secretaria de Saúde de Uberaba estarão de prontidão na porta da Casa da Prece, para socorrer pessoas que por ventura vierem a passar mal.
O cortejo sairá da Casa da Prece às 17h, levando o caixão de Chico Xavier em cima do caminhão do Corpo de Bombeiros. Descerá pela Rua Segismundo Pereira, entrará pela Avenida Edilson Lamartine Mendes, seguirá pela Avenida Nenê Sabino e vai parar no portão principal do Cemitério São João Batista.
Segundo apurou nossa reportagem, o caixão com o corpo do médium descerá e será colocado em uma espécie de carrinho, onde a banda do 4º BPM tocará a música “Amigos para Sempre” e, logo em seguida, militares da Polícia Militar darão três salvas de tiros. Finalizando, a mesma banda tocará em homenagem a Chico Xavier a música “Nossa Senhora”.
Feitas as merecidas homenagens, o cortejo descerá pela quadra C, virará à esquerda na quadra H e seguirá sentido até a quadra O, onde Chico será sepultado na galeria de nº 623. A estimativa por parte da Polícia Militar é de que, durante todo o velório de Chico Xavier, cerca de 120 mil pessoas passem pelo local. (Reportagem: Jornal da Manhã)continua em ; http://www.nossosaopaulo.com.br/Espiritismo/Chico_Xavier.htm

Autor de mais de quinhentos livros psicografados. Chico Xavier começou a receber mensagens em 1927.

No ano seguinte descobriu qual seria sua missão.

Dona Carmen Perácico(mãe) teve uma visão em janeiro: Uma chuva de livros caia sobre a cabeça do jovem”Eu não tinha qualquer pensamento a respeito do assunto e, não tenho tendo ouvido bem a palavra livros, prostetei, alegando que não merecia, de modo algum , que os espíritos protetores me trouxessem lírios”, disse Chico a Dona Carmen.
Esclarecido o equívoco, continuou sua tarefa. Em 1931, houve o seu primeiro encontro com o espírito Emmanuel, que já o orientava. Chico rezava às margens de um açude quando viu uma cruz muito bonita e seu protetor. Com o passar dos anos, este espírito estabeleceu uma parceria com Chico. Em 1932, era lançado o primeiro livro recebido por Chico:Parnaso de além túmulo”, com poemas de 18 poetas mortos, em 400 páginas em estilo muito parecido com os dois grandes poetas como Olavo Bilac e Castro Alves. Outro espírito, André Luiz, que havia sido um médico brasileiro, transmitiu a Chico uma série de obras. Num dos livros, descreve Nosso Lar, uma cidade do mundo dos espíritos.
A partir daí foram dezenas de outros escritos: mensagens, romances, releituras dos Evangelhos e estudos filosóficos e científicos que lhe seriam ditados por diversos espíritos-escritores. Chico Xavier mudou-se para Uberaba em 1959, quando a fama de líder espiritual já se espalhava pelo País e exterior.
Na cidade do Triângulo Mineiro, o médium fundou uma comunidade espírita cristãs e, paralelamente às constantes visitas que fazia a pessoas pobres, iniciou sua obra social. Chico Xavier faleceu aos 92 anos em Uberaba, Minas Gerais dia 30 de Junho de 2002. Matéria extraída do jornal o Estado de São Paulo, em ocasião do falecimento do médium.

Chico Xavier psicografando um de seus últimos livros em Uberaba em setembro de 2000. Observe as pontas de seus dedos, como são pontiagudas, como canais de energia.

PALAVRAS MINHAS Francisco Cândido Xavier

“Nasci em Pedro Leopoldo, Minas, em 1910. E até aqui, julgo que os meus atos perante a sociedade da minha terra são expressões do pensamento de uma alma sincera e leal, que acima de tudo ama a verdade; e creio mesmo que todos os que me conhecem podem dar testemunho da minha vida repleta de árdua dificuldades, e mesmo de sofrimentos.Filho de um lar muito pobre, órfão de mãe aos cinco anos, tenho experimentado toda a classe de aborrecimentos na vida e não venho ao campo da publicidade para fazer um nome, porque a dor há muito já me convenceu da inutilidade das bagatelas que são ainda tão estimadas neste mundo. Matriculando-me, quando contava oito anos, num grupo escolar, pude chegar até ao fim do curso primário, estudando apenas uma pequena parte do dia e trabalhando numa fábrica de tecidos, das quinze horas às duas da manhã; cheguei quase a adoecer com um regime tão rigoroso; porém, essa situação modificou-se em 1923, quando então consegui um emprego no comércio, com um salário diminuto, onde o serviço dura das sete às vinte horas, mas onde o trabalho é menos rude... Nunca pude aprender senão alguns rudimentos de aritmética, história e vernáculo, como o são as lições das escolas primárias. O meu ambiente, pois, foi sempre alheio à literatura; ambiente de pobreza, de desconforto, de penosos deveres, sobrecarregado de trabalhos para angariar o pão cotidiano, onde se não pode pensar em letras. ... minha família era católica e eu não podia escapar aos sentimentos dos meus. Até 1927, todos nós não admitíamos outras verdades além das proclamadas pelo Catolicismo; mas, eis que uma das minhas irmãs, em maio do ano referido, foi acometida de terrível obsessão; a medicina foi impotente para conceder-lhe uma pequenina melhora sequer........ Foi quando decidimos solicitar o auxílio de um distinto amigo, espírita convicto, o Sr. José Hermínio Perácio, que caridosamente se prontificou a ajudar-nos com a sua boa vontade e o seu esforço....... Aí, sob os seus caridosos cuidados e da sua Exma. esposa D. Cármem Pena Perácio, médium dotada de raras faculdades, minha irmã hauria, para nosso benefício, os ensinamentos sublimes da formosa doutrina dos mensageiros divinos; foi nesse ambiente onde imperavam os sentimentos cristãos de dois corações profundamente generosos, ...... que a minha mãe, que regressara ao Além em 1915, deixando-nos mergulhados em imorredoura saudade, começou a ditar-nos os seus conselhos salutares, por intermédio da esposa do nosso amigo, entrando em pormenores da nossa vida íntima, que essa senhora desconhecia. Até a grafia era absolutamente igual à que a nossa genitora usava, quando na Terra. Sobre esses fatos e essas provas irrefutáveis solidificamos a nossa fé, que se tornou inabalável. Em breve minha irmã regressava a nosso lar cheia de saúde e feliz, integrada no conhecimento da luz que deveria daí por diante nortear os nossos passos na vida. Resolvemos, então, com ingentes sacrifícios, reunir um núcleo de crentes para estudo e difusão da doutrina, e foi nessas reuniões que me desenvolvi como médium escrevente, semimecânico, sentindo-me muito feliz por se me apresentar essa oportunidade de progredir, datando daí o ingresso do meu humilde nome nos jornais espíritas, para onde comecei a escrever sob a inspiração dos bondosos mentores espirituais que nos assistiam. ... Continuei recebendo as idéias dos mesmos amigos de sempre, nas reuniões, psicografando-as, e que eram continuamente fragmentos de prosa sobre os Evangelhos. Somente duas vezes recebi comunicações em versos simples. Em agosto, porém, do corrente ano, apesar de muito a contragosto de minha parte, porque jamais nutri a pretensão de entrar em contacto com essas entidades elevadas, por conhecer as minhas imperfeições, comecei a receber a série de poesias que aqui vão publicadas, assinadas por nomes respeitáveis. Serão das personalidades que as assinam? – é o que não posso afiançar. O que posso afirmar, categoricamente, é que, em consciência, não posso dizer que são minhas, porque não despendi nenhum esforço intelectual ao grafa-las no papel. A sensação que sempre senti, ao escrevê-las, era a de que vigorosa mão impulsionava a minha. Doutras vezes, parecia-me ter em frente um volume imaterial, onde eu as lia e copiava; e doutras, que alguém mas ditava aos ouvidos, experimentando sempre no braço ao psicografa-las, a sensação de fluidos elétricos que o envolvessem, acontecendo o mesmo com o cérebro, que se me afigurava invadido por incalculável número de vibrações indefiníveis. Certas vezes, esse estado atingia o auge, e o interessante é que parecia-me haver ficado sem o corpo, não sentindo, por momentos, as menores impressões físicas. É o que experimento, fisicamente, quanto ao fenômeno que se produz freqüentemente comigo. Julgo do meu dever declarar que nunca evoquei quem quer que fosse; essas produções chegaram-me sempre espontaneamente, sem que eu ou meus companheiros de trabalhos as provocássemos e jamais se pronunciou, em particular, o nome de qualquer dos comunicantes, em nossas preces. Passavam-se às vezes mais de dez dias, sem que se produzisse escrito algum, e dia houve em que se receberam mais de três produções literárias de uma só vez. Grande parte delas foram escritas fora das reuniões e tenho tido ocasiões de observar que, quanto menor o número de assistentes melhor o resultado obtido. Terei feito compreender, a quem me lê, a verdade como de fato ela é? Creio que não. Em alguns despertarei sentimentos de piedade e, noutros, rizinhos ridiculizadores. Há de haver, porém, alguém que encontre consolação nestas páginas humildes. Um desses que haja, entre mil dos primeiros, e dou-me por compensado do meu trabalho.

Pedro Leopoldo, dezembro de 1931. Francisco Cândido Xavier

FRANCISCO CANDIDO XAVIER . Os céus se multiplicando em um ser.

Uma vida contada a muitas mãos
Autor de mais de 400 títulos espíritas, Chico Xavier pouco escreveu sobre si mesmo.

Dois prefácios, escritos nos anos 30, foram os únicos documentos encontrados17.

Há, porém, inúmeras biografias produzidas ao longo de sua carreira que compilam casos, episódios e eventos contados, em primeira mão, pelo próprio Chico Xavier. Assim, por meio de terceiros a sua narrativa foi transformada numa espécie de "história oficial"18.
Uma das características desse relato é que ele se constrói em torno de uma única chave: a do sofrimento. Essa categoria narrativa estabelece laços de continuidade entre as etapas fundamentais de sua carreira e trajetória pessoal, cuja estrutura reproduz o modelo hagiográfico: 1) a fase profana, período que engloba a sua infância e adolescência, é marcada por conflitos surgidos no âmbito familiar e das relações primárias. Nessa etapa o modo de interpretação da experiência mediúnica é característico: tal como na história de vida de outros médiuns, esta é uma experiênciarejeitada; 2) a conversão ao Espiritismo marca o início de uma nova etapa, de liminaridade, em que o afastamento domundo é sinalizado pela tensão entre projetos pessoais e a imposição de um rígido programa de disciplinamento moral e de manejo dos "dons"; 3) a consolidação de sua liderança no campo espírita, associada à produção literária intensa, marca simbolicamente o itinerário de retorno
19. Nessa etapa, assumindo a vida como cumprimento de uma missão, a renúncia a projetos de caráter pessoal se consolida fazendo-se acompanhar da produção de um estilo de vida exemplar.
Nesse percurso o confronto inicial com o imaginário católico e, posteriormente, a reinterpretação e apropriação de idéias e práticas deste constituem uma marca fundamental. Esse processo não envolve, porém, apenas a incorporação de práticas do Catolicismo popular, mas também do Catolicismo institucional, eclesiástico, o que se torna sobretudo relevante na terceira etapa de sua trajetória como se verá adiante. (Sandra Jacqueline Stoll)

Nascido a 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, Chico Xavier teve uma educação eminentemente católica como era corrente entre os moradores do lugar. Mas já na infância, segundo seus relatos, começaram a ocorrer as primeiras manifestações de "contato com os espíritos".
O evento propulsor foi a morte de sua mãe, fato ocorrido em 1915, quando ele tinha apenas cinco anos. João Cândido, seu pai, era vendedor de bilhetes de loteria e viajava muito. Vendo- se, portanto, sem condições de criar os filhos sozinho resolveu distribuí-los entre parentes e vizinhos. Chico Xavier foi entregue à Rita de Cássia, sua madrinha, mais tarde sarcasticamente por ele definida como "grande educadora". De acordo com seus relatos ela o surrava com vara de marmelo todos os dias. Muitas vezes sem motivo. Os castigos, porém, aumentaram depois que ele contou-lhe "ter visto e conversado com a mãe no fundo do quintal". A partir daí, além da surras, a madrinha passou a dar-lhe garfadas na barriga acusando-o, em função de suas "conversas com os mortos", de "ter parte com o diabo". Esse suplício durou dois anos.
Depois disso Chico voltou a morar com o pai, que se casara novamente. A reestruturação da vida familiar não interrompeu, porém, a ocorrência das "visões". Segundo se conta, freqüentemente ele "levantava no meio da noite, batia papo com fantasmas e muitas vezes estragava o café da manhã do pai com notícias de parentes mortos e descrições de viagens por cenários fantásticos" (Souto Maior, 1995: 16). Essas experiências ele também relatava, em confissão, ao padre Scarzelli, pároco da cidade.
Sua madrasta, Cidália, com quem ele conversava nos fins de tarde ao pé do tanque, por inúmeras vezes ouviu-o dizer que "via próximas ao varal figuras cobertas com mantos coloridos" (: 17). Ela, segundo se conta, dava-lhe crédito, ao contrário de dona Rosária, sua professora primária. Ao participar de um concurso de redação instituído pelo governo do Estado de Minas Gerais em comemoração ao primeiro centenário da Independência, Chico levantou-se em meio à prova para comunicar à professora que pressentia a presença de um homem que lhe ditava um texto. Sem dar-lhe muita atenção, ela pediu que ele voltasse ao seu lugar e terminasse a prova. A notícia, porém, espalhou-se na sala e na aula seguinte os colegas fizeram-lhe um desafio. Como prova queriam que o "tal homem" viesse "outra vez, ali mesmo [...] à frente de todos para escrever sobre um tema escolhido por eles". O tema proposto, escolhido ao acaso por um dos meninos foi o grão de areia. Chico relata: "lembro-me que o espírito [...] ao meu lado começou ditando: 'Meus filhos, que ninguém escarneça da criação. O grão de areia é quase nada, mas parece uma estrela'" (Barbosa, 1992 [1967]: 17).
Fatos como esses se repetiam quase diariamente, em sonhos, na escola, nos momentos de ócio. João Cândido, pai de Chico Xavier, inúmeras vezes ameaçou internar o filho num sanatório. A tese de que se tratava de caso de loucura era, porém, refutada pelo padre Scarzelli, que procurava aplacar a situação com o receituário católico tradicional: novenas, penitências, rezar mil ave-marias...
Essas duas posições com relação ao fenômeno mediúnico (assinaladas, de um lado, pelo padre e a madrinha nos termos da religião, de outro, pelo pai, que aderia ao argumento médico) ilustram os termos do debate da questão na época. Conforme Giumbelli (1997), que se dedica ao estudo desse tema, as primeiras décadas do século XX constituem o período em que o pensamento médico no Brasil amplia significativamente o espaço editorial conferido ao tema, o que se observa pelo aumento do número de artigos, teses e livros sobre o assunto (: 198). Construindo-se à época como discurso hegemônico, a perspectiva médica teve o endosso do discurso jurídico, resultando dessa aliança um prolongado embate com a versão tradicional, religiosa do fenômeno (Giumbelli, 1994).
Mas numa pequena cidade do interior de Minas Gerais, como era Pedro Leopoldo no início do século XX, o padre era ainda considerado uma "autoridade". Ou seja, a ascendência do padre sobre as famílias dos meios populares corria incontestada. O relato biográfico de Chico Xavier é exemplar nesse sentido. Vários são os episódios relembrados que sugerem o poder da opinião padre. Chico Xavier lembra, por exemplo, que por ordem do pároco participou, aos nove anos, de uma procissão carregando uma pedra de 15 quilos na cabeça. A penitência devia ser complementada pela obrigação de repetir mil vezes a ave-maria. Não se tratava, porém, de prática isolada. Impuseram-lhe que freqüentasse regularmente a igreja, participando inclusive das novenas. Os resultados, contudo, não foram os esperados. Segundo seu relato, enquanto rezava e contava acompanhando a procissão, "um espírito desocupado fazia caretas e bocas para atrapalhar seus cálculos" (Souto Maior, 1994: 11). Além disso, quando estava na igreja, cumprindo as novenas, "assombrações flutuavam sobre os bancos e beijavam os santos" (idem). Padre Scarzelli decidiu então "ser mais duro". Aconselhou João Cândido, pai de Chico, a ocupar o tempo livre do menino, arranjando-lhe um emprego. À época a fábrica de tecidos da cidade estava empregando crianças para trabalhar no período noturno. Chico Xavier foi admitido: "Fui trabalhar como tecelão. Entrava às três da tarde, saía à uma da madrugada. Dormia até às seis, ia para a escola, saía às onze. Almoçava, dormia uma hora [...] e entrava de novo na fábrica" (Machado, 1992[1984]: 25-6). A rotina diária era estafante para uma criança de dez anos. Restava-lhe apenas o fim de semana para descanso e lazer. Algumas atividades, contudo, foram-lhe proibidas: o padre Scarzelli recomendou, como medida complementar, que se evitasse a "má influência" dos livros, revistas e jornais. Assentindo, João Cândido "fez uma fogueira das páginas proibidas" (: 18). Dizendo-se inconformado, Chico relata que recorreu, como sempre fazia, ao espírito da mãe. Esta lhe deu um conselho: "Aprenda a calar-se. Quando lembrar, por exemplo, alguma lição ou experiência recebida em sonho, fique em silêncio. Mais tarde talvez você possa falar" (idem). Chico passou então a restringir seus comentários ao confessionário. Mas o padre Scarzelli insistia: "Ninguém volta a conversar depois da morte" (idem). E acrescentava: "O demônio procura perturbar-lhe o caminho" (idem). Chico, porém, não se deixava convencer: "Mas padre, foi minha mãe quem veio" (idem). O padre retrucava: "Foi o demônio" (idem).
Os exemplos poderiam continuar sendo multiplicados, mas os acima apresentados parecem ser suficientes para evidenciar o peso e significado da interpretação institucional, católica, do fenômeno mediúnico nos meios populares à época. A convergência de leigos e eclesiásticos na interpretação do fenômeno mediúnico chama atenção, considerando-se que o pároco e a madrinha de Chico Xavier o entendem da mesma forma, isto é, como "coisa do diabo". Essa convergência se manifesta também quanto às atitudes assumidas em relação ao fenômeno da mediunidade: ambos entendiam ser preciso reprimi-lo, inibir sua manifestação, num caso por meio de castigos corporais, noutro pela oração e penitência.
Confrontando-se na sua experiência cotidiana com esse caráter prescritivo do Catolicismo oficial em relação ao fenômeno da mediunidade, Chico Xavier desenvolveu nessa etapa inicial de sua trajetória uma relação ambígua com as crenças católicas: sua "carolice de infância" se desenvolveu permeada de experiências que fogem ou são reprimidas pelo Catolicismo oficial, resultando em conflitos pessoais, tanto com representantes da Igreja, como com membros do universo de suas relações de sociabilidade primária.
A conversão
Transição de natureza marcadamente simbólica, a conversão de Chico Xavier ao Espiritismo ocorreu a partir da experiência de cura de uma sua irmã, realizada por um casal espírita, depois de sucessivos tratamentos médicos malsucedidos visando o controle de seus "acessos de loucura". Então com 17 anos, Chico Xavier participou das orações e passes, sendo em seguida introduzido à obra de Allan Kardec. A narrativa desse fato ao pároco e a decisão de seguir a nova doutrina marcaram o seu desligamento oficial do Catolicismo. Antes, porém, Chico Xavier buscou a bênção do padre:
Eu respondi [...] que apesar de respeitá-lo muito, ia estudar o Espiritismo e dedicar-me à mediunidade. Ele permaneceu calado [...]. Pedi a ele que me estendesse a mão [...]. Depois de beijá-la, pedi que me abençoasse. Ele, então, me disse: "Seja feliz, meu filho. Eu rogarei à nossa Mãe Santíssima para que te abençoe e proteja [...]". Levantei-me e saí, sabendo que havia tomado a decisão de praticar a mediunidade; quando cheguei à porta, voltei-me para vê-lo ainda uma vez, notei que ele [...] me acompanhava com o olhar e sorria. (Barbosa 1992 [1967]: 29)
A mudança de tutoria constitui, nesse caso, uma das marcas fundamentais do trânsito religioso. Como demonstram os dados acima, até então a tutela espiritual de Chico Xavier vinha sendo exercida pela mãe, "em espírito", e pelo padre. Essa dualidade foi eliminada com a conversão religiosa, estabelecendo-se a partir daí a sujeição exclusiva à tutela dos espíritos. Ritualmente a mudança foi marcada pela substituição do vínculo de consangüinidade (mãe/filho) pelo vínculo de parentesco simbólico, selado na relação de apadrinhamento estabelecida entre médium e guia espiritual. Este último, no entanto, não se identificou de imediato. Segundo relato de Chico Xavier, Emmanuel se manteve incógnito por quatro anos (de 1927 a 1931), período considerado de treinamento de sua mediunidade, em especial da prática da psicografia.
Fase liminar, característica dos processos iniciáticos, essa etapa foi marcada pela produção anônima, envolvendo dupla iniciação: além do desenvolvimento da escrita mediúnica, as mensagens psicografadas promoveram a familiarização de Chico Xavier com um "discurso de virtudes", que incisivamente remetia à questão da obediência, da paciência e da humildade. Esses temas, que até então haviam sido objeto de orientação materna como solução para os conflitos familiares, passaram a partir de então a promover a formatação de sua personalidade pública.
Um "contrato de trabalho", visando a produção de livros mediúnicos selou, a partir de 1931, a relação entre médium e guia espiritual. Chico Xavier conta que se encontrava num final de tarde em orações à beira de um açude, localizado à saída da cidade, quando avistou um espírito "envergando uma túnica semelhante à dos sacerdotes" que a ele se apresentou: "Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?", perguntou. "O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?", retrucou o médium. O espírito respondeu: "Perfeitamente, desde que respeite três pontos básicos". Chico perguntou: "Qual o primeiro ponto?" Resposta: "Disciplina". "E o segundo?" "Disciplina". "O terceiro?" "Disciplina" (Gama 1995 [1955]: 64).
Aceito os termos do contrato, desenvolveu-se entre ambos uma relação de maior abrangência: duradoura, cotidiana, sobretudo, disciplinadora. As tensões que emergiam de início em função da divergência entre pretensões, projetos e/ou decisões pessoais do médium e a vontade dos espíritos evidenciam como se deu o processo de seu treinamento disciplinar, abrangendo as mais variadas dimensões de sua vida cotidiana. Segundo seu próprio relato, o seu tempo passou a ser dividido entre o trabalho remunerado e as atividades noturnas e de fim de semana no centro. Restavam-lhe poucos momentos de lazer. Conversas numa roda de amigos eram raras.
Chico Xavier afirma que a postura de Emmanuel era implacável em todas as situações. Inclusive diante das dificuldades econômicas por ele enfrentadas. Ele conta que em 1939 um grupo de cientistas russos lhe fez uma oferta: convidaram-no a passar seis meses em Moscou, com o fim de realizar testes sobre sua mediunidade. A oferta parecia tentadora: "o dinheiro era suficiente para construir cinqüenta casas populares. Uma fortuna para quem estava às voltas com a primeira de oito prestações de um novo chapéu" (Souto Maior, 1995: 56). Mas Emmanuel foi logo pondo fim às suas pretensões: "Se quiser, pode ir ­ disse ele ­ eu fico". Igualmente rigorosa foi sua conduta em relação aos problemas de saúde do médium.
Chico Xavier conta que, uma noite, estava psicografando quando "sentiu o olho esquerdo invadido por fragmentos de areia" (: 29). Esfregou-o "mas a coceira continuou. Tentou fixar a lâmpada com a pupila incomodada, mas em vez da luz acesa viu um foco difuso. Mal conseguia enxergar os versos récem-escritos". Assustado recorreu, como sempre fazia, à oração. Apareceu-lhe o "dr. Bezerra de Menezes20", que pouco depois informou: "Sua vista amoleceu por razões que não podemos saber agora. Prepare-se para ir a tratamento em Belo Horizonte, para que sua família não diga que você ficou sem se tratar por nossa causa" (: 29). Dois dias depois, soube do diagnóstico oficial: "Isso é um tipo de catarata [...] inoperável" (idem). Chico Xavier tinha então apenas 21 anos. Ele decidiu consultar Emmanuel a respeito. "Tenha serenidade, [...] você está sob cuidado dos benfeitores espirituais e sob a assistência de médicos atenciosos e amigos" (Barbosa, 1992 [1967]: 85), disse-lhe o espírito. "Quer dizer que preciso tratar-me?" (idem), perguntou Chico desapontado, acrescentando em seguida: "O senhor quer dizer que embora eu seja médium [...] não posso esperar a intervenção do Plano Espiritual em meu benefício para curar-me?" (idem). Emmanuel retrucou:
Por que você receberia privilégios por ser médium? [...] a condição de médium não exonera você da necessidade de lutar e sofrer, em seu próprio benefício, como acontece às outras criaturas que estão no Plano Físico. (Idem)
Chico Xavier não se resignou de imediato. Perguntou como poderia desenvolver a tarefa de escrita dos livros espíritas, que apenas se iniciava, se a deficiência visual de que era portador dificultava-lhe o trabalho. Disse-lhe o guia: "Confie no Senhor, pois sua doença é arrimo que ele enviou em seu auxílio" (: 86). Chico alegrou-se imediatamente: "Então Jesus vai curar-me?" (idem). Ele mesmo prossegue o relato:
Emmanuel me fitou [...] e mandou que eu abrisse O evangelho segundo o Espiritismo, no capítulo VI [...]. Então comecei a ler em voz alta [...]. Quando atingi a palavra "aliviarei", nosso Amigo Espiritual sustou-me a leitura e disse: "Compreendeu bem? Jesus não promete curar-nos, isto é, retirar-nos [...] das obrigações que nos cabe cumprir perante as leis de Deus mas promete aliviar-nos e auxiliar-nos. (Idem)
Sem outra alternativa, Chico Xavier afinal deixou-se convencer: "Resignei-me", disse ele (idem).
Anos mais tarde, quando perguntado sobre a doença nos olhos, dizia: "Todo médium tem seus testes" (: 47). Ou então afirmava: "Eu não poderia escapar. Ainda hoje devo sofrer para aprender" (idem). Houve também ocasiões em que fez suas as palavras de Emmanuel, como, por exemplo, nessa entrevista: "Decerto o Mundo Espiritual permite que eu passe por [...] provações para mostrar-me que receber livros [...] não me cria privilégio algum" (: 32).
Revendo mais tarde sua trajetória, ele assim a resumiu: "Emmanuel tenta adaptar-me para a colaboração com ele, desde 1931 até agora, assim como um viajante [que] procura domar um animal freado e irrequieto, a fim de realizar uma longa excursão" (: 66; destaque meu).
O modo como Chico Xavier retrata o processo de sua conversão e assujeitamento à vontade dos espíritos permite observar que a produção da liminaridade, característica dessa fase, expressa-se tanto por gestos de ruptura, como de continuidade em relação à filiação religiosa de origem. O modo de construção da relação entre médium e guia espiritual é exemplar especialmente com relação a esse último aspecto: de um lado, essa relação ritual se inscreve nos termos do parentesco simbólico, traduzindo-se o apadrinhamento numa relação de proteção de tipo filial, o que remete ao modelo santorial próprio do Catolicismo popular; de outro, o aporte institucional, eclesiástico católico, também aparece como fundamento da autoridade do espírito-guia. Além do preceito institucional da obediência, que inscreve essa relação, a própria imagem do guia, divulgada pelos espíritas, remete ao modelo institucional católico. Basta observar as fotos reproduzidas em livros espíritas a partir da narrativa de Chico Xavier: nestas Emmanuel aparece sempre com vestes sacerdortais, semelhantes às de um padre jesuíta21. Os trajes que ele ostenta (uma espécie de batina preta) assim como a rígida disciplina de trabalho e de vida que impôs ao médium são típicas desse aporte institucional.
Donde se pode afirmar que nessa primeira etapa do percurso iniciático de Chico Xavier a experiência da conversão é construída a partir de um duplo sincretismo com a tradição católica. Na etapa seguinte, porém, prevalece a interlocução com o modelo institucional, como se verá a seguir.
Vida de santo
Num seu trabalho recente, Le Goff (2001) define São Francisco de Assis como figura de transição entre o medieval e o moderno, sugerindo ter sido uma de suas contribuições a renovação da santidade católica a partir de seu estilo de vida e de apostolado. Em suas palavras: "Tomando e dando como modelo o próprio Cristo e não mais seus apóstolos, ele comprometeu o cristianismo com uma imitação do Deus-Homem" (: 13-4). Além disso, combateu o modelo eremítico de santidade, vigente desde o século IV: "Vencendo ele próprio a tentação da solidão [foi viver em] meio da sociedade [...], nas cidades e não nos desertos, nas florestas ou no campo" (: 13-4). Essas inovações introduzidas implicaram a constituição do espaço público e da vida cotidiana em "esfera de salvação". Com relação a esse último aspecto ­ a santificação da vida cotidiana ­, observa-se, porém, tendência à preservação de práticas institucionais estabelecidas. Segundo Le Goff, os escritos de São Francisco exortam a necessidade de "respeitar os três votos: de obediência, de pobreza e castidade" (: 93).
O "itinerário de santidade" (Certeau, 1982) de Chico Xavier segue esse mesmo modelo, o que significa que a narrativa de sua vida e carreira religiosa encenam uma noção de santidade que, a exemplo de São Francisco de Assis, "se manifestam menos por milagres [...] e pela exibição de virtudes, do que pela linha geral de uma vida totalmente exemplar", conforme sugere Le Goff (: 43).
Para Chico Xavier, como outros santos, a constituição dessa vida santificada não transcorreu, porém, sem hesitações, incertezas, dificuldades. Sua narrativa, de início, é, portanto, freqüentemente marcada pelo lamento. Mas com o tempo ele próprio começa a produzir provas de humildade, um dos preceitos básicos da vida de santo. Trata-se de um ideal de comportamento, que deve se manifestar publicamente de várias formas, inclusive como modo de auto-representação, como indicam alguns dos exemplos acima mencionados.
A renúncia complementa esse modelo de construção da vida de santo. Nesse caso, porém, ela não se manifesta por meio do retiro da sociedade e, sim, pela criação de um estilo de vida sui generis, cuja marca de separação consiste na oposição a certos valores culturais e práticas correntes em seu meio social. Os relatos biográficos de Chico Xavier evidenciam que essa construção de uma vida santificada não teve o mérito da inovação. Em larga medida ele a produziu inspirando-se no modelo monástico de virtuosidade católica, para o qual constitui preceito fundamental a renúncia ao sexo, ao casamento e a bens materiais:
Para que os livros nascessem de minhas pobres faculdades, de modo mais intenso [...] foi preciso, diz-nos Emmanuel, que eu aceitasse a existência em que me encontro, na qual o matrimônio [...] não seria possível. Isto não quer dizer que a mediunidade crie antagonismos entre médium e casamento terrestre, mas sim que determinadas tarefas mediúnicas requisitam condições especiais para que se façam cumpridas. (Folha Espírita, nov. 1976, apud Nobre, 1996: 145)
A renúncia ao matrimônio como condição de realização plena da potencialidade mediúnica sugere a concepção cristã do sacerdócio. No depoimento de Chico Xavier, como no de outros médiuns (cf. Dantas, 1988; Rodrigues, 1987; Prandi, 1996), observa-se que a imposição da castidade legitima a releitura da própria biografia como a história de uma eleição. Os relatos consultados evidenciam, porém, que a tendência de Chico Xavier ao celibato se configurou, a princípio, independente da questão mediúnica.
Na fase adulta, o tema passou do circuito familiar à especulação pública. Os boatos, muitas vezes contraditórios, corriam com freqüência na imprensa. "Boatos de [um] possível casamento", afirma Schubert, "aconteceram mais de uma vez" (1986: 297). A maioria das especulações, no entanto, girava em torno da suposta homossexualidade do médium. A fala fina e mansa, complementada por maneiras delicadas, alimentou com freqüência insinuações a respeito. Chico Xavier, porém, jamais aceitou o rótulo de homossexual. Celibatário convicto, ele inúmeras vezes explicitou essa sua condição. Ele se defendia de insinuações a respeito de sua conduta sexual recorrendo a frases feitas: "De que vale um perfume preso a um frasco?" (Souto Maior, 1995: 74). Ou então: "Por que ficar preso a uma mulher?" (idem). Fazendo uso dos mesmos argumentos de que se serve o clero católico, por vezes dizia: "minha família é a humanidade" (idem).
Capitalizadas simbolicamente, as práticas do celibato e da castidade foram no decorrer do tempo ressignificadas, transformando-se de componente da personalidade do médium em forma de expressão modelar da mediunidade espírita. Não sendo esta, porém, uma norma doutrinária, o que esse percurso sinaliza é a apropriação por Chico Xavier de práticas institucionais de construção da santidade católica.
O mesmo se observa no que se refere à relação com bens materiais. A experiência de pobreza veio-lhe de berço. Mas o desapego aos bens materiais, como forma de sinalizar distanciamento das "coisas do mundo", foi uma experiência construída, referenciada no voto de pobreza católico. Dos relatos de Chico Xavier se depreende que este pouco desfrutou, em mais de 90 anos de existência, das benesses do chamado "mundo moderno". A princípio, em conseqüência das restrições financeiras que caracterizaram as condições de vida de sua família. Mais tarde, por opção pessoal: seus livros psicografados, traduzidos em várias línguas, renderam milhões em direitos autorais. Ele, contudo, nunca se apropriou de qualquer parcela desses rendimentos. Oficialmente, por meio de registro em cartório, doou os proventos dos livros mediúnicos às editoras de seus livros, bem como a inúmeras obras sociais. Viveu sempre exclusivamente de seu minguado salário de funcionário público de baixo escalão. Como prova de gratidão, muita gente chegou a lhe oferecer dinheiro. Chico recusava sistematicamente: "Ajude o primeiro necessitado que encontrar", dizia ele. O mesmo fazia com os presentes com que era agraciado. Sistematicamente recusou também doações que lhe foram feitas, envolvendo terras e dinheiro. Tudo foi repassado a instituições de caridade.
Complementa esse exercício de renúncia, a prática da caridade, cujas formas introduzidas por Chico Xavier se tornaram, mais tarde, modelares para a prática espírita. Também com relação a essas se observa inspiração em práticas institucionais católicas. É o caso da peregrinação, denominação dada por Chico Xavier às visitas semanais que realizava, aos sábados à tarde, a famílias que viviam embaixo de uma ponte em Pedro Leopoldo. Acompanhado de um grupo de amigos, ele lhes levava doações feitas durante a semana em roupas e alimentos. O cenário urbano servia-lhe, assim, de palco para a pregação do Evangelho. Em Uberaba, onde ele se estabeleceu alguns anos mais tarde, essa atividade se estendeu também aos bairros de periferia. Realizadas ao ar livre, suas pregações se tornaram famosas. Essa atividade "extramuros" era complementada com as visitas a doentes em hospitais e a presidiários. Ao contrário dos evangélicos, porém, Chico Xavier não fazia pregações: "Não poderia aproveitar que eles estão atrás de grades para fazer sermão" (Souto Maior,1995: 218). Finalmente, à época do Natal, saía em caravana de carros pelos bairros de periferia distribuindo presentes.
No bojo dessas práticas insinua-se a idéia de que a santidade como modo de vida se realiza por meio da prática de doação. Este é um elemento-chave da ética cristã da santidade: enquanto os demais fazem e acumulam para si (ou para os seus), o santo é aquele que acumula gestos e práticas de doação aos outros. Esse ideal se realiza a partir de padrões culturais, podendo concretizar-se, portanto, de formas variadas. O que distingue a santidade espírita no Brasil, concretizada pela vida de Chico Xavier, é o éthos institucional católico de que esta se impregnou22.
O Espiritismo no Brasil: versões concorrentes
"Santidade", afirma Rubem C. Fernandes, "é um tema maior da religiosidade brasileira" (1994: 197). Sua importância é de tal ordem que no Catolicismo "ouve-se costumeiramente falar em 'Santa Trindade', 'São Bom Jesus', 'Festa do Divino'" (idem). Segundo o autor, "pelas artes do sincretismo", essa noção estendeu-se também a outros universos religiosos.
As divindades africanas de origem ioruba, os orixás, também são chamados costumeiramente de santos. Com efeito, os fiéis afro-brasileiros são referidos como "povo do santo" e diz-se de alguém iniciado que ele ou ela "é do santo". Os pentecostais assimilam a palavra evangélica "sede santos como eu sou santo" e distinguem-se entre as denominações protestantes pela ênfase na presença ativa do Espírito Santo. (Idem)
O Espiritismo também não foge à regra, se considerarmos que Chico Xavier, seu personagem-símbolo, tornou-se conhecido, dentro e fora do âmbito espírita, como um "homem santo".
Resistências a esse modelo de expressão do Espiritismo brasileiro, no entanto, começaram a se delinear especialmente a partir dos anos 80. Configurando tendências ainda em construção, essas novas correntes se apresentam como outras leituras da tradição. O ponto comum entre elas, parece-me, reside na busca de afastamento da leitura católica de que se impregnou o Espiritismo com Chico Xavier. Na maioria dos casos a estratégia adotada consiste na constituição de outros interlocutores, dentro e fora do campo religioso, resultando, em conseqüência, a possibilidade de se trilhar caminhos diversos, como ocorreu, por exemplo, com Waldo Vieira e Luiz Antonio Gasparetto. O primeiro, depois de abandonar a prática espírita, envolveu-se na organização de um movimento de cunho paracientífico (a chamada Projeciologia, posteriormente renomeada Conscienciologia), ao passo que Luiz Antonio Gasparetto procurou promover a inovação da doutrina por meio da síntese desta com idéias e práticas de auto-ajuda e do universo da chamada Nova Era.
D'Andrea (2000) sugere que o aumento do número de adeptos do Espiritismo ocorrido nos últimos anos está intimamente associado a essa fragmentação do movimento, ocorrida nas últimas décadas. Segundo esse autor, o processo de fragmentação do Espiritismo resultou da incapacidade deste em atender a demandas divergentes de segmentos da população que se diferenciam "especialmente no que tange a estilos de vida, articulados com níveis de renda" (: 136). O ponto crucial, acrescenta ele, consiste nas "pressões [...] e necessidades [...] de indivíduos de classe média alta [que] se chocam com o excessivo tradicionalismo e intelectualismo dogmático das instituições kardecistas oficiais" (: 139).
Protagonistas desse movimento, os dois personagens citados têm capitalizado essas demandas, juntamente a outros grupos e lideranças. As alternativas por eles construídas expressam, de forma exemplar, duas tendências dominantes, que podem ser observadas também em outros contextos nacionais: a busca de aproximação com a ciência, de um lado; o estabelecimento de interlocução com grupos, seitas e práticas que remetem ao ideário da chamada Nova Era, de outro. No presente caso a trajetória de Waldo Vieira ilustra a primeira alternativa, enquanto o percurso de Luiz Gasparetto ilustra a segunda. No que segue apresento uma síntese do percurso desses dois personagens, de forma a delinear com mais precisão a construção dessas duas alternativas, surgidas do confronto com o viés católico assumido pelo Espiritismo no Brasil. Religião, ciência ou auto-ajuda? trajetos do Espiritismo no Brasil -

Notas

1 Este ensaio condensa algumas das principais idéias que apresento em minha tese de doutorado em Antropologia Social, defendida na Universidade de São Paulo, intitulada Entre dois mundos: o espiritismo da França e no Brasil (1999, mimeo.). Agradeço a José Guilherme Magnani, orientador, pelo estímulo constante e a Capes pelo financiamento das condições materiais para a realização desta pesquisa.

2 Esses dados foram obtidos em matérias de imprensa divulgadas à época pelas agências on-line: Isto É Online; GloboNews; Folha Online; JB Online.

3 Publicado em 1932 pela Federação Espírita Brasileira, Parnaso de além-túmulo teve como primeiro comentarista o escritor e jornalista Humberto de Campos, que escreveu dois artigos no Diário Carioca. O jornal O Globo entrou no debate mais tarde. Em 1935 enviou um jornalista, Clementino de Alencar, a Pedro Leopoldo (MG), onde vivia Chico Xavier, para investigar in loco a autenticidade de suas práticas mediúnicas. Publicadas semanalmente, as matérias desse jornalista ocuparam as páginas do jornal O Globo por mais de um mês.

4 Os termos desse processo judicial bem como artigos de juristas e literatos que na época participaram dos debates foram compilados por Miguel Timponi (1978 [1959]). Para mais detalhes sobre esse episódio veja-se Stoll (1999).

5 Além de ser noticiado na imprensa espírita, o fato foi comentado com escárnio pelo National Enquire e pelo Physis News dos Estados Unidos. Apesar disso, outras mensagens psicografadas por Chico Xavier foram utilizadas como instrumento de defesa em dois outros processos, nos anos 80 (cf. Souto Maior, 1995: 207).

6 Matérias sensacionalistas ainda por vezes ocorrem, mas nestas os personagens centrais são hoje seus familiares, haja vista as recentes denúncias registradas na imprensa quanto aos maus tratos que o médium estaria sofrendo por parte destes, alguns dos quais também se acusa de estarem envolvidos no desvio de donativos destinados a instituições filantrópicas. A título de exemplo consulte-se a matéria "Casa da guerra. Filho adotivo e nora de Chico Xavier brigam por dinheiro" (Veja, 14 de fevereiro de 2001).

7 A íntegra do programa se encontra publicada sob o título Pinga-fogo com Chico Xavier (São Paulo, Edicel, 1987).

8 Os trabalhos mais recentes produzidos sobre o tema incluem estudos de caráter histórico como o de Damazio (1994), predominando, porém, os estudos antropológicos, entre eles, Cavalcanti (1983), Giumbelli (1994) e D'Andrea (1996 e 1997).

9 Veja-se Birman (1992 e 1994); Sanchis (1994a e 1994b); Mariz & Machado (1994); Negrão (1997); dentre outros.

10 A Livraria Garnier, considerada à época a principal casa editorial do Rio de Janeiro, lançou o primeiro título, O livro dos espíritos, em português, em 1875. Isto é, 15 anos depois da segunda edição do mesmo na Europa. Segundo consta, o sucesso de público alcançado pela obra estimulou o lançamento pela Livraria Garnier, nesse mesmo ano, de dois outros títulos publicados por Allan Kardec: O livro dos médiuns (1861) e O céu e o inferno (1865). Cf. Machado (1983: 117).

11 Cândido Procópio Camargo publicou o primeiro título sobre o tema – Kardecismo e Umbanda –, em 1960. Mais tarde publicou um novo estudo, intitulado Católicos, Espíritas e Protestantes (1963).

12 Roger Bastide escreveu primeiro um artigo, Spiritism au Brésil, publicado em Archives des Sciensces Sociales des Religions (24, juil.-dec. 1967). As idéias básicas deste artigo foram posteriormente reapresentadas num capítulo de As religiões africanas no Brasil (1985 [1960]).

13 Para análise detalhada da produção desses autores a respeito do Espiritismo, assim como de outros que os sucederam no estudo desse tema, veja-se Stoll (1999: capítulo 2).

14 Giumbelli (1994) chama atenção no seu trabalho para a complexidade dessas relações fora do campo religioso, destacando em particular a interlocução entre o Espiritismo e os campos médico e jurídico no Brasil, entre 1890 e 1940.

15 Magnani (1999) sugere o uso do termo neo-esotérico em lugar de expressões correntes como "movimento Nova Era" (Amaral, 1998) ou "New Age" (D'Andrea, 1996) na medida em que não se trata exatamente de um movimento articulado, mas de um conjunto de sistemas religiosos, filosofias e práticas de origens e matizes os mais diversos, cujos pontos de articulação estão em constante movimento e reconstrução.

16 A literatura espírita e acadêmica sustenta ter sido Bezerra de Meneses, fundador e primeiro presidente da Federação Espírita Brasileira, um dos principais responsáveis pela institucionalização da feição religiosa de que se revestiu o Espiritismo no Brasil. O papel de Chico Xavier parece-me, porém, fundador na medida em que sua exemplaridade o torna um modelo a ser seguido pelos adeptos da doutrina.

17 "Palavras minhas", texto publicado na introdução de seu primeiro livro, Parnaso de além-túmulo (1932), descreve a iniciação de Chico Xavier na experiência e prática da mediunidade. "Explicando", publicado em Emmanuel (1938), relata o seu primeiro encontro com Emmanuel, seu guia-espiritiual.

18 Lembra Le Goff a respeito de São Francisco de Assis que "o santo, em sua humildade, não trata de si próprio. Não se pode, portanto, esperar de sua obra [...] informação [...] sobre sua vida" (2001: 45). Quando isso ocorre, porém, como nos casos contados por Chico Xavier, a intenção é que estes sirvam "como exemplo" (idem).

19 Para a construção desse modelo narrativo baseio-me em Certeau (1982) e Beinert (1990).

20 Trata-se do espírito de Adolfo Bezerra de Meneses, morto em abril de 1900, no Rio de Janeiro. No meio espírita ele é reverenciado como um dos principais divulgadores da doutrina kardecista no século passado. Além de médico, jornalista e presidente da Federação Espírita Brasileira, ocupou cargos eletivos: foi vereador por duas gestões e elegeu-se deputado geral em 1867. Morreu aos 69 anos e, segundo os relatos registrados na bibliografia consultada, logo em seguida começou "a se manifestar" mediunicamente por meio de Chico Xavier. A sua relação com o médium não é historiada pela literatura consultada. Apenas se informa que foi por meio desse espírito que Chico Xavier praticava a atividade receitista.

21 Emmanuel, que se apresenta como espírito que teve algumas encarnações à época do Império Romano, segundo relato de Chico Xavier em sua última experiência terrena, foi o jesuíta Manoel da Nóbrega, um dos fundadores da cidade de São Paulo. Veja-se a esse respeito Costa e Silva (1995 [1977]); Tavares (1991 [1967]) e Machado (1983); dentre outros.

22 Afirma Da Matta sobre esse tema: "sabemos que o modelo de quem renuncia na sociedade ocidental é aquele encampado e legitimado pela Igreja, em sua incorporação do paradigma de Cristo" (1981: 207; destaque meu). Esse modelo permite, porém, segundo o autor, duas formas de aproximação: "A primeira é feita pela própria ideologia da Igreja Católica, com sua vida votiva de castidade (renúncia à reprodução e ao prazer físico), de pobreza (renúncias às glórias deste mundo) e de obediência (renúncia à própria individualidade) [...]. A segunda é feita com a política, quando em certas sociedades e circunstâncias históricas, o líder político que atinge o poder [...] apresenta-se como um sacrificado e verdadeiro renunciador das glórias desse mundo" (: 207-8).

23 Os dados relativos à história pessoal e carreira de Waldo Vieira se baseiam no trabalho de D'Andrea (2000).

24 A constituição de um glossário é a base da produção literária de Waldo Vieira. Em geral, os conceitos por ele produzidos resultam de uma construção etimológica baseada na bricolagem de prefixos e sufixos de palavras preexistentes. É o caso de termos como, por exemplo, holopensene, que resulta da seguinte conjunção: holo=todo, pen=pensamento, sen=sentimento, ene=energia, ou seja, "um conjunto-padrão de pensamentos, sentimentos e energias" (apud D'Andrea, 2000: 167), que se acredita influenciar todo e qualquer grupo de pessoas, "auxiliando-o ou prejudicando-o" (idem) conforme o contexto.

25 O Instituto de Projeciologia apresenta organização administrativo-burocrática "complexa e altamente departamentalizada". Seguindo moldes empresariais de estruturação, a "matriz" se liga uma rede de "filiadas"e "núcleos" espalhados pelo Brasil, assim como no exterior. Os seus dirigentes porém raramente são remunerados (cf. D'Andrea, 2000: 165).

26 Observa D'Andrea (: 171) que esse deslizamento perde força com o tempo: da mesma forma que ocorreu com Kardec, no movimento organizado por Waldo Vieira cresce, com o passar do tempo, a tendência à moralização do discurso.

27 Os dados sobre Luiz Gasparetto constam de minha tese de doutorado, tendo sido obtidos por meio de pesquisa etnográfica e documental.

28 Sobre essa questão da busca de redefinição da identidade do Candomblé baiano veja-se os artigos de Consorte (1999) e Ferretti (1999), dentre outros.


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Francisco Cândido Xavier Texto elaborado por Carlos Alberto Ferreira

Retirado da Revista doII Congresso Português de Espiritismo

Francisco Cândido Xavier, mais conhecido por Chico Xavier, considerado o médium do século e o maior psicógrafo de todos os tempos, nasceu em Pedro Leopoldo, pequena cidade do estado de Minas Gerais, Brasil, no dia 2 de Abril de 1910.
Filho de um operário pobre e inculto, João Cândido Xavier, e de uma lavadeira chamada Maria João de Deus, falecida em 1915, quando o filhinho contava apenas com 5 anos de idade. Na altura tinha mais 8 irmãos, tendo todos sido distribuídos por vários familiares e pessoas amigas. Como órfão de mãe em tenra idade, sofreu muito em casa de pessoas de precária sensibilidade.
Aos nove anos seu pai, já casado novamente, empregou-o como aprendiz numa indústria de fiação e tecelagem. De manhã, até às 11 horas, frequentava a escola primária pública, depois trabalhava na fábrica até às 2 horas da madrugada. Aprendeu mal a ler e a escrever. Quando concluiu o pequeno curso da escola pública empregou-se como caixeiro numa loja e mais tarde como ajudante de cozinha e café.
Em 1933 o Dr. Rómulo Joviano, administrado da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo, deu ao Jovem Xavier uma modesta função na Fazena e lá se tornou um pequeno funcionário público em 1935, tendo trabalhado consecutivamente até finais dos anos cinquenta, altura em que foi aposentado por invalidez (doença incurável nos olhos), com a categoria de escrevente dactilógrafo . Não podemos deixar de registrar, sob pena de cometermos grave omissão, que durante as décadas que esteve ao serviço do Ministério da Agricultura, jamais -- não obstante a sua precária saúde e trabalho doutrinário, fora das horas de serviço -- deu uma única falta ou gozou qualquer tipo de licença, conforme documentos facultados pelo M. A. Em finais da mesma decáda de cinquenta, vai residir em Uberaba - MG, por motivos de saúde e a conselho médico, onde permanece até hoje e apenas com a sua magra reforma (aposentadoria).
As suas faculdades mediúnicas são extraordinárias, Sua mediunidade (capacidade natural de ser intermediário entre o plano material e o plano espiritual) manifestou-se, quando tinha 4 anos de idade, pela clarividência e clariaudiência, pois via e ouvia os Espíritos e conversava com eles sem a mínima suspeita de que não fossem homens normais do nosso mundo. Já como jovem e depois como adulto, muitas vezes não diferencia de imediato os homens dos Espíritos. Aos 5 anos, já órfão de mãe, esta manifestou-se várias vezes junto dele encorajando-o e dizendo-lhe que não poderia ir para casa porque estava em tratamento, mas que enviaria um bom anjo que juntaria novamente a família. Esse bom anjo foi a D. Cidália, a segunda esposa de João Xavier, que para casar com o seu pai fez questão de reunir todos os filhos do primeiro casamento e lhe daria depois mais cinco irmãos.
Quando tinha 17 anos, fundou-se o grupo espírita Luiz Gonzaga , onde rapidamente desenvolveu a psicografia, isto é, a faculdade de escrever mensagens dos Espíritos. Época em que se desligaria da Igreja Católica onde deu os primeiros passos na espiritualidade, mas onde não encontrava explicação para os fenômenos que se passavam com ele, designadamente a perseguição de espíritos inferiores de que era alvo. O padre que o ouvia nas confissões foi um conselheiro, um verdadeiro pai e não o dissuadiu do caminho que iniciou no Espiritismo, mas abençoou-o e nunca deixou de ser seu amigo.
No centro espírita começou a psicografar poemas notáveis de famosos poetas mortos, num nível literário tão elevado que os próprios companheiros do grupo não conseguiam atingir integralmente o seu conteúdo. Muitos desses poetas eram totalmente desconhecidos do meio, nomeadamente alguns portugueses: António Nobre, Antero de Quental, Guerra Junqueira e João de Deus. A 9 de Julho de 1932, seria publicada a célebre PARNASO DE ALÉM-TÚMULO , a sua primeira obra psicografada que iria abalar os meios intelectuais do Brasil e tornar conhecida a pacata Pedro Leopoldo. O estilo dos 56 poetas mortos, entre os quais vários portugueses, era precisamente idêntico ao estilo dos mesmos enquanto vivos, informavam os literatos das academias e universidades dos grandes centros culturais do Brasil, embora não soubessem explicar o fenômeno. Seria o início da sua imponente obra mediúnica que hoje já ultrapassa os 350 livros.
Bastava apenas um desses livros para constituir um roteiro seguro para o homem na Terra rumo à sua alforria, à sua felicidade. Seus ensinamentos revivem plenamente o Evangelho de Jesus e as lições do Consolador que Kardec -- o discípulo fiel de Jesus -- nos legou com tanto sacrifício e renúncia.
Mas de mil entidades espirituais nos deram informações através das suas abençoadas mãos, provando à saciedade a imortalidade do Espírito e a sua comunicabilidade com os homens. Mas falar de Chico Xavier é falar de Emmanuel que indelevelmente estará ligado à sua missão. Esse venerando Espírito é o seu protector espiritual e manifestou-se-lhe pela primeira vez de forma ostensiva em 1931, acompanhado-o desde então até hoje. A respeito desse Benfeitor espiritual nos diz o próprio médium:
Lembro-me de que num dos primeiros contactos comigo, ele me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo.
Emmanuel propõe ainda ao jovem Xavier mais três condições para com ele trabalhar: 1ª condição, DISCIPLINA 2ª condição, DISCIPLINA, 3ª condição, DISCIPLINA.
Entre as muitas dezenas de obras mediúnicas de Emmanuel, destacamos os cinco documentos históricos, retirados dos arquivos do plano espiritual, que constituem autênticas obras primas de literatura, e que nos mostram o nascimento do cristianismo e a sua paulatina adulteração logo nos primeiros séculos da era. São os romances mediúnicos baseados em factos verídicos: HÁ 2000 ANOS ... (a autobiografia de Emmanuel, a história do orgulhoso senador romano Públio Lentulus), 50 ANOS DEPOIS , AVÉ, CRISTO , RENÚNCIA e PAULO E ESTEVÃO (a história de um coração extraordinário, que se levantou das lutas humans para seguir os passos do Mestre, num esforço incessante ). Esta última obra, de 553 paginas, por si só justificaria a missão mediúnica de Chico Xavier, segundo o erudito J. Herculano Pires.
Em 1943 comecara a utilizar a mediunidade do abnegado médium uma nova entidade espiritual que assinará as suas mensagens com o nome André Luiz. Quem não conhece, mesmo aqui em Portugal, a quadra: Não se irrite. SORRIA
Não critique. AUXILIE
Não grite. CONVERSE
Não acuse. AMPARE
André Luiz é o pseudónimo utilizado por um espírito que foi médico e cientista na sua última existência e que desencarnou numa clínica do Rio de Janeiro pelo início da década de trinta. É considerado o verdadeiro repórter de além-túmulo. Relata-nos numa séria de 11 livros a experiência do seu passamento, as dificuldades iniciais, o reencontro com familiares e conhecidos que o precederam na partida para o plano espiritual a observação e as expedições de estudo junto de Espíritos de elevada evolução. Esses relatos começam com o já célebre, livro NOSSO LAR (nome duma cidade do plano espiritual), hoje traduzido em vários idiomas, entre eles o Japonês e o Esperanto e que já vai na 40ª edição em Português, com 800.000 exemplares editados até hoje. Obra que também iria causar e ainda causa uma certa polémica. Nessa série de reportagens a alma humana é profundamente escalpelizada, e onde se confirma na prática os ensinamentos que Jesus nos legou há dois milênios atrás e que Kardec relembra e amplia tão bem sob orientação do Espírito de Verdade. Um dia, no futuro, os médicos, os psicólogos, os sociólogos, etc., ficarão admirados pela sabedoria neles contida, que já no século XX se encontrava no Planate, apontando diretrizes segura para a felicidade e paz entre os homens.
A obra monumental de Chico Xavier que se considera, segundo suas próprias palavras: um servidor humilde -- humilde no sentido da desvalia pessoal , jamais serviu para beneficiar materialmente a sua pessoa. Todos os direitos autorais foram cedidos graciosamente a instituições espíritas, nomeadamente à Federação Espírita Brasileira, e a instituições de solidariedade social. Quando as autoridades públicas lhe concedem títulos de cidadania (mais de cem já lhe foram concedidos) diz que o mérito não é para ela mas para os Espíritos e sobretudo para a Doutrina Espírita que revive os ensinamentos de Jesus na sua plenitude e que ele não passa de um poste obscuro para a colocação do aviso de que a Doutrina Espírita foi premiada com essas considerações públicas .
Há que registrar também que várias centenas de instituições de solidariedade social forma criadas e inspiradas no seu exemplo e obra: orfanatos, escolas para os pobres, lares de deficientes, sopas dos pobres, campanhas do quilo, ambulatórios médicos, alfabetização de adultos, bibliotecas, etc., etc.
Antes de encerrarmos estas notas gostaríamos de registrar ainda o seu ponto de vista em relação às outras doutrinas, filosofias e ideologias, aliás que são o do próprio Espiritismo, mas passemos-lhe novamente a palavra:
Nosso amigo espiritual, Emmanuel, nos aconselha a respeitar crenças, preconceitos, pontos de vista e normas de quaisquer criaturas que não pensem como nós, mas adverte-nos que temos deveres intransferíveis para com a Doutrina Espírita e que precisamos guardar-lhe a limpidez e a simplicidade com dedicação sem intransigências e zelo sem fanatismo .
Estes são alguns dos traços bioblibliográficos desse abnegado benfeitos que renunciou a tudo para que o mundo seja um pouco melhor e que dá pelo nome simples de Chico Xavier.
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CASO 1: AS CARTAS DE CHICO XAVIER. Em acontecimento inédito na Justiça brasileira e que até hoje causa polêmica, cartas psicografadas pelo médium Chico Xavier serviram de prova para inocentar três acusados de assassinato. Maurício Garcez e Henrique Gregoris, duas das vítimas, viviam em Goiás quando foram mortos a tiros; Gleide de Deus, no Mato Grosso do Sul. Em comum, o fato de terem sido atingidos por disparos acidentais, revelação que só foi possível porque os espíritos dos três teriam enviado mensagens a Chico Xavier. As cartas dos mortos, psicografadas pelo médium, foram admitidas como prova de inocência nos julgamentos. O médium mineiro Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, morreu em 2002 e é considerado um dos líderes religiosos mais influentes do país.

CASO 2: ZÉ ARIGÓ. Nascido em uma fazenda na periferia de Congonhas, José Pedro de Freitas, o Zé Arigó, desde pequeno viu-se assombrado por imagens macabras que o perseguiam. Já na adolescência, recebia a visita de um homem que se dizia um médico alemão, o Dr. Fritz. Com o passar dos anos, Arigó acabou por se submeter aos apelos do espírito, passando a encarná-lo e a curar enfermos. Arigó virou um fenômeno nacional, atraindo multidões à sua casa e ao seu centro espírita, inclusive artistas e políticos. Operava pessoas sem nenhuma assepsia. Para os fiéis, era um milagreiro. Para os médicos, um charlatão. Acabou preso e processado por exercício ilegal da medicina. Sua morte, em janeiro de 1971, foi prevista pelo próprio Zé Arigó. Ele morreu num acidente de carro na Rodovia BR 040.

CASO 3: EXPERIÊNCIA DE QUASE MORTE. Uma sensação de libertação do próprio corpo; uma clarividência e uma rapidez de pensamento jamais sentidas; um êxtase de felicidade indescritíveis. Essas são algumas das emoções narradas por pessoas que vivienciaram a chamada Experiência de Quase Morte (EQM). Pacientes em coma ou pessoas submetidas a afogamentos e outras situações traumáticas narram o que viram do "outro lado da vida", "no limite entre a vida e a morte". A chamada EQM é estudada em vários países do mundo. No Brasil, um dos casos mais famosos é o do menino Francisco Alves dos Santos, atingido por uma flecha disparada por um morador do bairro da Urca. Levado ao hospital, praticamente sem vida, ele garante ter cruzado a fronteira com a morte e voltado ao corpo

Com o espírito do pop Autor :Alexandre Werneck

Um espectro ronda a indústria cultural brasileira. Nesta semana, marcada pelo Dia de Finados, o Linha direta justiça apresenta, na quinta-feira, às 22h50, na Globo, o episódio As cartas de Chico Xavier, em que um caso é resolvido graças à atividade psicográfica do médium.


Televisão, livros, filmes e eventos tiram o kardecismo dos centros e fazem da religião assunto da moda
O programa chega numa época em que os livros As vidas de Chico Xavier e Por trás do véu de Ísis, do jornalista Marcel Souto Maior, ambos da editora , atingem assombrosos números: o primeiro, lançado ano passado, chega às 120 mil cópias vendidas, e o segundo, publicado este ano, às 20 mil.

No mesmo momento, uma edição da Revista das religiões, da Editora Abril, baixa nas bancas com uma capa sobre os 200 anos de Allan Kardec, o pai do espiritismo, com uma tiragem de 60 mil exemplares.
Não é só. Na quinta-feira, o deputado baiano Luiz Carlos Bassuma transformou sessão de homenagem em sessão espírita na Câmara, ao fazer o, digamos, download de uma entidade, e que, há duas semanas, o Primeiro Festival de Música Mediúnica do Rio de Janeiro lotou com quase mil pessoas o Garden Hall, na Barra, não há mais como negar: o espiritismo já é parte da cultura pop.
-Já dei autógrafos do livro para garotos de piercing e para seringueiros da Amazônia. É gente que está em busca de respostas, independentemente de sua religião - diz Marcel Souto Maior, que não é espírita, mas virou uma estrela do meio em suas viagens de promoção dos livros, nas quais dá palestras sobre o tema para platéias de mais de mil pessoas.
A opinião de Souto Maior parece um espelho da do antropólogo Bernardo Lewgoy, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que acaba de lançar o livro O grande mediador - Chico Xavier e a cultura brasileira
- A procura de bens religiosos não é exclusividade do espiritismo. No caso dos evangélicos, por exemplo, há os CDs de música gospel. Existe uma nova relação entre religiosidade e mercado. Há, entre a classe média, uma nova forma de espiritismo new age, mais individual e menos institucional. O espiritismo deixou de ser uma religião de vozes autorizadas para ser diversificado - diz Lewgoy.
Marcel e Lewgoy fazem coro com a jornalista Maria Fernanda Vomero, editora da Revista das religiões, que acha que há uma tendência atual de o espiritismo ultrapassar o interesse pela religião.
- Pode-se identificar tanto o interesse religioso quanto o por uma espiritualidade em geral, genérica. As pessoas querem beber um pouco em cada fonte - diz Maria Fernanda, editora da revista que nasceu, há cerca de um ano, das capas sobre religião que faziam sucesso na revista Superinteressante, também da Abril.
As teses da jornalista e do antropólogo parecem em acordo também com a visão religiosa. Segundo o presidente da Federação Espírita Brasileira, Nestor Masotti, o kardecismo não tem como objetivo angariar fiéis. Por isso, diz ele, não importa se quem apresenta a doutrina é um livro psicografado ou um programa de TV:
- Não temos a preocupação de definir a pessoa como espírita. Não há um batismo a partir do qual ela se torna parte da religião. Se a doutrina está sendo passada com seriedade e com correção, isso é o que importa.
Milton Abirached, diretor-geral do Linha direta, entretanto, tenta minimizar o efeito de onda no qual se inseriria seu programa, que na edição desta semana terá participação de Gracindo Júnior no papel de Chico Xavier:
- O episódio não tem intenção de julgar ou discutir a religião espírita. O espiritismo não é o tema do programa, é apenas um pano de fundo de mais um caso da Justiça brasileira.
Mas uma coisa o diretor não pode negar: o episódio promete render uma enorme audiência e deve atrair espectadores que habitualmente não assistem às reconstituições de crimes que vão ao ar semanalmente.
Lewgoy associa o tipo de produto consumido por esse público a seu perfil socioeconômico. De fato, segundo o IBGE, mais de 59% das pessoas que se assumem como espíritas no país têm nível escolar igual ou acima do médio - padrão mais alto do que de qualquer outra religião. É um público letrado, adulto (média de 35 anos) e, em geral, com dinheiro para fazer downloads da internet, ler, freqüentar e assistir.
- É habitual o espírita juntar arte e religião. Se você pergunta a um seguidor da doutrina sobre um livro kardecista, ele o descreverá, antes de tudo, como esteticamente belo - diz Lewgoy.
Nem todos que foram ao Primeiro Festival de Música Mediúnica, promovido no dia 21 pela instituição de caridade Movimento de Amor ao Próximo, em homenagem ao bicentenário de Kardec (1804-1869), são freqüentadores de um dos 592 centros kardecistas oficiais do Rio. No evento, uma multidão viu apresentações de músicos com composições supostamente inéditas feitas por nomes que vão do sambista carioca Noel Rosa ao operista italiano Giacomo Puccini. Todas as obras teriam sido recebidas por médiuns. O que impressiona é que as composições são músicas religiosas, o que não combina com o estilo dos compositores em vida.
- Nossa preocupação é a caridade, por isso promovemos o evento, que une as pessoas em torno da mensagem espírita - diz o coordenador do MAP, Ivan Perdigão, cujo evento cobrou ingressos de R$ 15 e R$ 20, doados para projetos da instituição.
Souto Maior, Lewgoy, Masotti e Maria Fernanda não discutem a veracidade do que acontece no festival. Falam da necessidade de senso crítico para se avaliar um fenômeno mediúnico, mas dizem que se há sinceridade no evento, ele é louvável.
O crescimento de atividades espíritas fora dos centros parece ter a ver com dois fenômenos. Um deles, apontado por Lewgoy, foi iniciado nos anos 70: a globalização e a abertura para o orientalismo. O outro envolve os processos de crise, indicados por Souto Maior.
- A depressão é o mal do século. E há um ocaso das correntes religiosas tradicionais. A igreja católica tem vivido uma certa paralisia e as evangélicas são constantemente acusadas de interesse financeiro.
O escritor e jornalista, entretanto, não vê associação entre a popularização do espiritismo e a onda de auto-ajuda.
- Esses livros apontam soluções fast-food. O espiritismo exige mais responsabilidade - diz.
Lewgoy também diferencia a onda de consumo de produtos kardecistas das outras tantas turbas de compras da atualidade:
- Comprar um livro religioso não é como comprar um tênis. O grande astro Chico Xavier
No site de comunidades virtuais Orkut, o novo termômetro de popularidade de assuntos, há 12 comunidades para falar de Allan Kardec; cinco para Chico Xavier - uma delas dedicada a discutir o livro de Souto Maior -; e mais 41 genericamente dedicadas ao espiritismo. Entre esses grupos, há desde aglomerados pequenos, de três membros, até multidões de 17 mil integrantes. Isso sem contar com os muitos blogs e sites, cada um mais mergulhado no pop que o outro.
Não é de se supreender, então, que na página da Revista das religiões seja possível baixar um simpático papel de parede com uma caricatura de Xavier e dar um ar mais profundo a qualquer frio desktop.
E esse parece ser o espírito da coisa. Tanto Lewgoy quanto Souto Maior partem em seus livros de uma afirmação para eles indiscutível: o grande responsável por esse fenômeno de popularidade é mesmo o médium mineiro, falecido em 2002.
- Ele tem uma repercussão maior que a religião espírita e tem que ser entendido historicamente - diz Lewgoy que, em seu trabalho, faz uma história da relação do líder religioso com a história do país. Segundo ele, o personagem muda de um determinado perfil nos anos 30, quando é associado ao nacionalismo, até outro entre os anos 80 e sua morte, quando passa a ser visto como uma figura ecumênica e caridosa. Entre essas duas imagens, ele foi ainda o perseguido, quano o espiritismo lutava por sua aceitação, nos anos 50 e 60.
- As pessoas estão se perguntando se a vida é só este consumismo desenfreado que está aí e Chico dá essa resposta, com seu exemplo. Não se pode negar: ele acreditava mesmo em sua missão, que estava ligada à caridade - completa Souto Maior, cujos dois livros devem virar filmes em breve. As vidas será um longa-metragem de ficção, produzido pela Lumière e pela Globo Filmes, que deve se transformar depois em minissérie. Já Véu de Ísis será um documentário.
O diretor teatral carioca Renato Prieto já apresentou, nos últimos 15 anos, a peça Além da vida para mais de dois milhões de pessoas. O próprio Souto Maior fazia parte da platéia desse espetáculo na época em que decidiu escrever a primeira versão de seu livro, lançado pela Rocco, há dez anos, com vendagem de 35 mil exemplares. Desde então, Prieto fez mais oito peças de igual inspiração, a última delas Vidas passadas, cuja temporada carioca de um ano e meio terminou há três meses. No começo do ano, depois de rodar o país, ele volta com o espetáculo ao Teatro dos Grandes Atores.
Prieto conta que, há 25 anos, foi convidado por Chico Xavier, junto com outros artistas espíritas, como os atores Lúcio Mauro, Paulo Silvino, Paulo Goulart e Nicete Bruno e o diretor Augusto César Vanucci, a promover a religi